Capítulo 9 Capítulo 3.1 Ethan Brassard

Liguei o carro e segui para a casa da minha mãe. Eles não merecem ficar tanto tempo longe de mim. Não demorou muito para eu entrar no condomínio onde meus pais moram. Assim que estacionei, ouvi alguém me chamando. Quando me virei, encontrei os pais da Bonnie, que pararam o carro e vieram em minha direção. Fiquei sem ação. Engoli o nó que se formou na garganta e saí do carro.

— Meu filho, como você está? — disse ela, me abraçando de imediato. Eu tentei segurar as lembranças que vinham à mente como ondas fortes.

— Estou bem… e vocês, como vão? — falei, cumprimentando os dois com cuidado, tentando não demonstrar a turbulência interna.

— Eu queria falar com você — começou ela, com a voz trêmula —. Estamos nos mudando, precisamos nos afastar um pouco do luto que vivemos por nossa menina. Eu só queria te ver feliz de novo, Ethan. Só assim meu coração se acalma.

— Eu sei que você ainda pensa muito nela… mas ela não gostaria de te ver assim. Se permita viver, Ethan. Seus pais precisam de você. Sua família precisa de você — disse o pai dela, me deixando sem graça, o peso da verdade me atingindo.

— Eu… sei… é difícil, mas aos poucos eu vou conseguir — falei, tentando tranquilizá-los, enquanto sentia um aperto no peito.

— Só viva, Ethan. Lembre-se que estaremos torcendo por você — disse ela, antes de voltar para o carro, e eu apenas balancei a cabeça em concordância.

Falar com eles me deixou ainda mais sensível. Tentei recompor o rosto, não queria que minha mãe percebesse que meu coração estava tão pesado. Eles não precisavam de mais motivos para se preocupar.

Entrei na casa e fui recebido por minha sobrinha Kamily correndo em minha direção. Ela estava maior do que na última vez que a vi, quando completou seis anos. Peguei-a nos braços e senti a euforia dela contagiar meu coração.

— Tio Ethan! — exclamou com a voz engraçada. A cada dia, Kamily se parecia mais com minha irmã Olívia.

— Oi, Kamily! Você cresceu muito! — disse, fazendo-a rir.

— Sim! Minha mamãe diz que já sou uma mocinha! Já tenho um namorado! — ela contou animada, e meu corpo inteiro ficou em alerta. Logo ouvi meu cunhado resmungar do canto da sala.

— Que história é essa, Kamily? — ele disse, cruzando os braços, e eu não pude deixar de rir diante da situação.

— Ops! — ela diz, colocando a mão na boca e fazendo uma carinha engraçada.

— Ela está brincando, gatinho! — Olívia intervém, pegando a filha nos braços. — Foi um amiguinho que disse que quer namorar com ela. Mas Kamily sabe que isso é errado, ainda é muito novinha para pensar nessas coisas!

— Kamily, meninas da sua idade não podem namorar! E os meninos… eles são fedorentos! — falo, fazendo ela rir alto.

— Já conversamos sobre isso, filha! — meu cunhado interrompe sério, cruzando os braços. — Não quero ouvir você falando isso outra vez!

— Desculpa, papai! Não vou falar mais isso! É brincadeirinha, tio Ethan! — Kamily responde com um sorriso travesso.

— É assim que se fala, Kamily! — digo, deixando um beijo em sua cabecinha. Em seguida, deixo outro beijo em minha irmã e cumprimento meu cunhado.

Vou em direção à cozinha, onde minha mãe está com meu pai.

— Cheguei, família! — anuncio, e minha mãe é a primeira a vir me abraçar.

— Meu amor, você veio! — ela diz, apertando-me com força.

— Não tive escolha, mãe, a senhora desligou antes que eu pudesse responder — respondo, brincando um pouco.

— Que bom que veio, filho! — meu pai completa, me abraçando também.

— Vá tomar banho, filho, logo o jantar estará pronto! — minha mãe diz, sempre me tratando como se eu ainda morasse ali. Imagino que faça isso com todos os filhos.

— Tá certo, mãe.

Saio da cozinha rindo e vou em direção ao meu antigo quarto, mas minha irmã me para no caminho.

— Ethan, obrigada por vir. Nossa mãe ficou muito feliz — diz Olívia, mas não espera minha resposta e segue para o quarto dela.

Após o banho, chego à sala e encontro minhas irmãs, a casa cheia e animada. Cumprimento todos rapidamente e sigo para o jardim, onde encontro Zayan.

— E aí, cara! Qual é a novidade? — ele pergunta, sorrindo.

— Nenhuma, só que fui intimado para jantar aqui. Sabe como é a sua avó Maya! — respondo, rindo.

— Sei bem como é isso, e minha mãe é igualzinha! — ele brinca, e rimos juntos.

— Meninos! Que tal sairmos hoje? — Pérola chega animada. Cada dia mais linda, ela virou modelo, então é raro vê-la em casa.

— E aí, Ethan, vamos? — Zayan me pergunta, com um sorriso.

— Para onde vocês querem me levar? — pergunto, curioso, pronto para seguir o ritmo deles.

— Hoje um carinha que estou saindo vai comemorar o aniversário dele, na Boate do Kendreck! — ela diz, empolgada.

— Por mim, estou dentro! Lá consigo me distrair — Zayan responde.

— Distrair? Por que distrair, Zayan? E a Emilly? — pergunto, lembrando que da última vez eles ainda estavam juntos.

— Terminamos — ele responde, simples.

— Ela está igual à mãe, você merece algo melhor, primo — Pérola comenta, e percebo que ele fica tenso.

— Então vamos! Depois do jantar, saímos! — digo, e noto que os dois ficam animados com minha presença.

— Ai! Vou ver se a Cloe vai querer ir, Eloar e Melinda! — Pérola continua animada.

— Não esqueça do Igor! — falo, para ela não esquecer.

— Eu o quê? — ele pergunta, confuso.

Deixo Zayan falando e vou em direção à casa. Logo estamos todos jantando animados, e vejo o rosto da minha mãe iluminado de felicidade. Quem diria que um único gesto meu poderia deixar todos à minha volta tão felizes?

Quando contam que vou sair, a família toda fica animada. Olívia me abraça com os olhos cheios de lágrimas, e não consigo evitar olhar para ela.

— O que foi, Olí? — pergunto, tentando entender, e vejo meu cunhado olhando para a esposa.

— Só estou feliz, irmão. Eu te amo muito! — ela diz, e confesso que fico apreensivo; ela já disse isso duas vezes hoje, e olha que já tivemos nossa discussão.

— Eu também te amo, irmã! Agora pare de ficar assim, estou até com medo! — falo, e ela começa a rir do meu drama.

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