Capítulo 20 Capítulo 20

Astrid

Eu sempre soube que no dia em que Ethan Storm me virasse as costas, não seria por falta de desejo.

E sim por outra mulher.

E essa mulher tinha nome: Ruby. A ruivinha sonsa. A ingênua que ninguém dava nada e que agora vivia andando em tapetes persas como se tivesse nascido pra isso.

Ele me expulsou da mansão como se eu fosse lixo. E sabe o que é o mais irônico? Eu fiz tudo por ele. Tudo. Por amor. Por lealdade. Por vício.

Então, quando a porta bateu na minha cara e ouvi o tranco da fechadura, jurei uma coisa. Eu não vou perder. Nem pra ela. Nem pra ele.

E se Ethan acha que pode virar as costas e seguir em frente, vai aprender da forma mais dolorosa que eu sempre volto. Sempre.

Passei os dias seguintes observando. Lendo notícias. Seguindo cada passo do tal Andrew Sinclair, o novo marido, o bilionário, o príncipe de vidro. Ele parecia perfeito demais, polido demais, correto demais.

Homens assim têm rachaduras. E eu sei exatamente onde bater.

A primeira vez que o encontrei foi numa reunião discreta no centro financeiro. Um daqueles eventos onde todo mundo usa terno caro e fala baixo como se o mundo fosse acabar se levantassem um tom.

Eu estava impecável. Vestido cinza que me deixava com aparência de Ceo, salto fino, coque alto. Ele saiu do elevador e eu caminhei até ele com um sorriso ensaiado no espelho por quinze minutos.

— Senhor Sinclair, é um prazer finalmente conhecê-lo.

Ele me analisou com aquela calma irritante de gente rica.

— Já ouvi falar de você.

Claro que ouviu. Eu era assunto no submundo inteiro. O braço direito de um mafioso. E a mulher que Ethan “amava” antes de destruir tudo.

Eu segurei a mão dele por um segundo a mais do que o necessário.

— Espero que coisas boas. — falei, rindo daquele jeito que sempre funciona. — Eu gosto de deixar boas impressões.

— Boas impressões sempre são úteis. — ele respondeu, profissional.

Traduzindo: não confio em você, mas sou educado demais para dizer isso. Ele se afastou, mas eu já tinha o que queria. Atenção. E acesso.

Nos dias seguintes, comecei a aparecer mais nos ambientes da Sinclair Tech. Sempre sorrindo, sempre elegante, sempre com um propósito invisível.

Nos eventos, eu fazia perguntas inteligentes. No saguão, elogiava projetos antigos da empresa. Nos corredores, deixava soltas frases como:

— “Ah, a nova senhora Sinclair é uma mulher tão… intrigante.”

— “Imagino que o senhor esteja feliz.”

— “A imprensa adora um casal bonito.”

Ele sempre respondia com profissionalismo, mas eu via. No olhar. No jeito que os ombros dele ficavam tensos. A insegurança começava a nascer. E onde existe insegurança, existe abertura.

De Ruby, por outro lado… eu só ouvia comentários doces.

— “Ela é tão gentil.”

— “Tão educada.”

— “Tão apaixonada pelo marido.”

Patético.

Então eu comecei a agir. Primeiro, enviei flores para a mansão:

— “Para a mais bela mulher de Londres, um admirador secreto.”

Depois comecei a ligar para o telefone fixo. Duas da manhã. Três. Quatro. Não falava nada. Só respirava. Até ouvir ela ficar tensa. Desligar. Trancar portas.

Depois, mandei fotos antigas dela com Ethan para pequenos blogs. Nada óbvio. Nenhum escândalo direto. Só o suficiente para fazer o público pensar.

— “Senhora Sinclair vivendo romance proibido com ex-marido?”

— “Casamento recente tem fantasmas do passado?”

O caos não começa com uma explosão. Começa com um sussurro. Eu era o sussurro.

À noite, liguei para Ethan. Ele atendeu com aquela voz irritantemente fria.

— Está difícil te encontrar.

— “Eu não quero te encontrar, Astrid.”

Senti o golpe, mas não mostrei. Eu nunca mostro.

— Claro que quer. Você só está tentando provar que pode viver sem mim.

Ele não negou, mas também não confirmou. Eu sorri.

— Me diz uma coisa… se a sua ex for destruída, você vai correr pra consolá-la?

Ele suspirou, irritado.

— “Do que você está falando?”

— Homens como você não resistem a mulheres quebradas. — falei, cruzando as pernas no sofá. — E ela logo vai estar assim. Mas talvez não fique no país. E aí você só terá a mim.

— “Você continua louca.”

— E você continua me desejando. — respondi, tranquila. — Quando ela te fizer de idiota de novo, adivinha pra onde vai voltar? Para os meus braços, Ethan.

Ele desligou. Eu ri. Ele podia fingir. Podia xingar. Podia lutar. Mas a verdade é simples, homens como Ethan não se apaixonam. Eles se viciam. E vícios não desaparecem, são substituídos.

Eu não precisava que ele me amasse. Só precisava destruir o amor dele por ela.

No dia seguinte, continuei meu trabalho. Enviei presentes anônimos. Caixas abertas propositalmente na portaria. Perfumes masculinos jogados na entrada. Mensagens curtas no celular dela:

— “Eu sei onde você está.”

— “Ele não te merece, eu mereço.”

— “Você ainda pensa em mim.”

À noite, sentei na cama, com o laptop no colo. Pesquisei cada movimento deles. Cada foto nova na imprensa. Cada sorriso da ruiva sonsa.

E meu sangue fervia.

— Você vai cair, Ruby… — sussurrei para mim mesma. — Mas vai cair devagar. E quando bater no chão, vai estar sozinha.

A janela refletiu meu sorriso. Frio. Perfeito. Horrível.

— E quando você sumir deste país… — murmurei, colocando mais fotos para programar o envio automático. — Ethan vai voltar pra mim. Ele sempre volta.

E se não voltar… eu faço ele voltar.

No fim da noite, recebi uma mensagem nova. Número desconhecido.

— “Você está mexendo com gente errada, Astrid.”

Sorri.

— Quem disse que eu me importo?

Bloqu

eei. Apaguei. E continuei.

Porque nessa guerra, só duas pessoas podem vencer: Eu, ou ela.

E eu já decidi.

Eu não perco.

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