Capítulo 4 4
Alex
A noite decido ir para a boate. Eu preciso preencher a minha cabeça com outras coisas, tenho que me divertir e curtir com meus amigos, isso me fará esquecer esse maldito fim de semana que está por vir por algumas horas, mas ao invés de seguir à risca a ideia que criei na minha cabeça acabei me isolando de todos e bebendo todas sozinho.
— Ei, Alex, vai ficar aí de bobeira, cara? Vem pra cá! — Ulisses me chama, porém, o ignoro. Não demora muito para Suzy se aproximar cheia de charme e toda sexy, se sentando no meu colo.
— Quer dançar um pouco, grandão? Eu adoro essa música!
— Hoje não dá, gata!
— Ah qual é, Alex? As meninas estão super a fim! — Ela ralha manhosa, fazendo-me olhar para pista de dança e vejo Kelly, e Mia dançando como duas gatas selvagens e uma delas faz um gesto com o indicador me chamando.
Olha se eu não tivesse com a cabeça tão cheia de álcool e a minha mente ligada em uma certa morena, que logo ficará noiva do meu irmão eu iria passar bem essa noite.
— Realmente não dá, Suzy. Hoje não vai rolar — A faço sair do meu colo e saio em seguida direto para o bar, e peço mais um copo. Me sento mais distante da mesa e vejo Amanda chegar perto da galera com sua costumeira alegria.
Amandica é a única mulher que surgiu na minha vida que com seu jeito extravasado conseguiu o que muita garota não consegue: o meu respeito. Com ela não tem meias verdades e não tem disse me disse. Ela é espontânea e é por isso que a tenho como a minha melhor amiga. E embora ela seja gostosa pra caralho, nada nunca aconteceu entre nós e tudo isso porque criamos uma regra: ninguém pega ninguém.
— Ei, o que foi aconteceu? — Ela pergunta praticamente gritando por causa da música alta. Não respondo, apenas a chamo para dançar e extravaso na pista com a minha amiga. Três músicas e meus pensamentos traidores me levam de volta para Ângela. Frustrado, resolvo voltar para o bar para encher a cara.
Na manhã seguinte…
A voz altiva de Littli Mix cantando Love Me Or Leave Me preenche os meus ouvidos e me forço a abrir os olhos. Com uma respiração profunda, seguido de um resmungo contrariado, o confisco no bolso do meu jeans e encaro o a linda imagem de Amanda brilhando na telinha, enquanto ela solta um beijo para mim.
— Oi, Amandica! — A atendo com um gemido de dor quando a minha cabeça parece querer explodir.
— Como você está? — Ela não esconde a sua preocupação e eu me deixo cair deitado no travesseiro, encarando o teto em seguida.
Ela quer saber o motivo de eu estar agindo assim. Porra o que eu vou dizer pra ela? Ah, não se preocupe Amandica, meu amor, eu só estou apaixonado pela garota que vai noivar com meu irmão nesse final de semana!
Rio da minha ironia.
— Estou bem!
— Você tem certeza?
— Eu estou… com um pouco de dor de cabeça. — Olho para as horas no relógio digital em cima do pequeno móvel, ao lado da minha cama. — Droga, eu preciso cuidar, Amanda, estou da hora! — Escuto o som do seu riso do outro lado da linha.
— Foi por isso que eu te liguei. Sabia que ia ficar apagado até mais tarde.
— Você é um amor, mas eu preciso correr, tchau! — salto para fora da cama, encerro a ligação e largo o celular de qualquer jeito, correndo para dentro do banheiro. Após uma ducha rápida, pego um comprimido na gaveta do balcão e o engulo no seco. Logo visto a primeira roupa que vejo e observo no espelho de corpo inteiro se falta alho. — A gravata! — Assim que chego na sala a campainha do meu apartamento começa a tocar, e vou imediatamente abrir a porta, encarando Alberto em pé na minha frente.
Suspiro.
— Nossa, você está péssimo! — Ele resmunga me analisando.
Não me fale! Penso irônico.
— O que está fazendo aqui tão cedo? — inquiro, enquanto me afasto da porta para lhe dar passagem e começo a arrumar a gravata no meu pescoço.
— Eu preciso da sua ajuda, irmão. — Volto a fitá-lo.
— Com o que? — procuro saber. Contudo ele se aproxima e assume a função de arrumar a minha gravata no meu pescoço.
— Eu vou noivar nesse sábado.
Reviro os olhos internamente. Me conte algo que eu não saiba. Ralho.
— É que eu preciso que me ajude a comprar um anel perfeito para Angel.
Oi?
Isso só pode ser uma puta sacanagem do destino! Ele quer mesmo que eu o ajude com isso?
— Eu… não posso! — Me afasto do meu irmão e termino de ajeitar a maldita gravata, olhando-me no espelho do bar de canto da sala de visitas.
— Como assim, não pode, Alex? — Alberto retruca e eu fecho os olhos buscando forças para contar-lhe a verdade sobre o meu passado com Ângela.
Covarde! Rosno para mim mesmo, voltando a encará-lo.
— Você é o meu irmão e eu u só posso contar com você!
— Alberto, eu realmente não posso. — A campainha volta a tocar e eu bufo irritadiço, indo atender a porta.
— Por que você não pode, me dê só um motivo para não fazer isso? — Ele cobra, vindo atrás de mim. No entanto, abro a porta e fito o doce e alegre sorriso da minha melhor amiga.
— Porque eu vou sair com a minha namorada. — Aponto na direção de Amanda e imediatamente um par de olhos claros me lançam um misto de surpresa e espanto.
— Namorada? — Alberto pergunta tão surpreso quanto ela.
— Isso. — A puxo para perto de mim, olhando-a com súplica, enquanto sorrio para a minha amiga.
Porra, sinto que vou infartar a qualquer momento.
— Você não me falou que estava namorando, irmão. — Ele abre um sorriso largo. — Ainda com a Amanda. — Dou de ombros.
— Estou falando agora. E, nós vamos passar o dia todo juntos. Me desculpe, eu já havia marcado com ela, então…
— Tudo bem, não quero atrapalhá-los. Podemos fazer isso amanhã, tudo bem pra você?
Por que ele simplesmente não desiste disso? Quer dizer, o presidente da Village deve ter um melhor amigo para essas ocasiões, certo?
— Ok, amanhã! — Me pego aceitando e recebo um sorriso feliz do meu irmão.
