Capítulo 3 Las Vegas.

Angeline Vance.

Você sabe que perdeu o controle quando a quarta taça de espumante parece água e o chão começa a balançar mesmo estando completamente parada.

Mas em Vegas... ninguém liga.

Os lustres de cristal brilhando como diamantes pendurados no teto, e o som grave da música eletrônica pulsando nas minhas costelas como se fosse um segundo coração.

Eu não sei mais onde larguei meu salto alto, minha bolsa ou minha dignidade, mas duvido muito que alguém neste cassino esteja se importando.

Eu mesma não estou.

- Mais uma dose, linda? - o garçom pergunta, rindo da minha cara, como se soubesse que eu não vou negar.

- Se você vier junto, eu aceito - pisco para ele, em um flerte totalmente descarado, enquanto o observo se exibir para mim montando meu drink.

Esse é o terceiro ou quarto? Não lembro. Na verdade, perdi a conta há alguns minutos.

Pego a bebida, pago e me afasto do bar, me enfiando entre a multidão que dança de forma quase hipnotizante, me deixando levar pela batida da música.

Em algum momento, minha bebida acaba.

Em algum momento, uma mesa repleta de drogas ilícitas me atrai... A cocaína me faz sentir viva. Eu não sou viciada, mas as conheço o suficiente para saber o que devo ou não usar.

Uma carreira é o suficiente... Meus sentidos são aguçados ao limite instantaneamente. Uma onda de energia pura e eletricidade corta o efeito pesado do álcool, deixando cada terminação nervosa do meu corpo acesa, acelerada e atenta a absolutamente tudo ao meu redor. Eu me sinto invencível.

Sem as amarras para me prender ao cargo de neta perfeita.

Sem a porra de um noivado de três anos onde meu noivo dormiu com a minha dama de honra, na minha despedida de solteira.

Sem a exigência de carregar um império nas costas.

Essa noite eu sou apenas... eu.

E que se foda todo o resto.

Volto para a pista de dança deixando o ritmo envolvente tomar conta de mim. Danço e rio sozinha no meio da multidão, rebolando no ritmo da música, meus cachos grudando na nuca e o suor escorrendo morno entre os meus seios.

O grave da música faz o chão estremecer, corpos suados se chocando uns contra os outros. Eu danço como se não houvesse amanhã.

"E a julgar pela quantidade de absurdos que fiz hoje... talvez não tenha mesmo."

Gargalho com esse pensamento, sentindo-me dona das minhas decisões, ainda que por uma noite.

É nesse momento que eu sinto: o calor de um corpo colando no meu, mãos fortes e quentes segurando a minha cintura com firmeza, guiando-me em um ritmo mais lento, sexy, verdadeiramente excitante.

Com a iluminação baixa do ambiente e o piscar frenético das luzes de neon, eu não foco no rosto dele. Mas sinto detalhe do seu toque amplificado pela substância no meu sangue.

Ele está parado atrás de mim, mãos deslizando em minha cintura, me trazendo para si. Colando meu corpo ao seu peitoral - ele é forte, e isso é evidente -, posso sentir seus músculos contra minhas costas enquanto ele assume o ritmo da dança.

Lenta, sensual, provocativa.

A respiração quente contra minha pele, o cheiro masculino marcante se misturando ao aroma de álcool. Os lábios dele deslizando na minha nuca, as mãos descendo por meu corpo mapeando cada curva com uma precisão que faz minha pele arder.

Meu corpo decide antes da minha mente.

Tudo em mim sabe que essa é uma péssima ideia, o tipo exato de decisão estúpida que termina com um arrependimento colossal no dia seguinte, mas quem diabos está ligando para o dia seguinte?

Ele dita o ritmo, meus quadris obedecem aos dele sem resistência. Tão bem que fecho os olhos e deixo minha cabeça cair para trás, rindo alto, deixando que ele guie cada movimento com a pressão dos seus dedos na minha pele.

Ele me vira de frente para si, colando nossos corpos, seu cheiro me envolvendo ainda mais, suas mãos deslizando por mim. Seu rosto envolto por uma névoa misteriosa, ou talvez eu esteja drogada demais para enxergar suas feições com precisão.

- O que uma mulher tão linda faz sozinha ? - ele diz perto do meu ouvido, a voz baixa, grave, arrastada por uma malícia pura. - É um pecado deixá-la desacompanhada.

- Me faça companhia então.

- respondo, abrindo os olhos para encarar aquele par de olhos escuros repletos de desejo. - A noite tem sido, razoavelmente tediosa.

Giro de costas novamente, rebolando contra o volume rígido que sinto marcado contra mim.

Não sei o nome dele.

Não quero saber.

Eu só sei que estamos nos esfregando como se fôssemos os únicos naquele salão lotado. Como se o resto do mundo tivesse derretido em fumaça e neon.

Como se o corpo desse desconhecido fosse o único remédio capaz de anestesiar todos os venenos que ingeri.

》》☆《《

O quarto do hotel era um borrão de luzes amareladas, cheiro de sexo e sombras dançando nas paredes.

O som abafado da avenida lá fora sumia a cada vez que nossos corpos se chocavam com força bruta na cama.

A respiração dele queimava contra a minha pele úmida. Mãos firmes, sem espaço para delicadeza, subiam pelas minhas coxas, erguendo o meu vestido curto até a cintura e rasgando a minha calcinha para o lado sem o menor aviso.

Não houve preliminares longas ou conversas. Ele me prendeu contra o colchão, abriu minhas pernas e se afundou em mim de uma vez só, me preenchendo com uma grossura e um calor que me fizeram arranhar a cabeceira de estofado.

O atrito era cru, rápido e barulhento. Minhas pernas se fecharam ao redor da cintura dele, puxando-o para mais fundo, exigindo mais impacto.

Minhas unhas cravavam em sua pele com a mesma intensidade com que ele me fodia.

Monto nele em seguida, assumindo o ritmo, meus cabelos grudados na testa, minhas unhas cravando em seus ombros largos enquanto subo e desço sem piedade no pau dele.

O suor escorre entre meus seios, a cama de casal range contra a parede, os lençóis já estão jogados no chão.

Ele segura meus quadris com brutalidade, ajustando o ângulo, cravando os dedos na minha carne e me impulsionando para baixo a cada estocada violenta.

Nada de beijos suaves.

Nada de carinho.

Só tesão acumulado.

Só pele batendo contra pele.

Dois corpos se fodendo como se o mundo fosse acabar amanhã, com o desejo de alguém que não está disposto a parar.

Ele me vira de bruços, puxando minha bunda para cima e me invadindo por trás com estocadas fundas que fazem o meu peito bater contra os travesseiros.

O som da carne batendo ressoa alto no quarto.

Eu gozo forte, as costas arqueadas, a boca aberta em um grito mudo, a intimidade pulsando e espremendo o pau dele em contrações dolorosamente gostosas.

Ele vem logo em seguida.

Ele me segura pela cintura com mais força, cravando os dentes na minha nuca e soltando um rosnado alto conforme despenca no clímax, gozando fundo dentro de mim até a última gota, a mandíbula travada enquanto o corpo dele treme inteiro sobre o meu.

Desabo de lado no colchão assim que ele se retira, sem olhar para a cara dele, sem pensar em nada.

Só o gosto quente da luxúria e o sêmen dele escorrendo devagar entre as minhas pernas.

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