Capítulo 1
Toda mulher sonhava em se casar com o homem que amava.
Eu também.
Casei-me com um homem por quem fui apaixonada durante doze anos, em nome da minha irmã, Caroline Archer...
Embora Caroline e eu fôssemos idênticas na aparência, fui enviada para um orfanato por negligência do hospital assim que nasci.
Só voltei para a família Archer há três anos.
Eu, uma garota criada solta, não me encaixava na grandiosa família Archer. Ainda assim, por ter crescido sem meus pais ao meu lado, eu era extremamente cautelosa, esperando conseguir me dar bem com todos daquela família e também conquistar o afeto dos meus pais.
Por isso, quando meus pais e Caroline me imploraram, anteontem, que me casasse com Patrick Cowell no lugar dela, aceitei imediatamente, sem hesitar.
Por um lado, porque eu amava Patrick Cowell. Por outro, porque era a primeira vez que eu sentia que minha família precisava de mim. E eu não queria decepcioná-los.
Já era meia-noite. Patrick saiu às pressas logo depois da cerimônia de casamento, sem sequer me dar uma explicação.
Olhando para o anel de diamante em minha mão, senti um amargor inexplicável, em silêncio.
Então ouvi, vindo de baixo, o som do motor de um carro sendo desligado, indicando que Patrick tinha voltado. Fui até o espelho, arrumei o cabelo às pressas e saí do quarto, nervosa.
Em seguida, desci as escadas.
Tirei um par de chinelos do armário de sapatos e esperei por ele na porta.
Quando vi Patrick entrar, pus no rosto um sorriso alegre, como uma esposa deveria fazer, coloquei os chinelos aos pés dele e chamei:
— Querido, você voltou...
Antes que eu pudesse terminar de falar, senti cheiro de álcool no ar, misturado com um perfume forte...
Não consegui evitar uma pontada de dor no coração.
Quanto aonde ele tinha ido naquela noite...
A resposta não poderia ser mais óbvia.
Mesmo assim, eu sabia qual era o meu papel: eu havia me casado no lugar da minha irmã. E a relação entre Patrick e eu tinha a ver com a cooperação entre a família Archer e a família Cowell.
Pensando nisso, ainda tentei sorrir, apesar da decepção no fundo do meu coração.
Ignorando a indiferença de Patrick, eu o segui escada acima e chamei:
— Querido.
Quando ergui os olhos, vi que Patrick já tinha tirado a camisa. Seus músculos firmes pareciam particularmente sensuais sob a luz ambígua do quarto.
Na mesma hora, corei e me virei depressa. Quando estava prestes a me desculpar, senti um braço forte vindo por trás de mim.
Antes que eu pudesse reagir, já tinha sido erguida. Quando percebi o que tinha acontecido, fui jogada na cama.
Embora a cama fosse macia, eu, que tinha caído de uma certa altura, senti uma leve dor nas costas.
Vi Patrick em pé ao lado da cama, olhando para mim de cima, com o rosto anguloso banhado pela luz da lua. Embora eu não conseguisse ver sua expressão com clareza, podia sentir a profunda indiferença em seu rosto.
No segundo seguinte, Patrick me perguntou de repente:
— Qual é o seu nome?
— Eu? — A pergunta me assustou. Mesmo assim, respondi: — Caroline, Caroline Archer...
Eu não era Caroline Archer. Meu nome verdadeiro era Charlotte Archer.
Mas eu não podia revelar meu nome verdadeiro.
Assim que respondi, Patrick se lançou sobre mim sem hesitar. Então agarrou meu cabelo com força com uma das mãos e me obrigou a encará-lo enquanto perguntava, palavra por palavra:
— Você é Caroline Archer?
Só então consegui ver seu rosto com clareza. Naquele momento, não havia o menor traço de calor em seus olhos profundos.
Em vez disso, havia apenas ódio, um ódio entranhado até os ossos.
Quando ele pronunciou o nome de Caroline, uma loucura inexplicável tomou por completo seus olhos negros como breu.
Era pleno verão. Mesmo assim, uma fina camada de suor frio cobria minha testa. E eu estava em pânico.
Com meu cabelo sendo puxado por ele, eu não conseguia desviar o rosto e só podia olhar para ele daquele jeito, fazendo o possível para assentir.
Ainda assim, por dentro, eu estava tomada por um nervosismo esmagador.
Quando Patrick viu que eu admitia, seus olhos ficaram cada vez mais frios. E ele disse:
— Já que você está aqui hoje, deveria saber disto: eu nunca fui uma pessoa gentil!
Assim que terminou de falar, ouvi o som do meu vestido vermelho sendo rasgado!
No segundo seguinte, ignorando completamente a minha resistência, Patrick entrou em mim diretamente...
