Capítulo 14 Capítulo 14
Ruby
Entramos no quarto. A luz era baixa, o som do mar entrava pela janela. Ele me deitou no centro da cama e ficou em pé por um segundo, como se estivesse se controlando.
— Última chance de fugir — brincou. — Se sair correndo agora, eu finjo que nunca aconteceu.
— Cala a boca e vem logo — respondi.
Ele riu baixo, tirou a camisa devagar, depois o cinto, a calça, ficando só de cueca. O corpo era forte, marcado sem exagero. Sentou na beira da cama, puxou meus pés pro colo e começou tirando meus sapatos. Os dedos subiram pelos tornozelos, pelas pernas, levando o tecido do vestido junto. Quando percebi, eu já estava só de calcinha e sutiã.
Minha primeira reação foi cobrir a barriga. Ele segurou minhas mãos, abriu ao lado da cabeça.
— Não esconde nada de mim — pediu, sério. — Te ver assim é privilégio, não julgamento.
Ele começou pela minha boca de novo, o beijo mais quente, mais profundo. A língua dele dominava a minha, mas ainda assim me dava espaço. Depois desceu pro meu pescoço, deixando trilhas de beijos que fizeram meu corpo arrepiar.
O sutiã saiu num movimento só. O ar frio bateu nos seios e, antes que a vergonha subisse, a boca dele já estava ali, quente. Ele chupou um, massageou o outro, alternando, enquanto eu gemia sem conseguir segurar.
Desceu beijos pela minha barriga, parou no cós da calcinha.
— Posso? — perguntou, olhando nos meus olhos.
Assenti.
A peça saiu devagar, arrastando pela pele sensível. Fiquei nua na frente de um homem pela primeira vez na vida. Achei que ia me encolher, mas o jeito que ele me olhou não tinha nada de crítica. Tinha admiração.
Com cuidado, ele abriu minhas pernas, ajoelhou-se entre elas e abaixou o rosto.
Quando a língua dele me tocou, eu perdi o ar.
Foi um choque quente, direto no centro de tudo. Meu quadril subiu sozinho. Ele segurou minhas coxas, me mantendo no lugar, e continuou. Beijos, lambidas, pequenos círculos, aumentando e diminuindo o ritmo até eu não saber mais meu nome.
— Andrew… — gemi.
— Vai, ruivinha. — A voz dele veio rouca. — Deixa acontecer.
Deixei. O orgasmo estourou forte, subindo pela barriga, pelo peito, pelo pescoço. Tremi inteira, agarrando o lençol. Quando o mundo voltou pro lugar, eu estava ofegante, com lágrimas nos olhos.
Ele subiu, beijando meu corpo pelo caminho, até encostar a boca na minha.
— Tudo bem? — perguntou, a testa colada na minha.
— Melhor do que eu achei que podia ser um dia — respondi, ainda tonta pelo êxtase do momento.
Ele respirou fundo.
— Ruby… eu quero você inteira. Mas só se você quiser. Eu não preciso ir além hoje.
Podia parar ali. Já era mais intimidade do que qualquer coisa que eu tinha vivido. Mas, precisava daquele momento, eu não queria guardar nada pra depois.
— Eu quero — falei. — Quero que seja hoje. Quero que seja com você.
Os olhos dele brilharam. Tirou a cueca, o tempo todo olhando nos meus olhos, senti meu corpo reagir àquele olhar. Se posicionou entre minhas pernas, apoiando o peso num braço ao lado da minha cabeça.
A ponta dele encostou em mim e meu corpo travou.
— Relaxa, ruivinha, só relaxa — pediu, calmo.
Inspirei fundo, soltei devagar. Ele começou a entrar, aos poucos. A dor veio como um rasgo fino, uma pressão forte. Apertei os olhos, mas não o empurrei. Ele parou.
— Se doer demais, eu paro.
— Continua… — sussurrei. — Eu aguento.
Ele beijou minha boca, meu rosto, esperou alguns segundos, entrou mais um pouco. Aos poucos, a dor foi mudando, virando um incômodo quente. Mexi o quadril de leve, procurando mais.
— Assim? — perguntei, corando.
Ele soltou um gemido baixo.
— Assim eu perco a cabeça. — ele rosnou.
Começou a se mover, devagar, ritmado. Os primeiros movimentos ainda ardiam, mas logo a dor recuou. Ficou só a sensação de estar cheia, preenchida de um jeito novo. A mão dele apertava a minha, a outra firmava minha cintura.
O som das ondas entrava pela janela, misturado aos nossos gemidos. Quando o prazer subiu de novo, veio como uma onda alta. Tremi inteira, chamando o nome dele, sentindo meu corpo contrair em volta dele.
Andrew se deixou ir logo depois, a testa colada na minha, sussurrando meu nome como se fosse algo inevitável.
Depois ele saiu devagar, me puxou pro peito.
— Você é a melhor decisão da minha vida — sussurrou.
Apoiei o rosto no peito dele, ouvindo o coração ainda acelerado.
— E você é a primeira casa que eu escolhi entrar e ficar — respondi, antes que a vergonha falasse mais alto.
Adormeci ali, acreditando nisso por uma noite.
O problema é que o sonho não respeitou minha escolha.
No sonho, eu abria os olhos e ainda estava na mesma cama, o mesmo barulho do mar, a mesma lua entrando pela janela. Só que, quando eu virava o rosto, não era Andrew ao meu lado. Era Ethan.
Camisa preta aberta, olhos cinza escuros, respiração pesada. Ele subia em cima de mim com a mesma facilidade com que sempre entrou e saiu da minha vida.
— Finalmente minha — rosnava, prendendo meus pulsos na cabeceira.
Me beijava com fome, língua dominando a minha, corpo pesado me esmagando. Descia pelo meu pescoço, mordia meu ombro, marcava minha pele. Entrava em mim com força, sem pausa, como se quisesse arrancar o nome de qualquer outro homem de dentro de mim.
No sonho, eu não resistia.
Meu corpo pedia mais, pedia tudo. Eu gozava gritando o nome dele, não o de Andrew. A sensação era tão real que acordei com um tranco, o coração disparado, o corpo inteiro tremendo.
O quarto estava escuro, só um fio de luz prateada atravessando a cortina. Andrew dormia ao meu lado, respirando fundo, tranquilo, completamente alheio ao inferno que tinha acabado de passar pela minha cabeça.
Levei a mão à boca, com vergonha de mim mesma.
Eu tinha acabado de dar a primeira vez da minha vida pro homem que me respeitou desde o começo. E, mesmo assim, no fundo da minha mente, ainda era o homem que me ignorou por dois anos que meu corpo insistia em buscar.
Me encolhi, encostando o corpo em Andrew, como se o abraço dele pudesse empurrar o fantasma de olhos cinza pra bem longe.
Naquela cama, eu entendi u
ma coisa, meu corpo podia até trair. Mas minhas escolhas, acordada, iam ter que ser outras. Mesmo que doesse.
