Capítulo 10

Com a lembrança do episódio da minha infância, quando Patrick não tinha dinheiro e não pôde ser socorrido, martelando na minha cabeça, eu não tive escolha a não ser ir para o hospital com a equipe do 911.

Depois de chegar ao hospital, ajudei Caroline a pagar o custo dos remédios e estava prestes a ir embora.

Quando cheguei à porta, fui parada por um policial. O casal do terceiro andar estava atrás dele.

A mulher apontou para mim e disse com firmeza:

— Foi ela. Foi ela que empurrou a garota escada abaixo.

O policial assentiu e me disse, num tom profissional:

— Olá. Por favor, venha conosco.

Embora eu não quisesse, eu também sabia que, mesmo que eu não fosse à delegacia hoje, teria que ir amanhã.

No caminho para a delegacia, o casal do terceiro andar foi junto comigo, e a mulher disse ao policial:

— Eu ouvi elas brigando feio. Depois, ouvi alguém gritando por socorro. E então a garota rolou escada abaixo.

Lisa morava no quarto andar. Quando me mudei para lá, ela me disse que a mulher do terceiro andar era enxerida, do tipo que adorava procurar defeito nos outros no dia a dia.

Naquele momento, ao ouvir aquilo, eu me expliquei imediatamente ao policial:

— Eu não briguei com ela!

Ao ouvir minha explicação, a mulher revirou os olhos para mim.

— E dá pra acreditar no que você diz? Vai dizer que não empurrou ela?

— Eu não empurrei.

Ela deu um sorriso de deboche e disse:

— Assassino sempre nega o que fez.

Eu enfatizei de novo:

— Eu não empurrei ela!

Eu sabia que estava em desvantagem e que ninguém acreditaria em mim.

Depois que cheguei à delegacia, terminei de prestar depoimento. A polícia também entrou em contato com a família Archer. A princípio, eu pensei que, pelo jeito como Jeremy e Gina resolviam as coisas, eles com certeza iriam querer me prender.

Mas eu não esperava que eles pedissem à polícia para me liberar.

Quando saí da delegacia, eu quase desmaiei de fome. Então encontrei uma casa de macarrão e comi lá. Depois de comer um pouco, recebi uma ligação do Patrick.

Eu sabia que Patrick com certeza ia falar comigo sobre a Caroline. E eu tinha certeza de que ele já tinha se convencido de que fui eu quem a empurrou.

O telefone tocou por um bom tempo antes de eu atender.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, eu falei primeiro:

— Sr. Cowell, a Caroline caiu sozinha. Eu não empurrei.

Depois que eu disse isso, houve silêncio do outro lado da linha. Depois de um longo tempo, ouvi o deboche de Patrick:

— Você acha que eu vou acreditar em você?

— Não, o senhor não vai.

Eu já sabia a resposta no fundo do meu coração.

Sem me dar nenhuma chance de explicar, Patrick disse:

— Só quero te dizer uma coisa, Charlotte Archer: se acontecer alguma coisa com a Caroline, além de te responsabilizar, eu também vou colocar abaixo o orfanato onde você já morou!

Depois disso, ele desligou na minha cara.

Eu fiquei sem ar.

Patrick era, de fato, um empresário poderoso, que sabia muito bem como explorar a fraqueza do inimigo.

Agora que eu tinha rompido com a família Archer e estava sozinha. Embora eu não tivesse medo de ele vir contra mim, ele ainda pensava em atacar o orfanato!

Liguei de volta, mas descobri que não dava mais para completar a chamada.

Ele bloqueou meu número.

Um pânico me invadiu. Eu não consegui comer mais nenhum macarrão. Fui direto ao hospital!

Quando cheguei ao hospital, o médico me disse que Patrick tinha transferido Caroline para o Hospital Holy Spirit.

O Hospital Holy Spirit era o hospital particular mais famoso da Cidade Y, onde havia um sistema de membros. Mesmo que alguém quisesse visitar um paciente lá, o paciente precisava avisar o hospital antes.

Eu sabia que, com certeza, não conseguiria entrar.

Mas Patrick tinha que trabalhar. Ele sairia de lá cedo na manhã seguinte.

A essa altura, já passava das duas da manhã. Eu fiquei de vigia no portão do Hospital Holy Spirit, agachei ao lado do muro ali no meio e, de vez em quando, pegava no sono por alguns instantes. Ao amanhecer, continuei vigiando a entrada.

Finalmente, vi o carro de Patrick saindo. Não me importei com mais nada e corri direto para ele!

O carro não vinha rápido. E parou assim que Patrick me viu.

Patrick desceu do carro. Eu quis me levantar e explicar a ele o que tinha acontecido ontem, aconselhando-o a não mexer com o orfanato. Mas eu senti uma tontura do nada. Tudo escureceu diante de mim e eu desmaiei!

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