Capítulo 2 2
Amanda
— Até lá, Santiago!
Ligo o motor do carro e pego o trânsito direto para o meu AP, e quando chego lá, largo as minhas coisas em cima da minha cama, me livro das minhas roupas e tomo uma ducha bem demorada. Faço a minha higiene bucal e visto uma lingerie pequena, rendada e vermelha. Minutos depois, Mel invade o meu quarto e os meus olhos passeiam pelo tubinho curto, e negro que abraça o seu corpo com perfeição. Contudo, os seus cabelos curtos estão uma bagunça linda e sexy, que fazem um contraste mais-que-perfeito com seu look gata fatal.
— Hu, você está vestida pra matar, amiga! — Ela exclama de olhando de alto a baixo.
— Sempre! — ralho, piscando um olho para ela atrás do reflexo do espelho, enquanto espalho um batom vermelho nos meus lábios.
— Tem um lápis de olho preto, o meu acabou e eu esqueci de comprar outro.
— Sim, está no meu estojo.
Aponto para a cômoda com espelho perto da janela e a observo caminha até o móvel. Ela pega a bolsinha e se senta no meio da minha cama, enquanto começo a arrumar os meus cabelos. No final, paro de frente para o espelho de corpo inteiro e aprecio o resultado. — Agora sim, estou pronta pra arrasar!
A boate essa noite está especialmente lotada e o som eletrônico parece abalar a estrutura do prédio inteiro, que estremece tudo debaixo dos nossos pés.
— Vou pegar a bebida. — Mel grita próximo do meu ouvido por conta da música alta. Em resposta, apenas meneio a cabeça e ela se afasta. Enquanto a minha amiga vai para um bar montado bem no meio do enorme e lotado salão, aproveito para descer as escadas, mantendo o ritmo da música e tentando me esquivar das pessoas pelo caminho, para chegar à mesa que sempre ocupamos nesse lugar. E quando isso acontece, encontro os nossos amigos com seus copos na mão, curtindo, conversando, e até zoando uns com os outros. De um lado, observo Giovana enfezada com algo que Andrey fez e do outro tem um casal que parece que vai se fundir um no outro. Entretanto, em um canto um tanto afastado está o Alex.
Alex Village é um grande amigo, quer dizer ele é mais que isso, é o meu melhor amigo, do tipo que troca confidências e que confia de olhos bem fechados. E não, ele não é gay. No entanto, percebo que tem algo errado com ele essa noite. Ainda é cedo e a noite está só começando, porém, o meu amigo já está meio pouco bêbado e parece que mal-humorado também.
— Oi! — cantarolo com um tom animado, mexendo-me na sua frente só para ver se muda esse seu clima tristonho, mas não, ao invés disso ele entorna a cerveja na boca.
— Fala aí! — Ele ralha com desanimo.
Perceberam, né?
Esse definitivamente não é o meu Alex, nem mesmo de longe.
— Você está bem? — Procuro saber, mas ele dá de ombros.
— Eu podia estar melhor.
Oh ranço! Que bicho mordeu esse homem, gente?
— Quer conversar? — Ele faz um não com a cabeça.
— Não quero falar sobre isso, Amanda. Quer dançar?
Mudança repentina de assunto, sério? É, parece que o momento não é para confidencias, então só nos resta dançar mesmo. Faço sim com a cabeça para ele e no ato, ele segura na minha mão, porém, no caminho pega um copo de uísque da bandeja de um garçom. Na pista de dança Alex para de frente para mim e começa a se mexer de um jeito lindamente comestível.
Porque sim, modéstia parte, o meu amigo tem um corpo que meu Deus do céu!
Não demora para a nossa dança tornar-se gostosa e quente, e logo percebo os olhos da mulherada cair em cima dele. As horas se avançam e a noite continua maravilhosa. Entretanto, Alex me parece bem pior que no início da noitada. Em algum momento ele me puxa para fora da pista direto para o bar e pede uma dose tripla de uísque, e para a minha total surpresa ele bebe como se fosse um reles copo com água.
Já chega!
Penso, o puxando para fora da boate e o ajudo a se encostar em uma parede. O conjunto tem um misto de embriaguez e de um garoto perdido, e juro que nunca o vi assim antes.
— Ei, vai me dizer o que está acontecendo? — Cobro.
— Não é nada, flor-do-campo — fala o meu apelido com a voz embolada. — Bora lá pra dentro, hoje eu só quero beber e curtir essa porra de noite! — rosna, tentando sair do seu lugar.
— Qual é, Alex? Somos amigos, não somos? Desde quando? — Ele dá de ombros.
— Desde sempre, flor — responde, revirando os olhos para mim e solta o ar de forma audível. — Mas eu não estou a fim de falar, ok? — Meneio a cabeça em concordância, a final, não vou conseguir nada com ele nesse estado.
— Tudo bem, mas como sua melhor amiga não posso deixá-lo beber nem mais uma dose essa noite.
— Não seja chata, Amandica! Eu vim aqui determinado a beber e eu vou beber a noite toda. — Ele tenta se afastar, porém, o pressiono contra uma parede, mantendo-o no lugar.
— Vai coisa nenhuma! — resmungo, encarando os seus olhos pesados. — Você vem comigo, eu vou te levar pra casa — ralho ríspida e o puxo pelo seu pulso. Destravo o meu carro e faço com que ele se acomode no banco do passageiro, passando o cinto de segurança em seguida. Em seguida, contorno o carro ocupando o meu lugar e dirijo direto para o seu apartamento. O caminho todo é feito em silêncio. Ele parece sonolento e um tanto pensativo também. Minutos depois, estaciono próximo a porta do seu prédio e o ajudo a descer. No ato, seguro na sua cintura e ele se apoia no meu ombro.
— Devíamos voltar para a boate. — Alex retruca, encostando-se na parede do elevador. Não o respondo, apenas o ajudo a entrar no corredor e passo o cartão-chave, abrindo a porta.
— Eu não quero dormir, Amandica! — Alex retruca igual uma criança quando o guio para o seu quarto. — Vamos para a sala e bebemos algumas doses lá.
— Nem pensar aprendiz de pinguço — rosno com humor e ele gargalha.
