Capítulo 15 Capítulo 15

Andrew

Eu acordei antes dela.

O que não era novidade, mas daquela vez parecia diferente. Eu não estava só acordado, eu estava… atento. Cada respiração dela, cada mexida leve no lençol, cada fio de cabelo ruivo espalhado no meu travesseiro.

Ruby dormia deitada de lado, virada pra mim, a boca ligeiramente aberta, o rosto relaxado. Tinha um roxo bem discreto na pele clara do pescoço, marca da noite anterior. Minha marca.

Meu peito apertou.

Eu passei a mão devagar pelo cabelo dela, afastando uma mecha da bochecha. Ela franziu o nariz, murmurou alguma coisa que eu não entendi e se encolheu um pouquinho, puxando o lençol.

— Bom dia, ruivinha — sussurrei, encostando a boca na testa dela.

Nada. Só um suspiro mais fundo.

Eu podia ter deixado ela dormir. Devia, talvez. Mas meu corpo gritava outra coisa. Depois de tanto tempo só imaginando, eu tinha conhecido o gosto completo dela na noite anterior. E agora não queria mais esquecer.

Então comecei devagar.

Beijei de novo a testa. Depois a ponta do nariz. A bochecha. O canto da boca. Descendo pra linha do maxilar, pro pescoço, sentindo o perfume da pele dela misturado com o meu cheiro, com o sal do mar que tinha ficado no cabelo.

Ela se mexeu de novo, a voz rouca e sonolenta.

— Andrew…

— Hum? — fingi inocência, a boca já na clavícula. — Só te dando bom dia.

Deslizei os lábios pelo ombro dela, bem devagar, até sentir o corpo inteiro se arrepiar sob a minha mão. Apoiei a palma aberta na cintura dela por cima do lençol e cheguei ainda mais perto, colando o meu peito nas costas dela.

— Isso não é bom dia, é provocação — ela reclamou, mas o tom estava mais para riso do que para bronca.

Mordi de leve a pele ali, perto do ombro.

— Não lembro de você reclamar ontem à noite.

Ela riu baixa, aquele riso que eu já tinha decidido que ia proteger com a minha vida.

— Eu não tinha forças nem pra falar ontem à noite.

— Ótimo sinal — comentei, satisfeito.

Deixei a mão passear pela cintura dela, pelos quadris, pelos contornos que eu já tinha decorado com os dedos e com a boca. A cada centímetro, ela ia acordando mais, o corpo respondendo antes dela abrir completamente os olhos.

— Andrew… — dessa vez foi um aviso.

— Se você disser pra parar, eu paro — sussurrei, sério, a boca encostada na nuca dela. — Mas vou ficar de mau humor o dia inteiro.

Ela virou devagar até ficar de frente pra mim. Os olhos ainda meio inchados de sono, o cabelo bagunçado, a boca marcada. Nunca vi nada tão bonito.

— Você não cansa? — ela perguntou, apoiando a mão no meu peito.

— De você? — sorri de lado. — Não cheguei nem perto.

Ficamos nos encarando por alguns segundos. A brisa da ilha entrando pela janela aberta, o barulho distante das ondas, o cheiro de café vindo da cozinha lá embaixo. Tudo parecia… certo.

— Tudo bem — ela sussurrou, por fim. — Mas de novo você precisa ir devagar.

— Eu lembro da minha primeira vez — respondi, tentando deixar leve, mas a verdade é que meu peito encheu de orgulho e carinho quando pensei na noite anterior. — Mas a sua, essa eu nunca vou esquecer.

Ela ficou corada. Eu me inclinei e beijei a boca dela, primeiro suave, depois mais firme, sentindo quando o corpo dela relaxou contra o meu, quando os dedos se fecharam na minha nuca puxando pra mais perto.

O resto veio naturalmente.

Nossas mãos já sabiam o caminho, nossas bocas também. Não era mais aquela mistura de nervosismo e descoberta da primeira noite. Era familiar, íntimo. Ela confiava em mim. Se abria pra mim sem medo. E isso me deixava completamente viciado.

Em algum momento, já misturado de novo com o corpo dela, eu falei contra o pescoço dela:

— Sabe que assim você corre o risco real de sair daqui grávida?

Ela riu, arfando.

— Está no contrato, lembra? Você quer um herdeiro.

— Quero — admiti, sem filtro. — Mas quero porque é com você.

Ela me puxou pelo rosto, me obrigando a encarar o olhar dela.

— Eu sei no que entrei, Andrew. Não tô assustada. Não com isso.

Eu quis dizer que, se ela quisesse mudar tudo, jogar o contrato pela janela e só ficar comigo, ainda assim eu ia achar um jeito de fazer o mundo funcionar. Mas não falei. Ainda não.

Em vez disso, a única coisa que fiz foi me perder nela de novo, ouvindo seu nome sair da minha boca como uma promessa.

Duas semanas.

Quatorze dias em que eu esqueci como era ouvir o som constante do trânsito de Londres, o toque insistente do meu celular, as notificações intermináveis de e-mails.

Aqui tinha só o mar, o vento, o riso dela. E o barulho dela gemendo meu nome na minha cama. Não vou fingir que não era a melhor trilha sonora.

Na primeira manhã em que ela decidiu andar descalça pela cozinha, quase matei o cozinheiro do coração.

— Senhor Sinclair, se ela escorregar… — ele começou, nervoso.

— Ela não vai escorregar — respondi, encostado no batente, os braços cruzados, observando Ruby pegar uma manga da fruteira. — E, se escorregar, eu seguro.

Ela olhou por cima do ombro, a boca manchada de suco amarelo.

— Eu tô bem, relaxa. — deu um sorriso pro cozinheiro. — Passei anos pisando em chão de mármore frio. Acho que mereço um pouco de madeira quente.

Eu ri. Ele corou, murmurou algo sobre preparar o café e sumiu.

Ruby parecia outra pessoa. A mesma ruiva que chegou aqui com os ombros tensos, o olhar sempre na defensiva, agora corria pra água como criança, mergulhava sem medo, voltava pro meu colo com o biquíni grudado no corpo e os olhos brilhando.

Na cachoeira termal, ela encostava a cabeça na pedra e fechava os olhos, deixando a água cair nas costas.

— Se eu morrer agora, morro feliz — falou em um desses dias.

Eu, em pé na frente dela dentro d’água, puxei o queixo dela pra cima.

— Nem brinca com isso, ruivinha.

— É só um jeito de dizer que tá bom — ela explicou, rindo. — Eu nunca tive nada assim, Andrew. Nem de perto.

— Vai ter por muito tempo — respondi, sério.

Ela me encarou em silêncio por alguns segundos.

— Você fala como se… — começou, mas parou.

— Como se? — incentivei.

— Como se não fosse só um contrato.

Eu podia ter desconversado. Jogado uma piada, mudado de assunto. Mas a verdade é que olhar pra ela ali, tão leve, me desmontava.

— Talvez eu esteja descumprindo algumas cláusulas internas aqui dentro — levantei a mão e bati de leve no próprio peito. — Mas prometo revisar o contrato com calma depois.

Ela riu, jogou água em mim. E eu cheguei mais perto, lento, quando ela menos esperou o beijo veio. Essa lua de mel está perfeita.

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