Capítulo 4 Capítulo 4

Heloá se veste e desce para o jantar, e ao encontrar Cat, a amiga diz:

— Sua pele está diferente? Trocou o creme facial? Está com um brilho diferente! Já sei, trocou a base!

— Cat!

Heloá puxa Cat para um corredor curto que dá para uma janela e revela:

— Eu usei... e foi ótimo!

Aos sussurros, Heloá conta que, pela primeira vez, fez algo que a mãe sempre proibiu, e Cat vibra.

— Amiga... que bom! Agora você vai saber como reagir quando estiver na cama com seu marido!

— Fale baixo! Ninguém pode ouvir isso, sua maluca!

Cat olha para Heloá, um pouco triste, e desabafa:

— Que pena você voltar para os Estados Unidos. Não sei como vai ser ficar aqui sem você!

— Eu já estou tão acostumada a viver aqui, que ir para lá vai me deixar muito triste! Não me vejo tendo uma vida lá!

— Vamos aproveitar os últimos dias que nos restam para curtir nossa amizade!

E assim foram os últimos dias de Heloá ali, onde foi sua casa por tantos anos. Cat decidiu dormir no quarto da amiga nas últimas noites, e contou a ela, com mais detalhes, tudo o que viveu com Pietro, seu amado namorado — como se apaixonaram, e até onde esse sentimento os levou. Pietro tem vinte e oito anos e ama Cat intensamente. A cada fim de semana em que ela vai para a casa dos pais, inventa algo para fazer e passa as tardes ao lado dele.

Chega o dia da despedida, e Heloá não está bem. Já acordou chorando, pois sua estadia no internato chegou ao fim, e agora precisa ir embora para se casar com um estranho.

— Sua mãe e seu pai já estão falando com a reitora... amiga! Me liga todo dia, e quero chamada de vídeo!

— A vó Amélie já passou essa parte da manhã comigo, e essa última hora com você me fez muito bem! Vou fazer de tudo para vir passar pelo menos um mês aqui, com você e com a vó!

— Venha mesmo! Ou vou até os Estados Unidos te dar uma surra!

Elas sorriem uma para a outra e terminam a conversa com um abraço. Na saída, Heloá encontra os pais, e a mãe parece irritada.

— Duas malas só para cadernos, Heloá? Isso é sério?

— Mãe, não são cadernos, são diários! E não saio daqui sem eles.

— Mas por que não baixou um aplicativo de diário, como as jovens de hoje fazem?

— Nadyle! Deixe a menina! Não está vendo que ela está sofrendo por deixar as amigas?

— Tenho só duas amigas mais próximas, pai. E vou sentir muita falta delas.

Heloá entra no carro que os leva direto ao aeroporto. Embarca no avião, e quando aterrissa em Boston, sente falta imediata de tudo o que deixou em Paris.

— Pronto! Estamos finalmente em casa! Agora vá para o seu quarto e tome um banho. Tem um vestido te esperando; prenda o cabelo só do lado direito. Faça uma maquiagem leve, mas com um batom marcante, e não esqueça de deixar seus olhos em evidência! Hoje seu noivo vai se apaixonar por você!

— Mãe...

Sem vontade de discutir, Heloá apenas diz:

— Precisa ser hoje? Estou cansada da viagem!

— Você queria tanto conhecer seu futuro marido, e agora não quer ir? Pois vai. Te esperamos às dezenove horas em ponto, lá no carro.

Heloá sobe para o quarto e tranca a porta. Vê o vestido, as joias, tudo estendido sobre a cama. Ignora, vai direto para o banheiro e decide que precisa relaxar. Entra na banheira, se permite um momento só para si, e depois de um tempo termina o banho.

Ao se vestir, percebe que o vestido marca todo o seu corpo — os seios mais evidentes, a cintura fina realçando os quadris.

— O que a minha mãe pretende, me vestindo assim? Que seja. Estou pronta, vou descer.

Constantin, ao ver a filha assim, diz:

— Ela é a sua cópia, de quando você tinha essa idade, meu amor! Linda como a mãe!

— Nós caprichamos, não é, amor?

— Alguém vai me dizer por que estou vestida como uma acompanhante de luxo?

— Não fale besteira, Heloá! Vamos logo!

Nadyle entra no carro, e Heloá entra logo em seguida. Quando chegam à mansão dos Mattews, o coração de Heloá dispara — tudo ali é extravagante, e só agora ela se dá conta de que nunca havia visitado a casa da madrinha. Eles entram, e Francine vai ao encontro da família Miller.

— Minha linda afilhada! Que mulher linda você se tornou!

— Obrigada, madrinha...

Cayden também vai cumprimentar a afilhada, mas o noivo ainda não aparece, e ela tenta imaginar como ele é.

— Minha linda! Você é a cópia exata da sua mãe!

— Obrigada, padrinho!

Conduzem a família Miller até o meio da sala, e Heloá não vê muitas pessoas — nenhuma delas parece ser o noivo. Até que sua visão encontra um homem descendo a escada.

Os cabelos loiro-escuros, bem cortados, com uma franja curta caindo pelo lado esquerdo do rosto bem desenhado. Olhos azuis profundos, corpo com músculos definidos, mas não exagerados. Ele é alto, e Heloá, com apenas 1,62m, se sente ainda menor perto dele. Gael não tira os olhos dela, sempre sério, até que Francine vai até ele e diz:

— Essa é a Heloá, sua noiva!

Gael não fala nada, mas observa com atenção a reação dela ao vê-lo, e não esconde o interesse que sente.

— Meu filho, diga algo para sua noiva! — Cayden fala, tentando evitar que Francine e Gael discutam.

Gael olha Heloá de cima a baixo e caminha lentamente em sua direção. Quando para à sua frente, encontra os olhos curiosos dela e quase sussurra:

— Boa noite, Heloá.

Ele se afasta do mesmo jeito que chegou, e o perfume dele a deixa tonta.

— Esse será meu marido? Que homem lindo! Parece um deus grego! Pensei que ele iria querer me conhecer, ao menos um pouco...

Ninguém diz nada, e a noite segue, até que ela vê Gael se afastar em direção a uma parte da casa, olhando ao redor como quem guarda um segredo. Curiosa, Heloá decide segui-lo, escondendo-se quando ele olha para trás. Gael sai por uma porta, e quando Heloá a abre, encontra um lindo jardim — mas não consegue vê-lo em lugar nenhum.

Decide procurar por ele, e depois de uns quatro minutos começa a ouvir vozes vindas de uma parte do jardim, cercada por uma sebe alta. Ela se aproxima e ouve Gael dizer:

— Só mais um pouco, amor... isso... como você é perfeita...

Heloá caminha mais um pouco e não acredita no que vê: Gael está ali com uma mulher, os dois entregues um ao outro, num momento claramente íntimo. Seu corpo treme, e os olhos ardem de lágrimas contidas.

Ele encontra o olhar de Heloá por cima do ombro da mulher e não se afasta, continua o que estava fazendo, sem desviar os olhos dela

, até que Heloá sai correndo dali, desejando nunca ter visto aquilo. Ela grita:

— Eu não vou me casar com ele!

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