Capítulo 2 CAPÍTULO 2

Pisquei, surpresa.

— Tenho?

— Não se acostume a me ouvir dizer isso.

Dessa vez, fui eu quem riu.

— Pode deixar. Vou aproveitar enquanto dura.

Ouvi a risada dele do outro lado da linha.

Talvez Henry Montgomery não fosse tão difícil de lidar quanto eu imaginava.

— Vou pedir para minha assistente entrar em contato com você — ele disse. — Precisamos organizar os próximos passos.

— Tudo bem.

— E, Claire?

— Sim?

Ele demorou um pouco para continuar.

— Obrigado por fazer isso.

A simplicidade daquelas palavras me pegou desprevenida.

Eu poderia ter respondido com alguma frase pronta, mas preferi ser sincera.

— Espero que você seja um bom pai.

— Eu também espero.

A ligação terminou pouco depois.

Fiquei olhando para o celular por alguns segundos.

Henry não havia feito grandes promessas, nem tentado transformar aquele momento em algo que não era. Mesmo assim, sua felicidade parecia verdadeira.

— E então? — Madison perguntou, colocando um prato diante de mim.

Sentei-me à mesa.

— Ele ficou feliz.

— Claro que ficou. Ele vai ter um filho!

— Acho que ainda está tentando acreditar.

Madison se sentou à minha frente e apoiou os cotovelos na mesa.

— E você?

Olhei para a própria barriga.

Ainda não havia nenhuma mudança visível. Eu continuava sendo a mesma Claire de ontem, com os mesmos problemas, os mesmos sonhos e a mesma vontade de construir algo que fosse meu.

Mas alguma coisa havia mudado.

Não apenas porque eu estava grávida.

Era a consciência de que, dali em diante, minhas escolhas teriam consequências diferentes. Eu precisaria cuidar de mim, prestar atenção ao meu corpo e seguir as orientações médicas.

E também aprender a conviver com a ideia de que aquela criança faria parte da minha vida de uma maneira muito particular.

— Acho que vou acreditar quando começar a sentir alguma coisa — respondi.

Madison sorriu.

— Então aproveite o café da manhã enquanto pode. Daqui a pouco, você vai estar comendo por dois.

— Não é assim que funciona.

— Eu sei. Mas gosto de irritar você.

Balancei a cabeça, rindo.

Eu ainda tinha muitas dúvidas, mas não queria passar os próximos meses vivendo com medo do que poderia acontecer.

Queria aproveitar a experiência, cuidar da minha saúde e guardar dinheiro suficiente para finalmente abrir meu estúdio.

Esse era o meu plano.

Henry teria seu filho.

Eu realizaria meu sonho.

Depois, cada um seguiria a própria vida.

Simples.

Naquela tarde, eu estava trabalhando em um projeto de decoração quando recebi uma mensagem da assistente de Henry.

Ela queria confirmar alguns dados e informar que ele gostaria de conversar comigo por videochamada naquela noite.

Respondi que estaria disponível às oito.

Às sete e cinquenta, tomei banho, troquei de roupa e arrumei o cabelo. Não havia motivo para me produzir, mas eu não queria aparecer diante dele com a mesma camiseta larga que usava para trabalhar em casa.

Às oito em ponto, a chamada chegou.

A imagem de Henry apareceu na tela.

Ele estava em um escritório amplo, com uma parede de vidro atrás da mesa. Ao longe, consegui ver montanhas cobertas de neve.

— Boa noite — falei.

— Boa noite, Claire. Como você está se sentindo?

— Bem. Um pouco cansada, mas acho que é o nervosismo.

— Você conseguiu falar com seu médico?

— Sim. Já recebi as orientações iniciais e vou seguir todas as recomendações.

Ele assentiu, parecendo satisfeito.

— Ótimo. Quero que tenha o melhor acompanhamento possível.

Conversamos sobre os próximos exames e sobre os cuidados que eu deveria tomar. Henry havia organizado tudo com a agência, mas fez questão de perguntar se eu tinha alguma dúvida.

Aquilo me deixou mais tranquila.

Até que ele mudou de assunto.

— Existe outra coisa que gostaria de conversar com você.

— Pode falar.

— Minha casa fica nos Alpes Suíços. Como você sabe, passo boa parte do ano lá. A propriedade tem espaço suficiente, uma equipe que cuida da casa e acesso a bons serviços médicos na região.

Esperei que continuasse.

— Pensei que talvez fosse melhor você passar a gestação lá.

Fiquei em silêncio.

— Na Suíça?

— Sim.

Olhei novamente para a tela, tentando entender se ele estava falando sério.

— Você quer que eu me mude para a sua casa?

— Temporariamente. Podemos discutir os detalhes e verificar se é uma boa opção para você.

Cruzei os braços.

— E por que isso seria melhor do que ficar aqui?

Henry pareceu esperar aquela pergunta.

— Quero acompanhar a gravidez de perto. Minha rotina é bastante movimentada, mas consigo organizar meu trabalho para passar mais tempo em casa. Além disso, você teria uma estrutura confortável, privacidade e apoio para as atividades do dia a dia.

Tudo parecia razoável... razoável demais.

— E onde eu ficaria?

— Na minha casa.

— Eu entendi essa parte. Quero saber onde ficaria dentro da sua casa.

Vi um pequeno sorriso surgir no rosto dele.

— Existe uma ala com quartos separados. Você teria seu próprio espaço, banheiro, sala e tudo o que precisasse. Não espero que compartilhe o quarto comigo, Claire.

Senti minhas bochechas esquentarem.

— Eu não estava pensando nisso!

— Claro que não.

Revirei os olhos.

Aquele homem tinha um talento irritante para me deixar sem resposta.

Ele recostou-se na cadeira.

— Não precisa aceitar, Claire. Quero que pense na proposta e me diga o que prefere. Se decidir ficar nos Estados Unidos, vamos organizar tudo para que continue recebendo o acompanhamento necessário.

Agradeci pela consideração.

Depois que encerramos a chamada, fiquei sentada diante do computador, olhando para a tela escura.

Os Alpes Suíços.

Uma casa luxuosa.

Um homem que parecia ter planejado cada detalhe da própria vida.

E eu, prestes a dividir os próximos meses com alguém que mal conhecia.

A ideia era assustadora.

Mas também despertava uma curiosidade que eu não queria admitir.

Peguei o celular e procurei imagens da região onde ficava a casa de Henry. Montanhas enormes, lagos, pequenas cidades e chalés cercados de neve apareceram na tela.

Era lindo.

Muito diferente de tudo o que eu conhecia.

Talvez aquela mudança me fizesse bem. Talvez fosse a oportunidade de sair da rotina, concentrar-me na gravidez e começar a planejar meu futuro com mais calma.

Eu ainda não havia tomado uma decisão.

Mas, naquela noite, antes de dormir, enviei uma mensagem para Henry.

EU: Podemos conversar novamente amanhã? Quero saber mais sobre a proposta.

A resposta chegou poucos minutos depois.

HENRY: Claro. Boa noite, Claire.

Sorri para a tela e deixei o celular sobre a mesa de cabeceira.

Suspirei e puxei o cobertor até o queixo.

— Isso vai ser complicado — murmurei para mim mesma.

Fechei os olhos e deixei que o cansaço do dia me vencesse.

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