Capítulo 7 Casamento estratégico
🤍 Ravi,
Meu primeiro dia de aula como professor, e estou ficando completamente louco. Eu poderia voltar atrás e reconsiderar minha decisão, mas quando lembro que tenho que estar na cola daquela garota de língua solta e que fiz uma promessa ao pai dela, eu me aquieto.
Estando aqui no Texas, não tenho parado desde as horas que cheguei. Foi só sair de Paris que os problemas surgiram por lá, mas estou despreocupado porque Marcos está resolvendo tudo como pode. E claro, como havia prometido para ele, estarei na cola de Jade 24 horas por dia. Mandei meus seguranças darem um jeito de instalarem câmeras na casa dela, principalmente em seu quarto. Quero saber com quem conversa. O que ela faz não me interessa, só quero saber quem são as pessoas próximas a ela, já que corre perigo.
Nem mesmo aquelas amigas de balada são confiáveis, pelo menos do meu ponto de vista.
Peguei uma garrafa de uísque e meu cigarro preferido sabor menta, e me sentei em frente ao meu notebook. Liguei a tela e selecionei a câmera do quarto dela. Olhei para o relógio, que já marcava 22:00 da noite, e ela ainda não estava na cama.
Enquanto esperava que ela aparecesse na tela, acendi meu cigarro com um isqueiro.
Traguei a fumaça do cigarro e, em seguida, joguei minha cabeça para trás, soltando a mesma para o ar. De repente, escutei um barulho de porta e direcionei toda a minha atenção para o vídeo na tela do notebook. Jade acabara de entrar no quarto. Observei atentamente o momento em que ela começou a tirar toda a roupa. À medida que ela se despojou das peças íntimas, decidi encerrar a exibição e me levantei de uma vez da cadeira.
— Que droga — murmurei, soltando a respiração pesada que eu estava prendendo.
Com um misto de frustração e desconforto, caminhei até a janela, buscando um pouco de ar fresco para clarear minha mente. A imagem de Jade ao se despir permanecia gravada em minha mente, mas eu precisava me afastar daquela situação invasiva.
Eu não poderia continuar agindo dessa forma. Estava ultrapassando limites e invadindo a privacidade de Jade de uma maneira intolerável. Era hora de repensar minhas ações e encontrar uma maneira mais ética e respeitosa de estar de olho nela. Juro que eu não queria me aproximar daquela fedelha, mas não tem outro jeito.
Minha mente me levou até aquela noite da festa. Enquanto minha mente revisitava aquele momento, eu não podia deixar de me lembrar do estado bêbado de Jade. A lembrança de suas palavras, confessando que ainda era pura, ecoava em meus pensamentos. Isso significava que seu ex-namorado nunca a havia tocado? A possibilidade me deixava inquieto.
Recordo-me do extenso dossiê que havia lido sobre ela, revelando até mesmo seus gostos pessoais, como seu prato favorito. Cada detalhe sobre Jade estava meticulosamente documentado, mas ainda assim, havia lacunas em minha compreensão sobre sua vida e experiências. Era como se eu estivesse olhando para um quebra-cabeça, tentando juntar todas as peças para entender completamente quem ela era e o que a motivava.
No entanto, essa obsessão por conhecer cada aspecto da vida de Jade estava se tornando cada vez mais perturbadora. Eu precisava encontrar um equilíbrio entre protegê-la e respeitar sua privacidade e autonomia. E também sou um homem compromissado, tenho uma noiva à minha espera.
Com o celular tocando em cima da mesa, caminhei até lá para atender. Era minha futura noiva, Melry. Não hesitei em aceitar sua chamada de vídeo, ansioso para ver seu rosto e ouvir sua voz.
— Oi, amor! Que surpresa boa te ver! — Falei.
— Oi, meu querido! Senti sua falta hoje. Como foi o seu dia? — Ela indagou.
— Foi agitado, como sempre. Mas ver seu rosto agora me faz esquecer de todos os problemas. E o seu dia, como foi?
— Ah, foi tranquilo. Estive ocupada com os preparativos para o nosso noivado. Mal posso esperar para você voltar e me ajudar com tudo que ainda falta. — Me mostrou um sorriso tímido.
— Com certeza, amor. Mal posso esperar para estar aí e te ajudar em tudo que precisar. E você precisa de alguma coisa? se precisar de dinheiro, transfiro agora mesmo para sua conta.
— Não precisa vida, está tudo tranquilo. Só estou contando os dias para te ter de volta ao meu lado. Sinto tanto a sua falta.
— Eu também, meu amor. Mas logo estarei ai. Não se preocupe.
— Não vejo a hora de estarmos juntos novamente. Até logo, meu futuro noivo.
— Até logo, Melry. bjos....— Encerrei a chamada de vídeo.
Deixei meu celular de lado e me dirigi até o banheiro, precisava de um banho para relaxar um pouco. Após tomar um banho demorado, vesti-me com uma calça moletom e fiquei nu de camisa mesmo, odeio dormir com muita roupa. sentei sobre a cama fitando um ponto vazio no quarto, comecei a pensar nesse casamento.
Na máfia, os casamentos não eram movidos pelo amor, mas sim por conveniência e estratégia. Era uma escolha que precisava ser feita com cuidado, levando em consideração diversos fatores para ambas famílias.
Melry era uma escolha estratégica, uma aliança que poderia fortalecer nossas conexões e garantir nossa posição dentro da hierarquia da máfia italiana. No entanto, não podia ignorar o fato de que ela era uma mulher incrível, gentil e inteligente. Apesar das circunstâncias que nos uniam, havia uma parte de mim que se sentia grato por tê-la como minha futura esposa. Gratidão apenas.
Mas havia também um peso em meu coração, sabendo que nosso relacionamento não era baseado no amor genuíno. Era uma situação complicada, onde minhas emoções se misturavam com as exigências do meu papel na máfia. Eu me sentia dividido entre o dever e a necessidade de proteger Melry, e o desejo por um amor verdadeiro e autêntico. Ainda não encontrei uma mulher que me fizesse sentir o que o amor significa.
Enquanto me deitava na cama, olhando para o teto no escuro do quarto, uma sensação de resignação se instalou em mim. Eu sabia que tinha que cumprir com minhas responsabilidades, mesmo que isso significasse sacrificar meus próprios sentimentos. Era o preço que eu estava disposto a pagar pelo bem da família e pela segurança de todos aqueles que amava. Um preço completamente caro.
