CAPÍTULO 5

Depois de algumas semanas desde a confrontação tempestuosa com Charlie, a vida de Nina havia se estabilizado em um ritmo inquietante. As feridas da traição dele ainda persistiam, mas ela estava determinada a não deixá-las consumi-la. Enquanto navegava por sua rotina diária, uma mudança sutil começou a se manifestar.

Ela acordou uma manhã com uma sensação de desconforto, seu estômago um turbilhão de ansiedade e antecipação. Ela havia notado uma mudança em seu corpo nas últimas semanas, sinais sutis que sussurravam sobre uma possibilidade que ela nunca havia considerado seriamente. Enquanto seguia sua rotina matinal, o pensamento a atormentava, recusando-se a ser ignorado.

Com um suspiro profundo, Nina se recompôs e foi para o banheiro. A pequena caixa branca guardada no armário de remédios parecia chamá-la, seu conteúdo contendo o potencial de confirmar ou dissipar suas crescentes suspeitas.

Os dedos de Nina tremiam ligeiramente enquanto ela abria cuidadosamente a caixa e pegava a tira de teste de gravidez. Ela seguiu as instruções meticulosamente, seu coração batendo forte no peito enquanto esperava os resultados aparecerem.

Conforme os minutos passavam, uma onda de ansiedade a envolvia, ameaçando afogá-la em um mar de incertezas. O banheiro parecia sufocante, e a antecipação era quase insuportável. A mente de Nina corria com pensamentos sobre o que o teste poderia revelar— as implicações que mudariam sua vida e que estavam em jogo.

Finalmente, o alarme em seu telefone tocou, sinalizando o fim do período de espera. Com uma mão trêmula, Nina pegou a tira de teste, seu coração na garganta enquanto olhava para o resultado.

Positivo.

"O quê?!" Ela gritou. Aquela noite com Charlie levou a isso!

Nina afundou na beira da banheira, suas mãos tremendo enquanto processava a enormidade do que estava por vir. Ela nunca se imaginou nessa posição, e ainda assim, lá estava ela, enfrentando uma realidade que era ao mesmo tempo esmagadora e estranhamente surreal. Ela nunca poderia ter pensado que aquele encontro com Charlie levaria a isso.

"Eu preciso fazer algo sobre isso!" Nina disse a si mesma. Ela pensou em quem poderia confiar enquanto conseguia pegar seu telefone.

Com dedos trêmulos, ela discou o número de Julie com lágrimas escorrendo pelo rosto. Seu coração estava pesado com dor, traição e confusão. Ela precisava de alguém para confiar, alguém que a ouvisse sem julgamentos. Julie, sua amiga mais próxima, foi a primeira pessoa em quem pensou.

Enquanto o telefone tocava, a ansiedade de Nina crescia, sua respiração ficando ofegante. Quando a voz de Julie finalmente preencheu a linha, Nina lutou para encontrar as palavras para expressar seu turbilhão. Mas sua voz falhou, e as comportas das emoções se abriram.

"Julie," Nina conseguiu dizer, sua voz carregada de angústia. "Algo terrível aconteceu."

"O que foi, Nina? Fale comigo." Julie respondeu, percebendo a dor e o desconforto na voz de Nina.

"Eu acabei de descobrir que estou grávida..."

"Uau! Parabéns, querida. Isso é incrível! Mas por que você chamaria isso de terrível imediatamente?" Julie franziu a testa, surpresa com o comentário de Nina.

"Não... Não... Você não entende, Julie. É o Charlie, o irmão do Ralph. Ele dormiu comigo, e... e isso levou a isso."

Um suspiro escapou dos lábios de Julie, o choque evidente em sua voz. "Nina, o quê?! Você está falando sério? Charlie, o irmão gêmeo do seu namorado? Você não pode estar falando sério!"

Os soluços de Nina se intensificaram, dificultando sua fala. Ondas de dor a invadiam, e ela lutava para encontrar forças para explicar o que havia acontecido.

"Não, não é o que você pensa, Julie. Ele veio à minha casa à noite e tentou se passar por Ralph, exigindo que tivéssemos relações. Eu pensei que era o Ralph; tentei desencorajar, já que eu sabia da decisão que nós dois tomamos sobre ter relações.

Ralph e eu decidimos esperar para fazer isso na nossa noite de casamento, mas quando ele insistiu, eu não consegui resistir. Eu pensei que era ele. Eu não sabia que era o Charlie, e quando percebi, já era tarde demais."

Julie sorriu do outro lado, já que Nina não podia vê-la. "Sério?"

"Sim, Julie. Eu preciso que você me ajude. Eu não sei o que fazer agora."

"Tá bom. Só se acalme, Nina. Eu vou para a sua casa agora mesmo." Julie prometeu enquanto encerrava a ligação.

Nina assentiu, mesmo sabendo que Julie não podia vê-la pelo telefone. O apoio na voz da amiga ofereceu um vislumbre de esperança na escuridão que a consumia. Ela precisava desesperadamente de alguém em quem se apoiar, alguém para guiá-la através da tempestade.

"Desgraçado!" Julie murmurou para si mesma enquanto começava a se preparar para sair de casa e ir para a casa de Nina. A notícia da gravidez de Nina apresentava uma oportunidade—uma oportunidade de piorar as coisas para Nina. Ela odiava Nina com paixão, e estava feliz com a notícia. Esta era apenas uma oportunidade para desgraçar Nina e destruir seu relacionamento com Ralph.

Um sorriso malévolo surgiu nos cantos dos lábios de Julie enquanto ela começava a traçar um plano.

Assim que Julie chegou à casa de Nina, foi recebida por uma Nina diferente. Sua amiga, geralmente vibrante e composta, estava desmoronando sob o peso de suas emoções. Lágrimas escorriam pelo rosto de Nina, seu corpo tremendo de dor e desgosto.

Julie correu para o lado dela, envolvendo Nina em um abraço apertado. "Nina, estou aqui para você. Seja o que for, vamos superar isso juntas," Julie sussurrou, sua voz cheia de empatia.

Os soluços de Nina ficaram mais altos, suas palavras abafadas pelas lágrimas. "Julie, eu não sei o que fazer. Não posso acreditar que isso está acontecendo comigo, faltando menos de duas semanas para o meu casamento com Ralph."

Os olhos de Julie se arregalaram de surpresa. Ela nem tinha notado que o casamento de Nina e Ralph estava a menos de duas semanas! Ela sabia que precisava agir como uma verdadeira amiga agora, apesar do que tinha em mente. Ela segurou Nina ainda mais forte, oferecendo uma presença reconfortante em meio à tempestade. "Oh, Nina, sinto muito. Você não merece essa dor. Mas vamos encontrar uma maneira de superar isso. Sempre encontramos."

A voz de Nina tremia enquanto ela conseguia falar através das lágrimas. "O que... o que eu devo fazer, Julie? Não suporto a ideia de perder Ralph. Se ele descobrir, isso marcará o fim do nosso relacionamento. O fato de eu ter dormido com o irmão gêmeo dele é um golpe amargo. Ele nunca mais vai confiar em mim! Além disso, todos que ouvirem sobre isso vão pensar que sou uma flertadora e que fiquei grávida de Charlie de propósito."

A testa de Julie se franziu enquanto ela ouvia as preocupações de Nina. Ela sabia que a situação era delicada e que as consequências de revelar a verdade poderiam ser severas. Ela olhou nos olhos de Nina. "Nina, e se eu te disser para manter essa gravidez?"

"Você não entende, Julie?"

"Tenha paciência comigo. Estou chegando a algum ponto. Quantas semanas tem a gravidez?" Julie perguntou.

"Não deve ter mais de três semanas," Nina respondeu.

"Ótimo! A gravidez ainda é recente, e ninguém sabe que você está grávida, só nós duas. Ou você contou para o Charlie?" Julie apertou o rosto, ansiosa para ouvir a resposta de Nina.

"Não, eu não contei..."

"Então, isso é perfeito, garota! Você poderia facilmente seduzir Ralph para ter relações com você durante esse período."

"Esqueça, Julie. Isso nunca vai funcionar! Ele é muito disciplinado. Eu deveria ter sabido naquela noite que não poderia ser ele. Recentemente, eu tentei fazer com que ele tivesse relações comigo, mas ele me resistiu veementemente."

"Bem, então, isso não é problema. Seu casamento é em menos de duas semanas. Você pode simplesmente esconder a gravidez dele e de todos os outros. Quando vocês tiverem relações durante a lua de mel, isso compensa! Tudo o que você precisa fazer é garantir que ele não tenha a menor pista de que você está grávida até o primeiro mês após o casamento. Você só precisa ser esperta ao jogar suas cartas, certo?" Julie disse, rindo e sorrindo.

O rosto de Nina, marcado pelas lágrimas, refletia sua desaprovação. "Mas Julie, eu nem quero manter o filho daquele desgraçado. Sinto a necessidade de abortar essa gravidez. Você não acha que seria injusto com Ralph criar um filho que não é dele? E mais, eu viveria o resto da minha vida com culpa, sabendo que Ralph não é o pai biológico da criança."

Julie respirou fundo, fingindo estar preocupada. "Nina, eu entendo suas preocupações. Mas pense nas possíveis consequências de um aborto. E se você perder o útero ou algo assim? Não seja ingênua, Nina. Esta é a solução para isso."

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