Capítulo 6 Vingança ou não?
🤍 Jade Escotty,
Contei tudo o que aconteceu quando entrei na sala para Kelly, e ela ficou surpresa com o que estava ouvindo.
— Amiga, imagino o constrangimento. Se fosse comigo, eu teria saído e não teria retornado — disse ela.
— Estou me esforçando para aprimorar meus estudos e sair daqui. Mal comecei e você já quer que eu reprove? — rimos juntas.
— Não vou negar que ele é um homem delicioso — disse Adriana, juntando-se a nós.
— Chegou a safada — comentei.
— Ele é bonito sim, mas é muito velho para nós — Kelly disse.
Ficamos nessa brincadeira até as meninas saírem para encontrar seus namorados. Eu fiquei para trás porque recebi uma ligação de Breno e atendi. Passamos horas brigando pelo telefone. Há meses ele vem me perturbando para voltarmos. Todas as vezes eu digo a ele que não quero mais saber nem dele nem do seu amor, mas ele continua me ligando.
Encerrei a ligação e coloquei o celular na bolsa. Levantei-me do banco de madeira para ir para casa e me esbarrei no professor Ravi.
— Droga, tomei um susto — falei, afastando-me dele.
— Ainda por aqui? Todos já foram embora — ele disse, com um sorriso cínico nos lábios.— Você se atrasa até para ir pra casa?
— Nem todos. Você está aqui, não é? — falei, observando seu sorriso desaparecer.— Acho que o você não tem que se importa qual horário volto para minha casa, a aula já terminou, e você também deveria ser mais pontual e ir para casa também, não acha? — entrei em seu jogo.
Toma distraído.
Ele me olhou com um brilho divertido nos olhos, e o sorriso voltou aos seus lábios.
— Sabe, senhorita Jade, não tenho um horário a cumprir, e quando eu tenho, não costumo chegar atrasado. Mas acho que sobre atrasos você aprendeu alguma coisa hoje, não foi mesmo? — indagou, fazendo-me ficar vermelha de raiva. — Outra coisa, eu não quis falar na sala para não te constranger, mas sua maneira de se vestir também não é adequada para estar na minha aula.
— E por quê não? Devo vir pelada, professor? Porque eu estou vestida. — Falei segurando minha irritação.
Diante da minha resposta afiada, o professor Ravi pareceu um pouco surpreso, mas manteve sua expressão séria. Parece que tudo em mim lhe irritava, lhe deixava completamente incomodado. não me pergunte porque, eu não sei.
— Não estou sugerindo que você venha pelada, senhorita Jade. Apenas estou apontando que sua vestimenta pode não ser apropriada para um ambiente educacional, especialmente quando se trata de um local de trabalho como uma sala de aula — explicou ele, com um tom calmo, mas firme.— A sua saia é muito curta, e bastante colada no seu corpo, e atrai olhares nada agradáveis para voce.— Continuou.
Engoli em seco, tentando conter minha irritação diante da observação dele, e dos seus olhos em meu corpo enquanto falava. Por mais que eu não concordasse com sua opinião, sabia que não adiantaria discutir mais sobre o assunto naquele momento. Respirei fundo e decidi mudar de assunto.
— Entendo, professor. Vou levar sua opinião em consideração — respondi, tentando manter minha voz neutra.
Ele assentiu, parecendo satisfeito com minha resposta, e então desviou o olhar para o seu celular que anunciou uma mensagem, indicando que a conversa estava encerrada. Eu me afastei, ainda sentindo a tensão no ar, mas determinada a não deixar que isso afetasse meu desempenho na escola.
Enquanto ele passava por mim, seu perfume madeirado invadiu meus sentidos.
— Que perfume gostoso, nunca havia sentido antes — sussurrei para mim mesma, fechando os olhos por um momento para saborear a fragrância.
Abri os olhos, xingando-me mentalmente por ter dito aquilo. Onde foi parar meu juízo? Sai da escola, entrei em meu carro e fui para casa, tentando afastar da mente qualquer pensamento sobre o professor Ravi. Ele fugiu de mim na noite passada, quando mencionei sobre a escola. Eu sei que os professores devem levar a sério seus trabalhos, mas ele saiu fugindo como se eu fosse uma doença contagiosa, e me deixou constrangida no meio de tantas pessoas.
Chegando em casa, decidi me distrair com outras atividades para afastar os pensamentos sobre o professor. Coloquei uma música animada, preparei um lanche leve e sentei-me no sofá para assistir a um filme. Queria relaxar e deixar de lado as preocupações do dia.
Enquanto o filme passava na tela, minha mente vagava entre os acontecimentos recentes. Por mais que eu tentasse me concentrar na trama, não conseguia evitar que flashes da conversa com o professor Ravi invadissem meus pensamentos. E aquele perfume, parece que ainda estava fresca em minha narina.
O olhar dele sobre mim ainda ecoava em minha mente, penetrante e cheio de significados. Seu modo de falar, tão protetor e ao mesmo tempo tão sedutor, deixou uma marca em minha memória. Por mais que eu tentasse ignorar, era difícil não ficar intrigada com a presença magnética dele.
Sacudi a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Não era adequado me deixar levar por impulsos ou fantasias. Ele era meu professor, e eu precisava manter uma postura profissional e focar nos meus estudos. No entanto, era difícil ignorar a faísca de atração que surgia sempre que nossos olhares se encontravam ou quando ele se aproximava com aquele jeito cativante e provocativo.
Respirei fundo, prometendo a mim mesma que manteria uma distância segura e não deixaria que essa atração interferisse em minha vida acadêmica. Afinal, eu tinha objetivos claros e não permitiria que nada nem ninguém os atrapalhasse.
— Minha querida, venha almoçar. Você chegou da escola tão calada, como foi seu primeiro dia de aula? — minha mãe Indagou parada na porta do meu quarto.
— Foi tranquilo mãe, nosso professor é outro.
— Novo professor? Olha que bom.
Não sei o que à de bom nisso. Tenho um professor que pega no meu pé, até nas roupas que eu visto. As outras garotas se vestem com roupas curtas como essa que vesti, até mais curta, e ele não vê, porque só pega em meu pé? Isso é estranho.
Senti meu rosto esquentar com o pensamento. Será que ele estava agindo assim por causa da nossa troca de palavras na festa? Eu tinha falado bobagem e até mesmo revelado algo tão pessoal quanto minha virgindade. Que vergonha!
No entanto, a ideia de que o professor Ravi estava se vingando de alguma forma parecia absurda. Ele era um profissional, afinal de contas. Talvez eu estivesse apenas exagerando, deixando minha imaginação correr solta por causa do desconforto da situação.
Sacudi a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Era melhor não tirar conclusões precipitadas e simplesmente manter minha postura na escola, e minha pontualidade. Independentemente dos motivos do professor, eu precisava focar nos estudos e evitar mais atritos.
