Capítulo 35 Capítulo 35

Andrew

Eu sempre fui um homem de lógica. De números. De previsões. De planejamento. Mas nada, absolutamente nada, me preparou para a sensação de ver minha esposa sendo rasgada em público por causa de alguém que decidiu brincar com o nosso nome.

Desde o escândalo, eu não durmo direito. Ruby tenta parecer forte, mas eu vejo. Eu vejo quando ela desvia o olhar. Quando segura o estômago tentando disfarçar o receio.

Quando finge que não percebe as câmeras escondidas nos carros parados em frente à mansão. E é por isso que, nesses últimos dias, meu escritório virou um campo de batalha discreto.

— Senhor Sinclair, já cruzamos metade dos dados que pediu. — meu assessor diz.

— Ótimo. — respondo, sem levantar os olhos do documento. — Quero tudo. Cada registro, cada ligação, cada transação feita pela Astrid Laurent nos últimos quatro meses.

Ele engole seco.

— Isso pode gerar reação, senhor.

Fecho a pasta devagar e o encaro.

— Então se preparem pra guerra.

Ele sai. Eu fico ali, sentado, sentindo a raiva pulsar sob minha pele de um jeito que não senti nem quando assumi a empresa do meu pai. Minha esposa foi exposta. Humilhada. Machucada psicologicamente. E eu não admito isso. Nunca irei admitir.

O relatório chega no final do dia. Um envelope selado, grosso, pesado, entregue diretamente nas minhas mãos. Abro. Leio. Releio. Um detalhe prende minha atenção.

A matéria publicada sobre Ruby foi paga em dinheiro vivo, sem registro. Mas o pacote veio de uma conta vinculada à empresa de Astrid. Fecho o relatório com força.

— Eu já sei de onde veio o veneno… — digo baixo, respirando fundo. — Agora eu vou expurgar ela dessa cidade.

Levanto, pego o telefone e ligo para meu assistente pessoal.

— Marque um jantar hoje. — ordeno.

— “Para quantas pessoas, senhor?”

— Uma convidada. Astrid Laurent.

— “Ela pode acabar descobrindo sua intenção, senhor.”

— É proposital.

O restaurante é caro. Sofisticado. E, principalmente, público, propositalmente público. Quero que todos vejam o que vai acontecer hoje se necessário.

Chego vinte minutos antes e escolho a mesa mais iluminada, onde qualquer expressão será vista de longe.

Peço um whisky, mas não bebo. Não posso estar com a mente embaçada. Hoje eu não sou Andrew Sinclair, o empresário. Sou Andrew Sinclair, o marido.

Quando ela entra, todos percebem. Astrid Laurent nunca passa despercebida. Vestido preto justo, blazer branco, salto alto, perfume forte. O tipo de mulher que aprendeu a transformar a própria presença em arma. Ela chega até mim com um sorriso perigoso.

— Senhor Sinclair… que prazer inesperado. — diz, puxando a cadeira como se estivesse prestes a encenar um espetáculo.

— Não. — respondo, firme. — Isso não é um encontro. Isso é um aviso.

Ela ergue uma sobrancelha.

— Um homem ameaçando uma mulher em público? Cuidado com o que fala. Vão achar que você perdeu o controle.

— Eu não preciso ameaçar, Astrid. — respondo, inclinando-me levemente. — Só preciso dizer o seu nome nos lugares certos.

Ela ri. Um riso que eu reconheço, quem não acredita que possa perder.

— Andrew, você realmente acha que consegue calar alguém como eu?

— Não. — digo, com calma. — Mas posso fazer você desejar nunca ter me conhecido.

Ela cruza as pernas devagar, observa o restaurante ao redor e volta o olhar para mim.

— Você é perigoso quando está calmo assim. Quase gosto disso.

Engulo o veneno que ela espera que eu cuspa de volta.

— Você atacou minha mulher. — afirmo. — E isso tem consequências.

— Sua esposa é fraca. Qualquer um vê isso. — Astrid responde, mexendo no guardanapo. — Se eu quiser derrubar ela de novo, derrubo.

Meu sangue ferve, mas não deixo ela ver.

— Falou demais. — digo, com um sorriso vazio. — Já que gosta tanto de caos, espero que esteja pronta para o seu.

Ela se inclina sobre a mesa, como se fosse contar um segredo.

— A diferença entre nós, Andrew… é que eu nasci no caos. — sussurra. — E você… está aprendendo agora o que é perder o controle.

Eu aperto o copo com tanta força que sinto o vidro ranger. Ela se levanta como se nada tivesse acontecido.

— Foi um jantar adorável. — diz, ajeitando o cabelo. — Mas preciso ir. Tenho… outras destruições para planejar.

Antes de dar as costas, ela sorri, aquele sorriso de quem se acha intocável.

— Até logo, senhor Sinclair. Divirta-se vendo o que o seu casamento vai virar.

Ela vai embora. E eu fico sentado, respirando fundo, tentando manter minha raiva dentro da pele. Mas dentro da minha cabeça, a decisão já está tomada. Eu ligo para um dos meus contatos mais antigos.

— Preciso de informações sobre Astrid Laurent. Tudo o que puder encontrar que esteja embaixo do tapete.

— “Certo. Mais alguma coisa?”

— Sim. Se o nome Storm aparecer no meio… quero saber. Cada detalhe.

Desligo. A luz do restaurante reflete meu rosto no copo. Eu mal reconheço o homem que vejo ali. Eu tenho limites. Astrid ultrapassou todos eles.

E Ethan Storm… se ele estiver envolvido, vai descobrir que não é só mafioso que sabe descer até o inferno.

Quando decidimos ir para o chalé da minha família, tudo que eu queria era tirar Ruby daquele caos. O lugar fica escondido entre árvores enormes, com um lago tão claro que dá pra ver o fundo mesmo ao anoitecer. Assim que chegamos, ela parou na varanda, olhando a paisagem como se estivesse vendo paz pela primeira vez em dias.

— Você me trouxe aqui para esquecer o mundo? — ela perguntou baixinho. — Porque está conseguindo.

— Trouxe porque eu fico em pedaços quando você sofre — respondi, chegando atrás dela e envolvendo sua cintura.

Ela se virou lentamente, os olhos cansados, mas brilhando para mim como sempre. Eu a puxei pela nuca e a beijei devagar, um beijo que começou calmo, mas foi crescendo até me incendiar inteiro.

Entrei com ela na cabana, deixando as luzes baixas acesas, só o suficiente para ver a silhueta do corpo dela. Ruby deslizou as mãos pela minha camisa e começou a tirá-la, mas eu segurei os pulsos dela.

— Hoje não tem pressa. — sussurrei, encostando a boca no pescoço dela. — Hoje eu quero você só pra mim… inteira.

Ela suspirou, agarrando meu cabelo enquanto eu deixava beijos lentos pela clavícula. Quando levei a barra do vestido pra cima, ela levantou os braços, deixando que eu tirasse. O vestido caiu no chão como se tivesse sido feito pra isso.

Deitei ela na cama grande do chalé, o corpo dela iluminado por aquela lâmpada quente. Passei as mãos pelas coxas dela, subindo devagar, sentindo cada reação, cada arrepio.

— Você não faz ideia do que eu sinto quando te toco… — falei, meio sem ar.

Ruby sorriu com aquele jeito tímido que acaba comigo.

Eu me deitei sobre ela, apoiando meu peso nos braços para não pressionar seu corpo. Beijei a boca dela devagar, aprofundando o beijo até sentir o corpo dela se moldar ao meu. Ela entrelaçou as pernas na minha cintura, me puxando mais.

Desci os beijos pelo pescoço, pelos ombros, pela curva dos seios. Ruby arqueou as costas quando minha boca encontrou sua pele sensível.

— Andrew… — ela gemeu baixinho, e eu perdi qualquer controle.

Entrei nela com cuidado, guiando seus quadris com minhas mãos. Ela respirou fundo, apertou meus ombros, e eu comecei a me mover devagar, sentindo cada reação dela. Era um ritmo lento, possessivo, como se eu estivesse marcando cada segundo na pele dela.

Ela passou as mãos pelo meu rosto, me puxando pra um beijo enquanto nos movíamos juntos, o som do lago do lado de fora misturado aos gemidos dela.

— Eu te amo, ruivinha… — deixei escapar, sem conseguir conter.

Ela apertou meu peito, a voz falhando:

— Eu também amo você.

O corpo dela tremia contra o meu quando ela chegou ao ápice, e eu a segurei firme, seguindo logo depois. Ficamos ofegantes, ainda grudados, a respiração dela quente no meu pescoço. Quando me virei de lado para olhar pra ela, percebi.

— Seu corpo… mudou, ruivinha — falei, passando a mão pela cintura dela. — Tem algo diferente…

Ela travou por um segundo. Antes que eu pudesse insistir, ela subiu sobre mim e me beijou com tanta intensidade que apagou qualquer pergu

nta.

Eu deixei. Deixei porque quando ela me beija assim, eu esqueço o mundo inteiro. E, por algumas horas, foi exatamente isso que aconteceu.

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