Capítulo 1 1
— Então, o que achou dos meus cabelos? — pergunto para Melinda assim que ela sai do banho.
— Uau, você ficou bem de cabelos castanhos! — Ela não esconde a sua surpresa. — A sua mãe já viu o que você fez com eles? — Dou de ombros, porém faço não com a cabeça. — Ela vai ter um troço quando perceber que você deixou de ser a loira fatal. — Brinca.
— Ela se acostuma. Eu não sou a primeira e nem serei a última pessoa a mudar o visual nesse mundo — ralho.
— E eu queria ser uma mosca só para ver a reação dela. — A garota solta uma risada escrota. — Eu tenho que ir, estou atrasada. A gente se vê a noite?
— Claro! Já combinei com as meninas na boate às vinte.
— Perfeito! Beijo amiga, e bom dia de trabalho pra você!
— Pra você também — grito de dentro do meu quarto. Apressada, eu ajeito a minha bolça no ombro, pego a mala executiva com uma mão e as chaves com a outra, e saio do apartamento direto para o elevador que dá acesso a garagem. Entro no meu carro, largo tudo no banco do carona e pego o trânsito logo em seguida.
Ah, desculpa a minha falta de educação! Deixe-me apresentar direito. Meu nome é Amanda Albuquerque e sou a filha mais velha de Gisele, e Guilherme Albuquerque que com certeza vocês devem conhecer de outras histórias. E se não os conheceram ainda, aconselho voltar ao início dessa série. E continuando, eu sou advogada assim como eles. Contudo, me dedico as causas familiares. Vocês sabem, divórcios, tutelas, heranças, essas coisas. Ah, e tenho o meu próprio escritório.
Por quê? É bem simples, eu quero crescer por mim mesma.
Por esse motivo uso o sobrenome Almeida de minha mãe e não Albuquerque do meu pai, e divido um apartamento no Leblon com minha amiga Melinda, ou Mel para os íntimos. Mel é minha amiga desde a faculdade, ela também é formada em direito, porém, trabalha para os meus pais na G&G ADVOGADOS. Na verdade, ela é mais uma espiã dos meus pais aqui dentro da minha própria casa. Entretanto, eu sempre consigo fazê-la seguir por meus caminhos, a final, eles são mais divertidos e mais excitantes. Enfim, assim eles nunca ficam sabendo de tudo o que rola nas noitadas e nos fins de semana.
Assim que adentro o shopping onde mantenho a minha agência recebo uma enxurrada de bom dia das pessoas que trabalham nesse lugar. É sempre a mesma coisa; bom dia! Bom dia! Bom dia… e acredite, respondo a todos com um belo sorriso no rosto. Como eu já esperava tenho um dia corrido no escritório entre reuniões, almoços corporativos e audiências, e no final, já estou ansiosa para sair de dentro dessas quatro paredes para curtir com os meus amigos.
— O que pretende fazer essa noite, gracinha?
Reviro os olhos ao ouvir a voz de Santiago, assim que ponho os meus pés para fora do escritório. Ele é um mauricinho da empresa que fica do lado da minha.
Bufo em resposta.
Só para vocês entenderem melhor esse meu lado da história preciso voltar um pouquinho ao início. Como já mencionei, mantenho um escritório dentro do Shopping Rio Sul, no terceiro andar. Logo que aluguei essa sala tive que acompanhar de perto a sua decoração e esse serzinho resolveu grudar no meu pé. Ele se aproximou, jogou uma conversa aqui e outra ali, trouxe lanchinhos e a cada dia tinha um convite diferente para me fazer.
Vê se pode?
Então descobri que ele é o gerente da loja de iPhones aqui do lado.
— Ou desculpa, Santiago, eu tenho um compromisso inadiável! — Faço uma cara de culpada, ele arqueia as sobrancelhas, porém, me abre um sorriso.
— Um dia você vai me dá uma oportunidade e eu estarei bem aqui te esperando. — Ele ralha, pressionando os lábios.
Vai sonhando, neném! Penso e me afasto para perto dos elevadores.
Entendam? Não é que ele seja feio, ou um chato, ou algo assim. Não é isso. Santiago é um homem estupidamente bonito e atraente. Ele é alto, ruivo, tem olhos verdes e um corpo atlético que é uma delícia. O problema, é que eu não suporto um chicletinho grudado no meu pé, e é isso que ele é, um cara pegajoso.
— Até segunda então! — Ele diz abrindo a porta do seu carro. Só então percebo que o homem ainda está no meu encalço.
Entenderam o que eu quis dizer, não é?
Aff, odeio chicletinhos e odeio ainda mais chicletinhos grudentos!
