Capítulo 1 Início

Malu

♤ Algum tempo atrás ♤

Morar em uma comunidade requer muito cuidado por diversos fatores. O por que? Quanto maior o local mais perigoso. Tudo se torna um foco, seja de fofoca, riqueza, saúde e principalmente problemas familiares.

As pessoas mesclam entre o trabalho, serem boas ou serem ruins... Algo bem típico das favelas...

Eu me considero uma pessoa boa, sem vícios...

Apenas sempre gostei de estar atenta à vida dos famosos, pessoas de sucesso e tenho um em especial que vocês logo saberão de quem se trata.

Nunca fui deslumbrada, ambiciosa ou algo do tipo, mais como todo ser humano estou em busca de algo melhor para minha vida.

Contudo infelizmente as coisas mudaram e tomaram proporções inesperadas...

Como comentei antes comunidades tem seus perigos, e neles diversas possibilidades, no meu caso foi a família, para ser mais exata o meu irmão mais velho.

Eu que sonhei com um futuro longe do morro, com um trabalho, uma casa, uma vida tranquila com apenas o que precisava para viver.

Meu pai morreu em um assalto e de quebra deixou um irmão mais velho, o Abraão que foi a minha desgraça.

O desgraçado foi vítima dos traficantes, ele era alcoólatra e vivia pegando dinheiro emprestado com agiotas para suprir seu vício. Eu tentava de tudo para que ele parasse com isso mais não conseguia, até que ele acabou morrendo e eu herdando suas dívidas com os agiotas. Alguns caras eu até conhecia, pois cresceram comigo na comunidade e talvez por conta disso eles não me mataram.

Mas com certeza algo muito ruim me esperava, já que não poderia pagar a dívida imensa que meu irmão fez com eles. Alguns dias se passaram e foi aí que descobri que alguns dos caras tinham ligação com a boca. Aí que tudo fodeu de vez e ao invés de eu dever aos agiotas, passei a ter que prestar contas com os traficantes do morro. Foi aí que o que já estava fedendo apodreceu de vez.

O sub veio até o barraco onde nós morávamos para dizer que a dívida trocou de mão e que eu teria que pagar de qualquer maneira dentro de 24h.

As horas passaram e eu com o cu apertado que nem passava sequer uma agulha de tanto medo que eu estava. Trovão era o pior chefe da comunidade que eu conhecia, o desgraçado não tinha piedade nem da família imagina de uma magrela sem graça como eu.

A dívida cresceu tanto que já era de cem mil reais. E onde que eu ia conseguir levantar uma grana alta dessas em 24h? Nem rodando a madrugada toda na Avenida Atlântica conseguiria isso. Então já estava me acostumando com minha situação e eu iria morrer depois de ser estuprada da pior maneira possível por aqueles porcos da boca.

Já ouvi várias garotas contando altas barbaridades que acontecem naquele quartinho nojento que eles usam pra tudo, desde desovar corpos à comer outros.

Eu já estava me sentindo um lixo e o pior de tudo é que só pensava naquele bonitão da revista. Bem que podiam aliviar meu lado e dá um presente de misericórdia pra essa moribunda virgem né!? Seria nada mal morrer sendo fodida por aquele gostosão dos olhos azuis. — Tá maluca Malu? Essa parada de morte e execução mexeu demais contigo. Até ficou doida sonhando com um cara de revista. — Eu me batia quando levo um susto com a porta sempre colocada a baixo e eu sendo arrastada as 5h da madrugada colocada num carro sendo levada sei lá pra onde.

O carro parou e eles diziam que eu iria pagar a dívida de qualquer jeito.

Eu já estava desesperada, me arrastaram jogando num lugar escuro. Eu fui presa em um quarto sujo, onde eu esperava pra ver o que eles faria comigo.

Sempre fui muito corajosa, mais confesso que agora estou com um medo imenso, não sei o que vai acontecer comigo e com a minha vida. Andando de um lado pro outro no quarto escuro e cheios de coisas empilhadas que foram com certeza roubadas eu pensava em como terminaria a minha vida... Pois pra mim ela tinha acabado ali...

Chorando e com muito medo eu esperava ser perdoada, mas no fundo eu sabia que não haveria perdão. Me assustei quando abriram com força a porta de onde eu estava, era Vinícius um dos meninos que cresci junto agora ele era traficante e pra minha sorte foi ele quem conseguiu convencer os outros a não me matar.

— Vem Malu, se adianta e facilita a minha situação que o chefe quer que eu leve você... — Disse ele com uma voz de quem não queria fazer aquilo

Eu não disse nada, apenas sai daquele lugar horrível e fui com ele. Também o que eu poderia fazer? Meu destino já estava traçado sem que eu tivesse escolha. Meu coração estava a ponto de ter um ataque cardíaco, era agora que eu saberia o que eles iriam fazer comigo. Minhas lágrimas escorriam feito cachoeira, eu tremia, estava em pânico...

Chegando em uma sala cheia de homens armados com armas bem pesadas eu parei na frente do tal chefe que eu só conhecia de vista mesmo, o desgraçado do Trovão. O sujeito era um mulato em torno de 1,80m de altura, musculoso, cheio de correntes de ouro no pescoço, tatuagens por todo o corpo, anéis de ouro nas duas mãos, pulseiras, um Rolex no pulso esquerdo e eu fiquei toda excita só de ver aquele corpo delicioso sem camisa completamente exposto da melhor maneira possível. Mas, tudo passou quando tirei os olhos do seu corpo para olhar diretamente nos seus olhos cinzas e sombrios me fazendo sentir que estava no próprio inferno.

Todos naquele lugar que era chamado de escritório do tráficome olhavam como se quisessem me devorar, eu fiquei ainda mais apavorada com tudo isso, afinal eu era virgem e tudo o que conhecia sobre sexo era o que eu lia naqueles contos eróticos e nas revistas de fofoca onde vai o meu desejo de consumo, o do tal homem de olhos azuis gostosão.

— Você deu sorte gostosa, escapou de morrer... — Disse o tal Trovão me observando e tocando no meu cabelo

— O que vai fazer comigo? — Perguntei assustada me esquivando e ele se aproxima do meu ouvido falando num sussurro que me fez arrepiar todos os pelos do meu corpo

— Vamos te dá de presente pra um bacana aí. E tu gostosinha vai ficar junto com umas mulheres que querem ganhar a vida vendendo o corpo.

— Quê? Não, por favor! Me prostituir não! — Eu disse tentando levantar, mas ele me empurra com uma só mão me fazendo sentar novamente na cadeira

— Eu lamento delícia, até queria ficar contigo, mas nós temos uma dívida com ele e temos que pagar. E você vai ser o pagamento, assim sua dívida também será quitada com a gente. É isso ou a morte! Escolhe aí que ainda dá tempo! — ele fala destravado a pistola e ao ouvir o estalo eu começo a tremer.

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