Capítulo 5 Capítulo 5
Heloá saiu correndo depois do que viu. Seu estômago se revirou, e ela só queria sumir. Quando chegou ao carro dos pais, percebeu que não tinha como ir embora sem eles. Foi então que ouviu a voz da mãe atrás dela:
— Minha filha? Aonde vai? E por que está chorando?
— Mãe! Não vou me casar com aquele homem promíscuo! Eu quero ir embora! Vou voltar para a França!
— Do que você está falando? Quem você pensa que é para me dizer que não vai se casar? Me dê um bom motivo!
— Ele estava se entregando no jardim com uma mulher loira! Eu vi! E ele me viu, mesmo assim continuou sem pudor algum!
— É normal esse tipo de coisa em despedidas de solteiro, minha filha. Ele vai ser fiel a você depois do casamento.
— A despedida de solteiro dele é hoje? É aqui? Ah, então me desculpe. Estou no lugar errado.
Heloá se vira e caminha em direção ao portão, e a mãe diz:
— Aonde pensa que vai? Essa festa de noivado ainda não acabou, e vocês precisam trocar as alianças!
— O que está acontecendo aqui? O Gael já está esperando ela para trocarem as alianças! — Francine fala para Nadyle, notando a agitação da afilhada.
— Não vou me casar com o seu filho, madrinha! Ele estava no seu jardim, se entregando a uma mulher loira! Não vou colocar meu destino nas mãos de um traidor infiel!
— O que está acontecendo? Estava esperando vocês lá dentro! — Gael aparece, fingindo inocência.
— Você é muito cínico! É como Lúcifer — um belo rosto, mas a alma ruim! Promíscuo!
— Gael... você estava com alguém no jardim?
— Mãe, eu nem fui ao jardim essa noite! Como poderia trair essa linda mulher na minha frente?
Heloá vai até Gael, decidida, em passos firmes, e dá um tapa no rosto dele, dizendo em seguida:
— Você está mentindo! E eu não quero me casar com você!
Gael se aproxima do ouvido de Heloá e sussurra:
— Prove que estou mentindo. E pode ter certeza: esse tapa eu devolvo quando estiver com você em nossa cama, querida futura esposa.
Heloá o esbofeteia novamente.
— O que eu te fiz, Heloá? Só tentei me desculpar por qualquer mal-entendido, e você me agride de novo?
— Chega, Heloá! Entre agora mesmo, mas antes se desculpe por bater no seu noivo! — Constantin, pai de Heloá, ordena, decepcionado com a atitude da filha.
— Nem que o senhor me obrigue, pai! Não vou pedir nada!
Heloá entra na mansão, já que não a deixam sair. Ao entrar, é puxada pela mãe até um quarto e trancada ali. Depois, vê a madrinha empurrar Gael para dentro também e dizer:
— Vocês têm uma hora para conversar e se entender! Volto aqui para ver como está indo a conversa, daqui a meia hora!
Francine sai, e Gael logo deixa a máscara cair ao falar com Heloá:
— Sim... você viu certo. Aquela é a minha namorada, que teve que ir embora por sua causa. Odiei você ter ido atrás de mim para ver o que eu estava fazendo. E, só para constar, eu não vou deixá-la.
— Eu mal te conheci, e você já é a maior decepção da minha vida! Não quero me casar com você!
— Eu também não quero me casar com você!
Gael observa Heloá andando de um lado para o outro. Ela tem um corpo muito atraente; o vestido preto de cetim deixa os seios evidentes, e o traseiro bem desenhado o incomoda de um jeito que ele não gostaria de admitir. Ele pede:
— Você poderia parar de andar e sentar num canto, já que ficaremos aqui por uma hora?
Irritada, sem vontade de olhar para ele ou ouvir sua voz, Heloá responde:
— Me obrigue.
Resposta errada. Ele a puxa e a deita na cama, e por mais que Heloá lute, o corpo dele se encaixa entre suas pernas, e ela sente, com desconforto, o quanto ele está excitado, ainda por cima dela.
— Sai, ou eu grito e digo que está tentando abusar de mim!
— Sabe que não seria má ideia. Mas você acha mesmo que alguém vai te ouvir? Se fizermos qualquer coisa agora, eles ficariam até felizes — já que querem tanto um herdeiro nosso.
— Sai... eu não quero você. Tenho nojo de você. Nunca vou me entregar para você!
— E disse a virgem que vai se casar comigo em poucos dias. Você vai ser minha, já que sua preciosa virgindade foi guardada para mim. Quer saber, acho que você nunca sentiu nada de bom antes, não é?
— O que... o que está fazendo? Pare, agora!
— Você é linda. Não esperava que fosse tão linda.
— Seu desgraçado!
Gael acaricia o corpo de Heloá, tentado a continuar, mas se controla.
— Você é realmente virgem... mas acho que vou deixar para a próxima.
Heloá sente um alívio, mas entra em pânico ao perceber que ele está prestes a ir além. Ela agradece a Deus quando ouve a mãe bater na porta:
— Espero que estejam indo bem aí! A Francine já vem abrir a porta!
— Vamos ao que interessa. Se você estragar meus planos, conto para todos que você não é mais virgem, e pode ter certeza de que vão acreditar em mim — já que tudo está a meu favor.
— Você não quer essa droga tanto quanto eu! Por que insistir em algo que nenhum dos dois quer?
— Por quê? Porque vou adorar tirar sua virgindade, já que foi guardada especialmente para mim, e depois te ajudo a se divorciar e ser feliz.
— Não perca seu tempo. Não vou te dar nada.
Gael, atrevido como sempre, diz:
— Se não fosse pela madrinha bater na porta, eu já estaria com você agora. Então não me teste, e não duvide de mim.
Ele se afasta depois de dizer isso, e logo Francine abre a porta. Vê Heloá sentada na cama e sorri ao dizer:
— Acho que vocês chegaram a um acordo, não é?
— As alianças precisam ser trocadas na frente dos convidados. Então, vamos logo...
Gael sai do quarto, e Heloá sente vontade de vomitar.
— Podem ir, preciso usar o banheiro! — diz ela, sentindo-se sufocada.
Eles saem, e ela se levanta, ajeita a roupa e tenta se recompor. Vai até o banheiro, deixa sair tudo o que estava preso em sua garganta, lava a boca, retoca o batom e se olha no espelho — sem reconhecer a imagem refletida ali.
Ao chegar à sala, Gael vai até Heloá, a puxa pela cintura, e ela diz:
— Tira a mão de mim, Gael!
— Vamos trocar as alianças agora, querida noiva.
— Deixa de ser falso!
Ele olha nos olhos dela e sorri — nem parece o mesmo homem que, minutos antes, quase a enlouquecia lá em cima. Coloca a aliança no dedo dela e a puxa para si, sussurrando em seu ouvido:
— Preparada para a noite de núpcias, minha apertada virgenzinha? Porque eu estou.
Ela coloca a aliança no dedo dele e o puxa pela gravata, para que ele a ouça bem, e diz:
— Espero que esteja preparado para ficar sem o seu amiguinho, Gael.
— Sua ameaça só me deixou mais tentado a fazer o que eu quero.
— Agora vamos ao que interessa: o casamento será em dez dias! — Francine, animada, nem percebe a tensão entre o casal.
