Capítulo 4 CAPÍTULO 4
— Não é isso!
Madison começou a rir.
— Eu não disse nada.
— Você está pensando!
— Estou pensando que minha melhor amiga vai passar um tempo nos Alpes Suíços, em uma casa luxuosa, com um homem bonito e rico.
Fechei os olhos.
— Ele é o pai do bebê que estou carregando, não um possível namorado.
— Eu sei. E você também sabe. Mas isso não impede um homem de ser bonito.
— Você é impossível.
— E você está vermelha.
Olhei para minhas bochechas no reflexo escuro do computador.
Eu estava mesmo.
— Vou desligar.
— Espere! Quando você vai decidir?
Olhei para a lista sobre a mesa.
— Acho que hoje.
Madison ficou em silêncio por um instante.
Quando voltou a falar, sua voz estava mais suave.
— Seja qual for sua decisão, estou do seu lado. Só quero que você fique bem, Claire. Não se esqueça de que essa experiência também precisa ser boa para você.
Senti um aperto carinhoso no peito.
— Eu sei. Obrigada.
— E me prometa uma coisa.
— O quê?
— Se o senhor todo poderoso e bonitão Montgomery começar a agir como um idiota mandão insuportável, você vai me ligar imediatamente.
Sorri.
— Prometo.
Encerramos a ligação, e eu fiquei alguns minutos olhando pela janela do apartamento.
A cidade seguia sua rotina. Carros passavam, pessoas caminhavam apressadas e o céu estava coberto por nuvens cinzentas.
Eu gostava da minha vida, mesmo com todas as dificuldades.
Mas também sabia que estava na hora de fazer algo diferente.
E eu sentia que talvez aquela fosse a oportunidade que eu precisava.
Naquela tarde, liguei para Henry.
Ele atendeu enquanto caminhava por um corredor. Ao fundo, vi janelas enormes e uma paisagem que parecia ter saído de um cartão-postal.
— Claire? Aconteceu alguma coisa?
— Não. Na verdade, liguei para dar uma resposta.
Ele parou de caminhar.
— Estou ouvindo.
Respirei fundo.
— Aceito sua proposta. Irei passar os nove meses da gestação na Suíça, desde que tudo seja como nós conversamos.
O rosto dele se iluminou com um sorriso discreto.
— Fico feliz que tenha aceitado.
— Mas ainda tenho uma condição.
O sorriso desapareceu apenas o suficiente para que eu percebesse sua curiosidade.
— Qual?
— Quero conhecer a região. Não pretendo passar todo o meu tempo dentro de casa.
— Posso mostrar alguns lugares quando você chegar.
— Você?
— Algum problema?
— Pensei que estivesse ocupado demais para essas coisas.
Ele inclinou a cabeça, como se estivesse avaliando minha provocação.
— Vou encontrar tempo.
A maneira como respondeu me fez sorrir.
— Então temos um acordo.
— Temos.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
Era estranho pensar que, dentro de poucas semanas, eu estaria em outro continente, vivendo na casa daquele homem.
— Claire? — ele chamou.
— Sim?
— Quero que se sinta em casa. Sei que não será fácil deixar sua rotina, seus amigos e seu trabalho. Não espero que tudo seja perfeito, mas vou fazer o possível para tornar essa experiência tranquila para você.
Aquelas palavras me surpreenderam mais do que eu gostaria de admitir.
— Obrigada, Henry.
— Não precisa agradecer.
— Preciso, sim. Você está me oferecendo uma oportunidade que pode facilitar bastante minha vida.
Ele assentiu.
— Então espero que seja uma boa experiência para nós dois.
Nós dois.
A expressão ficou ecoando na minha cabeça depois que a chamada terminou.
Eu sabia que precisava manter as coisas claras. Henry era o pai do bebê, e nossa relação tinha limites definidos. Não havia motivo para transformar gentileza em expectativa.
Ainda assim, pela primeira vez desde que o conheci, fiquei curiosa para descobrir como ele seria pessoalmente.
Se era tão sério quanto parecia nas chamadas.
Se sorria com facilidade quando não estava trabalhando.
E se aquele jeito provocador era algo que reservava apenas para mim.
Balancei a cabeça, tentando afastar os pensamentos.
Eu estava indo para a Suíça por causa de uma gravidez, não para me envolver romanticamente com o homem que havia contratado meus serviços.
Precisava me lembrar disso.
Assim que a noite caiu, comecei a organizar minhas malas.
Separei roupas, documentos e alguns objetos pessoais que não queria deixar para trás. Também reservei um espaço para meu computador, meu caderno de projetos e os materiais de trabalho.
Eu não pretendia abandonar meus sonhos só porque passaria alguns meses fora.
Enquanto dobrava uma blusa, meu celular vibrou.
Era uma mensagem de Henry.
HENRY: Conversei com a equipe. Assim que os detalhes médicos e de viagem estiverem confirmados, enviaremos as informações para você revisar. Não faça nenhum compromisso antes de receber tudo.
Sorri.
EU: Pode deixar. E, por favor, não tente organizar cada minuto do meu dia.
A resposta chegou alguns segundos depois.
HENRY: Vou tentar me controlar.
Ri sozinha.
Talvez a convivência não fosse tão ruim quanto eu imaginava.
Coloquei o celular sobre a cama e voltei às malas.
Eu ainda não sabia como seria minha vida nos Alpes, nem quanto aquela experiência mudaria meus planos. Mas estava disposta a descobrir.
A gravidez seria temporária.
A oportunidade de realizar meu sonho era real.
Henry Montgomery seria apenas o homem com quem eu dividiria uma casa pelos próximos meses. Nada além disso.
Pelo menos, era o que eu tentava repetir para mim mesma, como se dizer aquelas palavras várias vezes pudesse impedir que as coisas saíssem do controle.
Nos últimos anos, aprendi que a vida nem sempre respeita nossos planos. Às vezes, basta uma única decisão para mudar tudo, mesmo quando acreditamos estar fazendo a escolha certa.
E agora eu estava prestes a atravessar um oceano, deixar para trás tudo o que conhecia e começar uma experiência que nunca imaginei viver.
Não sabia o que me esperava ao lado dele, mas tinha uma certeza: não queria complicações, muito menos sentimentos que pudessem tornar tudo mais difícil.
Eu só precisava cumprir o acordo, fazer o que tinha ido fazer e voltar para casa quando aqueles meses terminassem.
Pelo menos, esse era o plano.
E, sinceramente, eu torcia para que, dessa vez, a vida não resolvesse mudar nada no meio do caminho.
