Capítulo 5 CAPÍTULO 5
Eu estava começando a achar que fazer as malas para passar alguns meses na Suíça exigia mais planejamento do que organizar a minha própria vida.
Havia roupas espalhadas pela cama, sapatos perto do armário e uma pilha de documentos sobre a escrivaninha. Minha mala maior estava aberta no chão, quase cheia, enquanto a menor continuava vazia porque eu ainda não tinha decidido o que levar nela.
— Você sabe que não está se mudando para outro planeta, não sabe?
Olhei para Madison, que estava sentada na minha cama comendo biscoitos.
— Estou indo para outro continente.
— Um continente onde as pessoas também compram roupas, Claire.
— Eu sei disso.
— Então por que você está levando quatro casacos?
Peguei um dos casacos e o coloquei sobre a cama.
— Porque vou para os Alpes Suíços. Já ouviu falar do frio?
Madison olhou para a peça de lã em minhas mãos.
— Esse casaco parece capaz de sobreviver a uma era glacial.
— Ótimo. Era exatamente o que eu estava procurando.
Ela riu e voltou a comer.
Eu tentava levar aquela mudança com bom humor, mas a verdade era que estava nervosa. Nunca tinha passado tanto tempo longe de casa, muito menos em um lugar onde não conhecia praticamente ninguém.
Além disso, havia Henry Montgomery.
Desde nossa última conversa, eu havia descoberto algumas coisas sobre ele. Era dono de uma grande empresa de tecnologia, tinha negócios em diferentes países e possuía uma propriedade nos Alpes Suíços, onde costumava passar parte do ano.
Também descobri que era ainda mais rico do que eu imaginava.
As informações estavam espalhadas pela internet, acompanhadas de fotografias em eventos empresariais e notícias sobre seus investimentos.
Em quase todas as fotos, Henry aparecia sério, usando ternos impecáveis e cercado por pessoas que pareciam disputar sua atenção.
Eu não precisava pesquisar muito para entender que nossas vidas eram completamente diferentes.
Enquanto ele participava de reuniões milionárias, eu passava horas tentando convencer clientes de que uma sala pequena também poderia ficar bonita.
E, de alguma forma, agora eu estava prestes a morar na casa dele.
— Você já viu uma foto dele? — Madison perguntou de repente.
Parei de dobrar uma blusa.
— De quem?
Ela me lançou um olhar debochado.
— Do homem com quem você vai morar, Claire. Não acredito que ainda não tenha aprendido o nome dele.
— Henry Montgomery.
— Certo. Então?
Peguei uma camiseta e a coloquei na mala.
— Já vi algumas fotos.
Madison abriu um sorriso.
— E?
— E o quê?
— Ele é bonito?
Suspirei.
— Você realmente não tem nada melhor para fazer?
— Tenho. Mas isso é muito mais interessante.
Tentei ignorá-la, mas ela continuou me observando.
— Ele é bonito — admiti finalmente. — Satisfeita?
— Muito.
— Isso não significa nada.
— Eu não disse que significava.
A maneira como ela respondeu me fez desconfiar ainda mais.
— Madison, escute bem. Estou indo para lá por causa da gravidez. Henry é o pai do bebê, e nossa relação precisa continuar profissional.
Ela deixou o pacote de biscoitos de lado.
— Eu sei. E acho ótimo que você esteja pensando assim. Só não precisa fingir que ele é feio para provar que está levando tudo a sério.
Peguei um travesseiro e joguei na direção dela.
Madison se esquivou, rindo.
Por alguns minutos, voltamos a conversar sobre coisas simples. Ela me ajudou a separar os documentos, conferiu minha lista de roupas e fez questão de me lembrar de levar carregadores, medicamentos autorizados pelo médico e meus materiais de trabalho.
Quando terminamos, meu apartamento parecia ter sido atingido por uma pequena tempestade.
Mas as malas estavam prontas.
E eu também precisava estar.
Dois dias depois, recebi a confirmação de que os detalhes da viagem estavam organizados.
Antes de partir, tive uma consulta para verificar se estava tudo bem com a gestação e recebi orientações sobre os cuidados necessários durante a viagem. A equipe responsável também confirmou os próximos passos do acompanhamento médico na Suíça.
Eu queria fazer tudo da maneira correta.
A gravidez era parte de um acordo, mas isso não diminuía a importância de cuidar da minha saúde.
Na noite anterior à viagem, quase não dormi.
Passei horas pensando na minha vida em Boston, no trabalho que deixaria temporariamente e no estúdio que ainda sonhava em abrir. Eu tinha economizado durante meses, mas ainda precisava organizar muitas coisas antes de conseguir dar esse passo.
A remuneração prevista no contrato me ajudaria bastante.
Mesmo assim, não queria depender apenas daquele dinheiro. Meu objetivo continuava sendo construir algo meu.
Talvez passar um tempo longe da rotina me ajudasse a enxergar as coisas com mais clareza.
Pelo menos, era o que eu esperava.
Na manhã seguinte, Madison me acompanhou até o aeroporto.
Ela insistiu em carregar uma das malas, embora eu tivesse dito várias vezes que conseguia levá-la sozinha.
— Você vai me ligar quando chegar — ordenou.
— Vou.
— E vai me mandar fotos.
— Vou.
— E, se esse homem começar a ser insuportável...
— Vou ligar para você.
Ela sorriu.
— Ótimo. Estou vendo que aprendeu.
Nós nos abraçamos por um longo tempo.
Eu não queria chorar. Já estava nervosa o suficiente, e me despedir da minha melhor amiga tornava tudo mais difícil.
— Vou sentir sua falta — confessei.
— Também vou sentir a sua. Mas isso não é para sempre.
Assenti.
— Eu sei.
Madison segurou meus ombros e me olhou nos olhos.
— Aproveite essa oportunidade, Claire. Cuide de você e não se esqueça do que quer para sua vida. Não precisa resolver tudo agora.
Aquelas palavras me acompanharam enquanto eu caminhava em direção ao embarque.
Olhei para trás uma última vez e acenei.
Então respirei fundo e segui em frente.
Eu estava indo para os Alpes Suíços.
E não havia como voltar atrás naquela decisão sem, pelo menos, dar a mim mesma a chance de descobrir o que me esperava.
