Capítulo 33 Capítulo 33

Andrew

O dia começou errado. Eu acordei com o barulho insistente do celular vibrando sobre a mesa de cabeceira. Mensagens, ligações, notificações da empresa, jornalistas tentando contato. Ruby dormia ao meu lado, o rosto cansado, os lábios pressionados como se até em sonho ela estivesse lutando contra o mundo.

Eu quis deixar tudo quieto para que ela descansasse, mas quando abri o tablet e vi a manchete espalhada por todos os portais, senti meu estômago virar.

— “Nova esposa do bilionário era mulher de um homem perigoso.”

A foto saltava da tela, Ruby ao lado de Ethan Storm. E o pior, não era montagem. Eram fotos antigas, mas ainda assim… reais.

Respirei fundo, tentando controlar a raiva, e entrei no quarto. Ruby acordou antes mesmo de eu abrir a porta já que a vi com o seu celular na mão. Ela esfregou os olhos devagar, até que viu meu rosto. Eu sabia que ela percebeu imediatamente que algo estava errado.

Ruby soluçou, apertando minha camisa nos dedos depois da breve conversa que tivemos. Eu não sabia que alguém podia tremer tanto assim.

Fomos para a empresa, mas o dia não foi fácil. À noite decidi que precisava fazer algo. Quando ela parecia mais calma, deixei que descansasse. Mas eu não consegui ficar parado.

Desci as escadas com uma raiva silenciosa fervendo dentro de mim. No escritório, minha equipe jurídica e de comunicação já me esperava com expressões tensas.

— Quero que encontrem a origem dessa matéria. — ordenei, sem sentar.

Um dos analistas respirou fundo antes de falar:

— Já rastreamos, senhor. O contato veio de um IP mascarado, mas o domínio pertence a uma agência de divulgação… ligada a Astrid Laurent.

Meu maxilar endureceu.

— Então é ela. — falei. — Ótimo. Eu já esperava.

Ninguém disse nada. Eles sabiam que quando minha voz ficava calma desse jeito, era porque algo muito ruim estava prestes a acontecer.

Eu poderia ter mandado advogados, mas não. Certas coisas um homem resolve olhando nos olhos do inimigo.

Entrei na redação da revista sem ser anunciado. As pessoas pararam, assustadas. Meu nome circulava na imprensa com frequência, mas rara vez de um jeito que envolvia escândalos. E, acima de tudo, eu tinha fama de ser controlado. Hoje, eu não estava controlado.

— Quem autorizou a publicação dessa matéria? — perguntei, olhando diretamente para o editor-chefe.

O homem engoliu seco.

— Senhor Sinclair, nós…

— Não me interessa. Retirem tudo do ar agora. E preparem-se para um processo de difamação tão grande que vocês vão preferir nunca ter existido.

Ele levantou as mãos, nervoso.

— Senhor Sinclair, nós já estamos fazendo isso a pedido do senhor Storm. Inclusive, estamos escrevendo uma retratação formal para a senhora Sinclair.

Minha respiração travou. Storm. Ele agiu antes de mim.

Meu sangue ferveu por dentro, não pelo gesto… mas pelo que significava. Ethan achava que tinha algum direito sobre a minha esposa. Eu precisava falar com ele.

Usei um contato em comum, alguém que devia favores tanto a mim quanto a ele, para marcar um encontro discreto num bar luxuoso, na área VIP isolada.

Ethan chegou antes. Estava sentado, bebendo uísque como se não tivesse derrubado metade da minha paz nas últimas semanas. Ele sorriu quando me viu. O tipo de sorriso que provoca briga.

— Sinclair. — disse, cruzando as pernas com calma. — Estava esperando por você.

Sentado ou não, o ar ao redor dele sempre parecia perigoso. Eu me aproximei devagar e sentei de frente para ele.

— Eu não quero você defendendo a minha esposa. — declarei sem rodeios. — Ela não precisa de você. Ela tem a mim.

Ele riu de canto, girando o copo na mão.

— Ela não deixou de ser minha. — respondeu. — E logo eu vou pegá-la de volta.

Eu me inclinei para frente, encarando diretamente os olhos cinzas dele.

— Aceita que perdeu. — falei, firme. — Você perdeu no momento em que decidiu jogar sujo. No momento em que escolheu ser um babaca. Agora aceita, Storm. Ruby é minha esposa. E é comigo que ela quer estar.

A expressão dele mudou. Ficou mais fria. Mais intensa.

— Atira no meio do meu peito. Ou na minha testa. — ele disse lentamente. — Só assim vai conseguir me parar. Do contrário… eu vou continuar lembrando ela da minha existência.

A mesa parecia pequena demais para a dimensão da tensão entre nós. Eu respirei fundo. Se eu deixasse a raiva mandar, aquela conversa acabaria com sangue no chão. Então me levantei.

— Se você chegar perto dela de novo, eu acabo com tudo o que você construiu. — avisei. — Você pode ser perigoso, mas eu sou mais inteligente. E mais paciente.

Ele apenas sorriu.

— É isso o que me diverte em você, Sinclair. Você acha que pode disputar com alguém como eu.

— Não estou disputando. — respondi. — Estou avisando.

Saí antes que perdesse completamente o controle. Ethan não me seguiu. Ele apenas observou como se estivesse elaborando o próximo movimento. E eu sabia que viria. Sempre vinha.

Quando voltei para casa, tudo que eu queria era ver Ruby. Saber como ela estava. Sentir que ela ainda era minha, apesar de toda aquela sujeira que jogaram sobre ela.

Encontrei ela no quarto, deitada de lado, olhando para a janela. Parecia exausta demais para chorar.

Deitei ao lado dela, aproximando devagar. Toquei a mão dela. Ruby virou o rosto para mim, os olhos vermelhos.

— Eu prometo que ninguém mais vai te ferir. — falei.

Ela fechou os olhos como se agarrasse aquela promessa com todas as forças que ainda tinha.

Eu queria acreditar que minhas promessas bastavam. Mas enquanto a abraçava, senti meu coração sendo preenchido por algo frio, calculado, necessário.

Ruby dormiu devagar, a respiração se acalmando. Eu fiquei acordado, observando o teto. Eles cruzaram uma linha. Ethan. Astrid. A imprensa. E se queriam guerra…

— “Vou lidar com eles à minha maneira.” — pensei, apertando a mão dela. — “Nem que eu tenha que descer até o inferno.”

Levantei devagar para não acordá-la e caminhei até o escritório. Peguei o celular.

— Preciso de informações sobre Astrid Laurent. — disse, quando atenderam. — Tudo. Quero nome de quem trabalha pra ela, contatos, financiadores, escândalos, segredos. E…

Parei por um instante.

— …se o nome Storm aparecer no meio, eu quero saber. Quero todos os detalhes.

Encerrei a ligação. E pela primeira vez desde que conheci Ruby… percebi que estava disposto a tudo. Absolutamente tudo. Para protegê-la. Para manter Ethan longe dela. Para destruir quem tentasse machucá-la.

Eu abro a porta do

quarto e fico olhando para onde Ruby dorme. E eu finalmente entendo que amor e guerra não são tão diferentes.

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