Capítulo 23 Capítulo 23

Ruby

Três meses depois do início da lua de mel, eu ainda me sinto como se estivesse vivendo dentro dela. Não importa se estamos em casa, no escritório do Andrew, no restaurante favorito dele ou apenas caminhando pela rua… ele sempre dá um jeito de transformar tudo em algo leve, íntimo, romântico.

Mas meu corpo começou a me trair. O enjoo voltou, a tontura também. Às vezes o cheiro do café me embrulha o estômago. Outras vezes, sinto como se o mundo girasse um pouco rápido demais.

E eu sei o que é. Só não quero dizer em voz alta. Ainda não.

Quero aproveitar mais um pouco esse silêncio doce antes que tudo vire correria, exames, consultas, cuidados extremos, expectativa. Quero viver com Andrew sem medo, sem peso, sem o plano do herdeiro sendo uma sombra entre nós.

Então decidi esconder. Só até a metade do terceiro mês. Só até eu ter coragem de dizer.

Quando descubro que Astrid está se infiltrando no mundo de negócios de Andrew, meu estômago trava. Aquela mulher nunca traz nada além de caos, e ela me odeia por ocupar um lugar que sempre desejou na vida de Ethan, mas eu não quero esse lugar na vida dele.

Eu volto a ficar alerta. Volto a me sentir observada. E é aí que começam os olhares estranhos, flashes repentinos, câmeras escondidas, manchetes estúpidas.

Andrew me chama até o escritório dele quando uma notícia explode na internet. Ele está sentado no sofá, o tablet na mão, e me observa com aquele olhar protetor que me desmonta.

— Amor… acho melhor você ver isso.

Eu me aproximo relutante, já sentindo o coração acelerar. Ele vira a tela pra mim. A manchete grita em letras enormes, parecida com a última que vi:

— “Ex-esposa do mafioso Ethan Storm reaparece casada com bilionário. Ela gosta de homens poderosos… só mais uma bonequinha de luxo.”

Minha respiração falha.

— Não… — sussurro, com a garganta ardendo. — Não de novo.

Andrew me puxa para o peito dele imediatamente, como se pudesse me proteger até de pixels.

— Ruby, olha pra mim. — Ele segura meu rosto com as duas mãos. — Ignore isso. A imprensa se alimenta de escândalo. Eles querem cliques, não verdade. E eu já pedi ao jurídico para resolver isso.

— E se for mais que isso? — pergunto, minha voz falha. — E se for ele?

Andrew franze o cenho.

— Você está com medo dele?

Eu fecho os olhos. Por um segundo, volto para aquele corredor da galeria de arte, para o beijo forçado, para a forma como meu corpo tremeu mesmo implorando para não reagir. Para a ameaça silenciosa que é o Storm.

— Estou. — admito, abrindo os olhos. — Porque ele nunca aceita perder. Isso eu posso te afirmar.

Andrew me abraça ainda mais forte, como se pudesse me quebrar se afrouxasse.

— Você não vai perder nada, Ruby. Está me ouvindo? Nada. Eu não vou deixar.

Ele fala tão firme que por um momento eu quase acredito.

À noite, acordo com a respiração acelerada. O quarto está mudo, mas meu coração está batendo como se estivesse fugindo de algo.

O sonho foi uma mistura de lembrança e tormento. O beijo dele. A parede fria nas minhas costas. O jeito que ele me segurou. A confusão nauseante de desejar e odiar ao mesmo tempo.

Eu me levanto devagar, tentando não acordar Andrew. Caminho até a varanda. O ar da noite bate no meu rosto, mas não alivia nada.

Eu apoio as mãos no parapeito e inspiro fundo. Quero respirar. Quero esquecer. Quero apagar o homem que insiste em aparecer até nos meus sonhos.

É quando o meu celular vibra. Olho a tela. Número desconhecido. Por um segundo, penso em ignorar. Mas uma voz dentro de mim diz que não é alguém qualquer. Eu abro a mensagem. Uma única frase:

— “Sentiu minha falta, ruiva?”

Meu corpo inteiro congela. Ele trocou de número. De novo. O enjoo que vinha atormentando minhas manhãs agora sobe pela garganta com violência.

Eu aperto o botão de apagar antes mesmo de pensar. Mas não adianta. A sensação de que ele está sempre a um passo atrás de mim volta a queimar como antes.

Volto para o quarto devagar. Andrew está dormindo de lado, o braço estendido como se tivesse deixado um espaço para mim ali. E eu quero esse espaço. Quero me esconder nele. Quero que ele seja suficiente para calar o meu passado.

Eu deslizo para o colchão e deito a cabeça no colo dele. Ele acorda imediatamente, como se tivesse sentido o meu medo mesmo dormindo.

— Amor… — sussurra, passando a mão nos meus cabelos. — O que houve?

Eu fecho os olhos, prendo a respiração por três segundos para evitar desabar.

— Nada. — minto. — Acho que… só tive um pesadelo.

Ele acaricia minhas costas com calma, aquele carinho que me faz sentir que o mundo é um lugar menos cruel.

— Está tudo bem, meu amor? — ele pergunta, com uma preocupação tão pura que machuca.

Eu respiro fundo. Queria contar sobre a mensagem. Queria que ele me ajudasse a enfrentar o Storm. Queria dividir o peso. Mas se Ethan descobrisse sobre o bebê… não. Não posso arriscar.

Por isso apenas sussurro:

— Está. Desde que você não me deixe sozinha.

Andrew aperta minha mão e beija o topo da minha cabeça.

— Eu nunca vou te deixar. Nem por um segundo.

E eu quero acreditar. Eu realmente quero. Mas enquanto fecho os olhos, algo dentro de mim sabe que Ethan Storm não vai parar. Sabe que Astrid não vai desistir. Sabe que minha paz está com prazo contado.

E pior… sabe que meu coração não está tão limpo quanto eu queria.

Quando Andrew percebe que meu corpo ainda treme, ele desliza a mão pelo meu braço, devagar, como se pedisse permissão em cada centímetro. Eu não digo nada… mas também não me afasto. Só quero sentir algo bom para apagar o resto.

— Vem cá… — ele sussurra.

Ele me guia até ficar sentada em seu colo, de frente para ele. Seu olhar é tão cheio de ternura que me desmonta um pouco mais.

— Eu tô aqui, Ruby. — diz baixinho. — Com você. Por você.

O toque dele é quente, firme, seguro. Ele passa o polegar pela minha bochecha e depois pela linha dos meus lábios, como se quisesse ter certeza de que eu estou realmente ali e não desmoronando.

Quando ele me beija, é diferente de tudo que me assombra. É doce. É paciente. É amor.

Eu agarro a camisa dele e puxo mais forte, buscando esse calor, esse conforto, esse homem que me trata como se eu valesse o mundo inteiro. Andrew entende o que eu preciso antes mesmo que eu consiga dizer.

— Deita aqui… — ele pede, deslizando a mão pela minha cintura.

Eu me deito devagar, e ele se inclina sobre mim, beijando meu pescoço com uma delicadeza que faz meu peito apertar.

— Me diz se quiser parar. — ele sussurra contra minha pele.

— Não quero. — respondo quase sem voz.

Ele sorri contra meu pescoço e me beija mais fundo. Suas mãos percorrem meu corpo com carinho, sem pressa, como se estivesse memorizando tudo de novo. Cada beijo é uma tortura gostosa, cada toque uma declaração que ele nunca diz em voz alta, mas entrega com o corpo.

Quando ele me penetra, é lento, íntimo, como se dissesse sem palavras: “Eu cuido de você.”

Eu o abraço forte, os dedos afundando nos ombros dele enquanto nossos corpos encontram o ritmo certo. Não é pressa, não é fome. É amor. É refúgio.

Ele beija minha boca enquanto os movimentos se tornam mais profundos, mais sincronizados, mais nossos. Minha respiração falha e a dele acompanha, pesada, quente, urgente na mesma medida que cuidadosa.

— Ruby… — ele rosna, ofegante. — Você é tudo. Tudo pra mim.

Eu deslizo a mão pelo rosto dele, sentindo a barba r

oçar meus dedos.

— Fica comigo… assim. — sussurro. — Só fica.

E ele fica. Até o fim. Até o amor nos envolver por inteiro.

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