1.

"Onde você está?!

O motorista, um homem de meia-idade com uma expressão serena, ocasionalmente olhava pelo retrovisor como se estivesse verificando o trânsito. No entanto, eu podia sentir sua curiosidade disfarçada quando nossos olhos se encontravam, refletidos no espelho.

"Oi para você também, Kai. E estamos bem!" Eu forço um breve entusiasmo.

Ele suspira, deixando sua impaciência evidente.

"Eu fiz uma pergunta, e você ainda não respondeu," ele diz devagar, enfatizando cada palavra.

Eu exalo, evitando contato visual direto com o retrovisor.

"Vou ver a Deb."

"Não, você não vai," ele diz sem hesitação. "Volte para casa imediatamente!"

"Eu já não passo tempo suficiente naquela casa? Como se estivesse em uma gaiola dourada?" Eu mudo meu tom o suficiente para Kai ouvir. "Eu também preciso de um tempo fazendo coisas normais," termino quietamente, encostando a cabeça na janela.

Um breve silêncio se instala.

"Tudo o que faço é para sua segurança." Fecho os olhos, forçando um sorriso.

"Você sempre diz isso, mas nunca sei realmente do que você acha que está me protegendo," eu respiro fundo. "E tenho certeza de que posso lidar com isso sozinha, pelo menos hoje."

"Hailey," sua voz se torna urgente. "Hailey!" ele grita pouco antes de eu desligar a ligação.

Tiro algumas notas da carteira, estendendo-as para o motorista enquanto o carro para em frente ao pequeno prédio.

Ao entrar no prédio, meu celular começou a tocar insistentemente no bolso do meu casaco. O som estridente ecoava no saguão, quebrando o calor e a tranquilidade do ambiente.

A atmosfera ao meu redor ainda tinha aquele toque acolhedor. As paredes de tons suaves e as luzes gentis criavam um ambiente sereno que contrastava com a ligação urgente de Deb horas antes; algo havia acontecido, e ela precisava me ver.

Enquanto o velho elevador subia lentamente, os rangidos e gemidos metálicos pareciam ecoar minha impaciência. O celular ainda tocava insistentemente, mas eu havia decidido ignorar o que Kai queria me dizer para me fazer voltar para casa.

Cada andar que passava parecia uma eternidade, e eu podia sentir a frustração crescendo dentro de mim a cada toque do celular. Era como se a ligação de Kai fosse um fio invisível tentando me puxar de volta para o caos lá fora, mas eu resistia, determinada a encontrar um momento de paz antes de enfrentar o que quer que estivesse acontecendo.

Finalmente, o elevador chega ao meu andar. As portas se abrem com um som metálico, e eu saio apressadamente, desligando o celular com um suspiro de alívio.

"Deb," chamo assim que entro no apartamento imerso na escuridão. "Estou aqui." Deixo minha bolsa na mesa de console, meus olhos percorrem o espaço à frente, mas por algum motivo, decido ir para o segundo andar, imaginando que Deb poderia estar no chuveiro ou até sedada com a medicação que estava tomando, mas o que encontrei foram apenas quartos vazios.

Desço lentamente as escadas, voltando ao ponto de partida, considerando que talvez fosse melhor ligar para Deb.

Paro gradualmente de andar enquanto acendo o abajur de cabeceira, quando na escuridão do quarto, noto o contorno de um homem. Ele era alto, e como o quarto não estava completamente escuro, eu podia ver sua silhueta perfeitamente.

Só quando dou um passo para trás percebo que estou respirando por lábios ligeiramente entreabertos.

"Procurando a Deb?" Sua voz ligeiramente rouca soa, causando um breve arrepio.

Algo dentro de mim gritava para sair dali o mais rápido possível, mas minhas pernas não me obedeciam.

"Onde ela está?" Luto para manter minha voz firme, impossível dada a situação.

Ele caminha em minha direção lentamente, até que seu corpo fica parcialmente iluminado pela luz do abajur. Sua pele era bronzeada, seus olhos claros, verdes para ser mais precisa; sua boca bem definida, e seu cabelo, cortado curto.

Havia muitos detalhes para notar de uma vez só, além de sua expressão séria.

"Eu estava esperando por você, Hailey." Dou mais um passo para trás, me preparando fisicamente para fugir dali, imaginando como poderia abrir a porta rapidamente e correr o mais rápido que pudesse para o elevador, claro, se ele estivesse me esperando lá; se não, teria que tentar a sorte com as escadas.

Viro e corro em direção à porta, meu coração batendo forte no peito. Minhas mãos tremem enquanto agarro a maçaneta, mas antes que eu possa abri-la, um aperto súbito me envolve.

Tento resistir, lutar contra a força que me puxa para trás, mas é inútil. Sou arrastada com força, perdendo o equilíbrio e caindo sentada. Minhas tentativas de me levantar são em vão, o som agudo dos saltos das botas ecoando no chão, misturando-se com a confusão que toma conta da minha mente.

O pânico se mistura com a adrenalina enquanto meu corpo é arrastado pelo chão. Minha mente corre para encontrar uma solução, uma maneira de escapar, mas a surpresa e a força do ataque me deixam atordoada. Enquanto luto para me libertar, a realidade da situação sobrepõe-se ao que eu estava ignorando no meu telefone, e percebo que talvez a ligação de Kai fosse um aviso, algo que eu deveria ter ouvido.

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