Capítulo 3 Festa
🤍 Ravi,
Após aquele momento de confraternização com todos os convidados e familiares, levei Melry em meu carro e a deixei na porta de sua casa. Conversei com ela sobre minha viagem de um mês. Expliquei que precisava resolver alguns negócios, mas pedi que ela começasse a preparar tudo para o nosso noivado durante minha ausência.
Melry concordou, mas havia uma ponta de tristeza em seu olhar. Alisei o seu rosto e fiz com que ela me olhasse.
— Está triste porque irei viajar e ficar um mês longe de você? — indaguei.
— Sim, eu queria que o senhor estivesse aqui para me ajudar em todos os detalhes desse noivado. — disse ela.
Pelo seu modo de ser e falar, ela parece tão inocente e inexperiente que me senti um idiota naquele momento.
— Não me chame de senhor, me sinto velho. — falei observando ela rir. — Se você quiser, podemos organizar tudo quando eu chegar. Eu vou te ajudar, não se preocupe. — falei aproximando meus lábios para beijar o topo de sua cabeça. Ela ergueu a cabeça pensando que eu a beijaria na boca. Senti pena dela naquele momento.
Não posso tocá-la até nos casarmos. Vou respeitá-la até lá. Quero evitar certas situações, até porque estou me casando por conveniência, não porque eu precise ou porque amo minha escolhida, mas porque sei que na máfia os casamentos são arranjados.
Melry desceu do carro e virou-se para mim, um brilho de gratidão nos olhos.
— Obrigada por hoje, foi maravilhoso — disse ela, sorrindo.
— O prazer foi todo meu. Mal posso esperar para nos vermos novamente — respondi, retribuindo o sorriso.
Ela assentiu e, com um aceno, dirigiu-se para a porta de sua casa. Fiquei ali por um momento, observando-a desaparecer dentro de casa antes de ligar o carro e partir.
Assim que cheguei em casa, tratei de arrumar as malas para a viagem do dia seguinte para o Texas. Enquanto organizava tudo, liguei para um amigo conhecido que morava lá e pedi a ele que conseguisse uma vaga para mim na escola onde Jade estudava. Ele me assegurou que arranjaria uma posição como professor, já que trabalhava na mesma instituição e eles precisavam desesperadamente de um novo professor de química. Apesar de não gostar da matéria, eu não tinha outra opção. O desafio seria ensinar algo que não me atrai, mas estava disposto a enfrentar essa nova jornada.
Alguém bateu na porta;
— Entra. — falei, sentando-me sobre a cama.
— Filho, Marcos falou sobre sua viagem. Tem certeza que quer ir? — minha mãe indagou sentando-se ao meu lado, me entregando um dossiê.
— Tenho, mãe. Não se preocupe. — respondi, tentando transmitir confiança em minha decisão.— Minha irmã de criação precisa de mim, ainda bem que nunca a vi na vida, verei agora. Vou saber quem ela é, mas ela não me conhece. — mostrei um sorriso para ela.
— Tudo bem meu amor, se cuide. — disse saindo do quarto.
Após abrir o dossiê que minha mãe me entregou, examinei todas as informações sobre ela, incluindo sua foto. Na imagem, ela tinha uma beleza, mas não tão marcante quanto eu imaginava. Percebi que na foto ela parecia ser mais jovem, talvez uns 15 anos, enquanto atualmente ela tem 17. Deixei o dossiê de lado e decidi descansar um pouco, afinal, amanhã seria o dia da viagem.
No dia seguinte, acordei cedo, fiz minha higiene matinal e me arrumei. O mordomo da casa, Eurian, pegou minhas malas e as levou para o carro. Me despedi dos meus pais e mandei uma última mensagem para minha futura noiva. Em seguida, entrei no carro e seguimos para meu jatinho particular, que já estava à minha espera.
Embarquei rumo ao Texas com um misto de ansiedade e determinação. Ao chegar, meu amigo Daniel já havia providenciado tudo conforme eu passei para ele através de mensagens, e me ajudou a me instalar na cidade.
Eu estava hospedado em um hotel e aluguei um carro para me locomover pela cidade. Além disso, trouxe dois dos meus homens comigo para garantir minha segurança e auxiliar em qualquer eventualidade.
Na parte da noite, saí do apartamento para ir até uma festa que estava acontecendo próximo dali, apenas para me divertir e conhecer melhor o lugar. Enquanto estava lá, meus olhos encontraram Jade, que estava em companhia de uma mulher, que acredito ser sua amiga. Observando-a de longe, senti uma mistura de emoções, desde surpresa até uma pontada de curiosidade sobre como seria nosso encontro no dia seguinte na escola.
Observando Jade de boca aberta, percebi que ela estava ainda mais bonita do que na foto. Seus cabelos, antes pretos, agora estavam pintados de ruivo, e seu corpo parecia mais formado. No entanto, não gostei da forma como ela se vestia; o vestido estava tão apertado que deixava visíveis suas curvas perfeitas, atraindo olhares dos homens que haviam ali.
— Porra de mulher, em que eu me meti!? — murmurei para mim mesmo enquanto pedia uma bebida ao barman.
Mesmo com a confusão de pensamentos em minha mente, eu não podia negar a atração que sente por ela, embora estivesse determinado a manter minha guarda alta e me concentrar nos objetivos da missão, ter ela em meu campo de visão por 24 horas como eu havia prometido ao pai dela, estava em questão de análise.
Me juntei à pista de dança com algumas pessoas, quando de repente ela veio até mim. Por alguns instantes, ela me fez cair na graça dela, mas quando ela mencionou sobre "escola amanhã", lembrei-me de que seria um professor na escola onde ela estuda. Isso trouxe à tona a necessidade de manter uma distância profissional e ética. Pedi licença e me retirei dali, decidido a manter a seriedade em relação ao meu novo papel na vida dela.
Na manhã seguinte, dirigi-me à escola onde começaria meu novo trabalho como professor de química.
Ao entrar na sala dos professores, fui recebido com olhares curiosos e sorrisos cordiais. Logo, fui apresentado aos demais professores e à direção da escola. Sentia-me um pouco fora de lugar, mas mantive a postura e a determinação de fazer o meu melhor. Estar em uma sala como professor é um pouco mais complexo do que estar em um escritório com homens do submundo da máfia.
