Capítulo 41 Capítulo 41
Andrew
Eu nunca imaginei que um dia sentiria duas emoções tão diferentes ao mesmo tempo: felicidade e mágoa. O tipo de emoção que divide um homem ao meio.
Ruby está deitada na cama do hospital, pálida, com olhos inchados de chorar. Eu seguro a maçaneta por um instante antes de entrar novamente após deixá-la sozinha por um minuto para eu respirar. Preciso me recompor. Preciso ser racional. Mas não consigo.
Ela ergue os olhos quando me vê entrando de novo.
— Andrew…
Só isso. Só meu nome. E eu sinto tudo de novo, o medo de perdê-la, o susto de quase vê-la ser levada de mim, e a facada que veio junto com a revelação. Quatro meses. Quatro meses que ela carregava algo meu… sem que eu soubesse.
Me aproximo devagar e sento ao lado dela. Preciso dar uma chance dela explicar.
— Ruby… por quê?
Ela desvia o olhar como se a luz do quarto a ferisse.
— Eu ia te contar hoje. Eu estava decidida.
— Mas não contou quando devia. — minha voz sai sem força, sem controle. — Você esperou quatro meses, Ruby. Quatro.
Ela aperta o lençol com as mãos. Ela abaixa o olhar por dois longos minutos até que começa a falar levantando o olhar e encarando meus olhos.
— No começo… eu só queria aproveitar a lua de mel com você. Eu estava com medo de que a gravidez nos colocasse pressão demais. Queria… queria viver você sem nada entre nós por um tempo. Sem médico, sem cuidados, sem restrições. Só nós dois.
Eu fecho os olhos. A lua de mel foi perfeita. Intensa. Inesquecível. E agora entendo os olhares dela quando eu a pegava no colo, quando carregava ela para a cama, quando ficava ofegante demais. Ela já sabia. E eu não.
— Depois… — ela continua, a voz falhando — tudo começou a desmoronar. As matérias. As ameaças. Ethan. Astrid. Eu achei que… que não conseguiria te contar no meio desse caos.
Meu peito dói. Não de raiva. Mas de algo muito mais profundo, a sensação de não ter sido incluído na coisa mais importante que um homem pode receber.
Eu respiro fundo.
— Ruby… dentro de mim existe uma guerra agora.
Ela ergue o rosto devagar.
— Eu sei.
— Eu estou feliz. Muito feliz pelo bebê. — confesso. — Deus sabe o quanto eu sonhei com isso. Eu só queria uma família com você… queria isso desde o primeiro dia.
Ela chora silenciosamente. Eu continuo:
— Mas também estou ferido. Porque você decidiu… sozinha. Porque você viveu esse medo, esse enjoo, esse segredo… e não deixou que eu estivesse ao seu lado.
— Eu errei. — ela diz imediatamente. — Eu sei que errei. Mas meus motivos não foram maldosos. Nunca. Eu só… tive medo.
Medo. A palavra que tem comandado a vida dela nos últimos meses. Me aproximo e pego a mão dela.
— Eu sei que seus motivos não foram maldosos. E eu entendo. Mas entender não apaga o que eu sinto.
Ela assente devagar, a expressão dolorida, culpada, desesperada por perdão. E mesmo assim, ela é a coisa mais linda que eu já vi.
— Mas… — digo com a voz mais firme — eu vou superar. Vou superar porque você é minha esposa e porque esse bebê é a melhor notícia que eu poderia receber na vida.
A mão dela aperta a minha com força.
— Obrigada… obrigada por não desistir de mim.
Eu chego mais perto e beijo a testa dela.
— Eu nunca vou desistir de você. Nunca.
Desde o acidente, não desgrudo dela. Não saio do quarto. Não durmo longe. Não deixo ela entrar num carro sozinha. A cada movimento dela, alguém observa. A cada passo, um segurança abre caminho.
Ruby começa a ficar inquieta. Quando finalmente chegamos em casa, ela se senta no sofá, exausta, e diz:
— Andrew, isso é demais.
Eu fecho o laptop e me sento ao lado dela.
— O que é demais?
— Esses homens em todos os cantos. Câmeras novas. Rastreadores. Você me seguindo com os olhos como se eu fosse quebrar. Eu não quero viver com medo de algo acontecer a qualquer momento.
Eu seguro o rosto dela com as duas mãos.
— Você não vai viver com medo. Vai viver segura.
— É sufocante.
— É necessário. — respondo, firme. — Você carrega nosso filho. E quase te tiraram de mim a poucos dias.
Ela olha para baixo, a mão protegendo o ventre.
— Eu sei…
Eu toco a mão dela ali.
— Eu não sabia antes. Agora sei. E agora vou proteger vocês dois de qualquer coisa.
Ela não discorda. Mas também não concorda. Apenas encosta a cabeça no meu ombro. E eu sei que isso não é paz. É sobrevivência.
No dia seguinte, meus investigadores retornam. Estou no escritório, com três telas acesas, mapas, relatórios, registros de ligações e rastreamentos cruzados.
— Senhor Sinclair. — meu chefe de segurança começa. — Temos um nome recorrente.
Meu coração acelera.
— Diga.
Ele coloca o dossiê sobre a mesa.
— Astrid Laurent.
Por um instante, meu sangue ferve. Não é surpresa. Mas ouvir em voz alta… é o estopim. Me levanto tão rápido que a cadeira desliza para trás.
— Endereço.
— Senhor… talvez não seja uma boa ideia o senhor ir pessoalmente.
— Endereço. — repito, baixo e letal.
Ele entrega. E eu vou.
O apartamento de Astrid Laurent é exatamente o que eu imaginei: caro, luxuoso, arrogante. Ela abre a porta com um sorriso amplo, como se estivesse esperando um convite para um baile.
— Andrew Sinclair na minha porta? — ela cruza os braços. — Achei que você só iria me ver em eventos públicos.
Eu entro sem pedir permissão.
— Você mexeu com a mulher errada. Não posso permitir que se repita.
Ela ri. Não de nervoso. De prazer.
— Está me ameaçando? Eu só brinquei com fogo. E ela quem se queimou.
Me aproximo até ficar tão perto que posso sentir o perfume doce demais que ela usa.
— Se tocar nela de novo… — digo cada palavra devagar, como uma sentença — eu destruo tudo o que você tem. Carreira. Nome. Corpo. Alma.
Ela suspira, provocante.
— Adoro quando homens poderosos perdem o controle. É sexy.
Eu não mordo a isca. Apenas recuo um passo.
— Isso não é perda de controle. É aviso.
— Hum. — ela sorri, inclinando a cabeça. — Vamos ver quanto tempo essa sua coragem dura.
Eu me viro e saio sem olhar para trás. Assim que entro no carro, ligo para o meu contato mais confiável.
— Quero a vida dela em um dossiê. Tudo. Cada suspiro, cada dívida, cada vício, cada ligação, cada amante. Cavem até o inferno se for preciso.
— “E se um certo nome aparecer?”
Eu cerro o maxilar.
— Quero saber primeiro.
Desligo e fico olhando pela janela, respirando fundo. Eu nunca fui um homem violento. Nunca precisei ser. O poder sempre resolv
eu tudo.
Mas agora… não é sobre poder. É sobre Ruby. É sobre nosso filho. E eu vou proteger os dois. Mesmo que precise descer até o inferno pra isso.
