Capítulo 1 CAPÍTULO 1

CLAIRE

Nunca imaginei que ficaria tão nervosa olhando para um teste de gravidez.

Eu estava sentada na beirada da banheira, com os pés descalços apoiados no tapete e as mãos apertadas sobre os joelhos. O pequeno objeto branco descansava sobre a pia, virado para baixo, como se isso pudesse mudar o resultado.

Eu já sabia o que deveria aparecer ali.

Mesmo assim, tinha medo de olhar.

— Claire, pelo amor de Deus! Já se passaram cinco minutos! — Madison gritou do outro lado da porta.

Fechei os olhos e soltei o ar devagar.

— Eu sei!

— Então olha logo!

— Você é péssima em acalmar alguém!

— E você é péssima em fazer as coisas que precisa fazer!

Apesar do nervosismo, deixei escapar uma risada.

Madison era minha melhor amiga desde a faculdade e tinha o péssimo hábito de achar que todos os problemas podiam ser resolvidos com uma boa conversa, uma taça de vinho e uma dose exagerada de sinceridade.

Naquele momento, eu daria qualquer coisa para ter metade da confiança dela.

Estiquei a mão, peguei o teste e virei o objeto.

Duas linhas.

Fiquei olhando para elas por alguns segundos, tentando entender o que sentia.

Alegria? Medo? Alívio?

Talvez tudo ao mesmo tempo.

A gravidez estava confirmada.

Eu seria responsável por carregar o filho de outra pessoa durante os próximos meses. Uma criança que teria uma família esperando por ela, um pai que já havia deixado claro o quanto desejava ser pai e um futuro que eu ajudaria a construir, mesmo sabendo que não faria parte dele da maneira tradicional.

Pelo menos, esse era o plano.

— Claire? — A voz de Madison ficou mais baixa. — Está tudo bem aí?

Abri a porta.

Ela estava parada no corredor, usando meu roupão azul e segurando uma caneca de café. Assim que olhou para o teste na minha mão, seus olhos se arregalaram.

— Meu Deus!

— Fala baixo!

— Você está grávida!

— Madison!

— Desculpa. — Ela colocou a caneca sobre a mesinha e me abraçou. — Eu estou feliz por você.

Apertei os braços ao redor dela.

— Eu também acho que estou.

Madison se afastou o suficiente para olhar meu rosto.

— Acha?

— É muita coisa para processar.

— Eu sei. Mas você tomou essa decisão porque queria. Não porque alguém obrigou você.

Assenti.

Ela tinha razão.

Eu havia pensado bastante antes de aceitar a proposta. Não era uma decisão que pudesse tomar por impulso, muito menos por causa do dinheiro.

Minha situação financeira, porém, pesou bastante.

Meu pequeno apartamento em Boston precisava de reparos, eu tinha algumas contas atrasadas e meu sonho de abrir um estúdio de design de interiores parecia cada vez mais distante. Eu trabalhava em uma empresa de decoração, gostava do que fazia, mas meu salário mal cobria todas as despesas.

A oportunidade de ser barriga de aluguel surgiu quando uma antiga colega comentou que conhecia uma agência especializada nesse tipo de processo.

No começo, achei que não seria capaz.

Depois, comecei a pesquisar, conversei com profissionais, passei por avaliações médicas e recebi orientação jurídica independente. Aos poucos, entendi como o processo funcionava e o que seria esperado de mim.

Não foi simples.

Ainda não era.

Mas eu havia tomado minha decisão com consciência.

E agora havia duas linhas diante de mim, confirmando que minha vida estava prestes a mudar.

— Você já contou para ele? — Madison perguntou.

Balancei a cabeça.

— Ainda não.

— Então deveria ligar.

Olhei para o celular sobre a cama.

Henry Montgomery.

Eu conhecia aquele nome havia algumas semanas, mas ainda não sabia dizer se gostava do homem por trás dele.

Tínhamos conversado algumas vezes por videochamada. Ele era educado, embora um pouco sério demais. Sempre aparecia com camisas impecáveis, o cabelo arrumado e aquela expressão de quem estava acostumado a tomar decisões sem precisar consultar ninguém.

A primeira impressão que tive foi a de que ele organizava até os próprios pensamentos em planilhas.

Henry queria muito ser pai.

Isso ficava claro sempre que falava sobre o assunto. Não era apenas uma questão de deixar um herdeiro ou continuar o nome da família. Ele realmente parecia interessado em participar da criação de uma criança.

Ainda assim, mantinha certa distância emocional.

Talvez fosse apenas o jeito dele.

Ou talvez não soubesse como agir diante de uma situação que não podia controlar completamente.

— Vou ligar — respondi.

Madison sorriu.

— Ótimo. E, quando terminar, vamos comemorar.

— Com suco de laranja?

— Eu estava pensando em panquecas.

— Isso não é comemorar.

— Para mim, é.

Ri e a acompanhei até a cozinha.

Enquanto ela preparava o café da manhã, peguei o celular e procurei o contato de Henry.

Meu dedo ficou parado sobre o botão de chamada por alguns segundos.

Eu estava prestes a contar a um homem que ele seria pai.

Mesmo que ainda faltassem meses para conhecer o bebê, aquelas palavras tinham um peso enorme.

Respirei fundo e liguei.

Ele atendeu depois do terceiro toque.

— Claire?

Sua voz era firme, um pouco grave.

— Oi. Você está ocupado?

— Tenho uma reunião em vinte minutos. Aconteceu alguma coisa?

Olhei para Madison, que fingiu estar muito concentrada na frigideira, embora estivesse claramente tentando ouvir a conversa.

— Fiz o teste esta manhã.

Houve uma pausa.

— E?

— Deu positivo.

Por alguns segundos, não ouvi nada do outro lado.

Cheguei a conferir a tela do celular para ter certeza de que a ligação continuava ativa.

— Henry?

— Estou aqui.

A voz dele havia mudado. Não muito, mas o suficiente para que eu percebesse.

— Você está bem?

— Estou. — Ele soltou uma respiração demorada. — Desculpe. Eu só precisava de um segundo.

Sorri novamente.

Pela primeira vez desde que o conheci, consegui imaginar aquele homem sério completamente sem palavras.

— Então... você vai ser pai — falei.

Ele soltou uma risada curta, quase incrédula.

— Vou ser pai.

Havia algo diferente em sua voz agora. Uma felicidade que ele parecia não saber esconder.

E, por algum motivo, aquilo me emocionou.

— Estou muito feliz, Claire — disse ele. — Mais do que consigo explicar.

Apoiei o quadril na bancada da cozinha.

— Fico feliz em ouvir isso.

— Quero que saiba que vou cuidar de tudo para que você tenha uma gestação tranquila. Os médicos, as consultas, a alimentação, o que precisar. Não quero que se preocupe com despesas.

— Obrigada. Mas eu também quero continuar trabalhando enquanto puder.

— Podemos conversar sobre isso.

Franzi a testa.

— Não entendi. Por que não poderia?

— Não foi isso que eu quis dizer. Só quero ter certeza de que você estará confortável e terá tempo para descansar.

A resposta fazia sentido, mas ainda assim alguma coisa em mim se incomodou.

Talvez porque eu estivesse acostumada a resolver meus próprios problemas.

— Henry, eu sei que você está pagando por todo o acompanhamento e que estamos seguindo um acordo. Mas isso não significa que eu tenha deixado de ser capaz de decidir as coisas por mim mesma.

O silêncio voltou.

Por um instante, achei que tivesse estragado aquele momento.

Então ele respondeu:

— Você tem razão.

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