Capítulo 5 Está atrasada
🤍 Jade Escotty
Acordei com alguém sacudindo o meu corpo pra lá e pra cá, enquanto me chamava pelo meu nome. A voz da minha mãe, Alana, é inconfundível.
— Hum, o que houve, mamãe? — resmunguei, abrindo e fechando os olhos.
Ela estava parada diante de mim, com os braços cruzados.
— Não está esquecendo de nada? — Indagou, fazendo-me abrir os olhos de uma vez.
Passei um bom tempo para a alma fazer o download para o corpo. Dei um pulo da cama ao ver que eu havia esquecido totalmente do meu primeiro dia de aula.
— Vamos garota, está atrasada. — mamãe saiu do quarto.
Acordei com uma ressaca daquelas que me deixou com uma enorme dor de cabeça e náuseas, nunca tinha bebido tanto em toda minha existência.
Pode parecer infantil, mas geralmente só bebo assim quando passo por decepções, como da primeira vez em que briguei feio com meu pai ao descobrir seu envolvimento em atividades ilícitas. Minha mãe acabou descobrindo depois, o que resultou em um divórcio após tantos anos de casamento. Desde então, ele foi embora e não tenho mais contato com ele, evitando tudo que esteja relacionado a ele. Na última vez que ele ligou, informou que arrumou outra esposa e tem um filho. Ele pediu para eu conhecê-los, mas desliguei a chamada após expressar minha mágoa e chamar o filho dele de bastardo. Eu sei que fui dura, mas estou magoada, fazer o quê? não vou negar que sinto sua falta, no entanto meu orgulho é maior.
Pulei da cama no chão.
— Aí, merda! Nunca mais vou beber. — Reclamo, massageando minha têmpora.
Assim que eu pego a toalha para ir tomar banho, o meu celular acende o visor anunciando uma nova mensagem. No começo, até pensei ser Kelly ou a enche-saco chamada Adriana, que é minha outra amiga.
Pego meu celular com a maior euforia, e meu sorriso se desfaz na hora quando vejo que não era quem eu pensava que fosse, e sim Breno.
— Oi, Jade, podemos conversar!? Eu realmente preciso falar com você, Jade, por favor!
Aquela mensagem me deu raiva de ver. Eu nem sequer respondi, eu apenas ignorei, assim como ele também me ignorou por várias vezes e me fez sofrer.
E além de tudo isso, estou com dor de cabeça. Não preciso me dar mais essa dor e desgosto. Breno ficará no meu passado.
Deixei o celular em cima da cama e entrei no banheiro. Tomei um banho rápido, escovei os dentes e fui me arrumar. Optei por usar uma saia soltinha na cor vermelha, uma blusa preta de mangas e minha bota preta. Arrumei o cabelo em um rabo de cavalo, fiz uma maquiagem leve e organizei a minha bolsa.
Ao chegar na cozinha, me servi com um suco e uma torrada. Dei um beijo em minha mãe, entrei no carro que tomei de Breno e fui para a escola.
Desde que começamos a morar juntos, eu também comecei a trabalhar. O dinheiro que tirava do serviço não era muito, mas com toda dedicação, fui guardando. Juntei com o dele, já que trabalhava em uma pequena empresa, e compramos um carro para nós. Foi a única coisa que eu trouxe da nossa antiga casa.
Assim que cheguei no colégio, estacionei o carro em uma vaga vazia. Havia tantos carros estacionados lá que imaginei ser uma concessionária de veículos.
Sai do carro e entrei no ambiente conhecido. Observei alguns alunos ainda procurando suas salas, enquanto outras já estavam com as portas fechadas, indicando que as aulas já haviam começado.
Procurei o meu nome nas listas que estavam próximas à porta e encontrei meu nome. Como de costume, de todos os anos, abri a porta e entrei na sala.
Todos os alunos já estavam na sala, e o professor também estava sentado em sua cadeira. Nossos olhares se cruzaram por breves segundos, e imediatamente eu o reconheci.
— Droga. — Sussurrei para mim mesma, segurando minhas pernas para não tremerem mais do que já estavam.
Todos os alunos estavam me olhando. E eu, feito uma boba, parada ali sem conseguir me mover para canto algum.
Só naquele momento eu pude observá-lo direito. É tão lindo, ele tem seus 1.80 de altura, uma mecha de seus cabelos caído sobre a testa, deixando-o com um aspecto mais sexy.
Ele desviou o olhar para a lista de chamada sobre a sua mesa. — Saia, bata na porta e pergunte se pode entrar. — Disse com autoridade.
Engoli em seco e, tentando controlar minha ansiedade, me virei para sair da sala. Bati na porta, esperando uma autorização para entrar.
— Pode entrar. — ordenou.
Abri a porta e entrei, sentindo os olhares curiosos dos colegas sobre mim. Ele não me olhou quando entrei. Caminhei alguns passos a frente, para sentar e ele me impediu.
— Pare! Onde pensa que está indo? — Indagou ainda de cabeça baixa.
— Vou sentar. — Falei óbvio.
Ele encarou-me com diversão nos olhos.
— Está há...— olhou no relógio de pulso. — 10 minutos atrasada, e quer chegar e sentar? — Indagou enfiando as mãos no bolso da calça social.
— Professor, eu...
— Não lhe dei permissão para falar, Jade. — meu nome soou tão sexy em seus lábios, que senti um arrepio percorrer meu corpo.
Ele continuou falando, mas minha mente estava em tumulto, dividida entre a surpresa de encontrá-lo como meu professor e a sensação de sua presença imponente.
— Atrasos não são tolerados na minha aula. Isso prejudica a todos. — Ele finalizou, olhando-me sério.— Deixei claro aos demais que aqui estão, que pontualidade é tudo, eu espero que isso não se repita. — disse. — como espera conseguir entrar para a faculdade ou até mesmo encontrar um trabalho que exija que esteja no horário marcado? — Ele me fitou por alguns segundos, mas não consegui dizer nada. mordi meus lábios, quando fico nervosa faço isso sem perceber. — pense nisso. — ele finalizou um pouco incomodado.
Engoli em seco, sentindo-me encurralada pela sua autoridade.
— Prometo ser pontual da próxima. — falei abaixando a cabeça.
— Assim espero, pode se sentar.— Ordenou.
Caminhei até a cadeira indicada, tentando manter a compostura. A aula começou, mas eu ainda estava distraída, dividindo minha atenção entre o conteúdo da aula e a presença inesperada de Ravi, como meu professor.
Abri o meu caderno, peguei a minha caneta e comecei a anotar tudo que ele estava escrevendo sobre o quadro. Abaixei a cabeça e, quando levanto, o pego olhando para mim. Seu olhar era indecifrável.
Na real, não sei o que passa na cabeça desse professor. Acho que ele é meio bipolar.
Concentrei-me em minhas anotações, tentando ignorar a intensidade do olhar de Ravi. O restante da aula transcorreu sem maiores incidentes, mas a presença dele na sala ainda perturbava meus pensamentos.
Ao término da aula, guardei apressadamente minhas coisas e me dirigi à saída. Ravi permaneceu na sala, encerrando o expediente do dia. No corredor, Kelly me esperava, ansiosa para saber como foi o primeiro dia.
— E aí, como foi? — Ela perguntou, com um sorriso curioso.
Respirei fundo antes de responder, tentando minimizar a confusão que se instalou em minha mente.
— O primeiro dia foi... uma loucura. Ravi é o professor....
