Capítulo 09 “A proposta”
Damon narrando
Acordei exausto. Parecia que não dormia há séculos. As feridas ainda latejavam como se tivessem sido inflamadas por algum tormento invisível. E aquela coceira insuportável... Meu Deus.
Vesti um short preto, minha cor preferida, e coloquei uma camisa enquanto lutava para esconder o cansaço no meu rosto. Escovei os dentes rapidamente, tentando remediar a situação após uma noite agitada. Mas então fui até ela, Elena. Ela nunca saía dos meus pensamentos, nem mesmo durante o sono. Sonhei que estávamos em um jardim deslumbrante na Itália, e ela corria em minha direção, jogando-se nos meus braços, beijando-me apaixonadamente e dizendo que era só minha. E no fundo, eu desejava que isso fosse realmente verdade.
O que essa mulher tinha que me agitava de tal maneira? Era um enigma.
Meu tio apareceu, com seu olhar intimidador. Tenho certeza de que ele estava se perguntando por que eu ainda não tinha eliminado Elena. Ele queria que eu me livrasse dela sem hesitação, mas havia algo mais complicado em jogo. Algo que me afetava profundamente e me impedia de tomar o caminho mais fácil. Talvez, no fundo, eu não quisesse machucá-la. Ou talvez fosse a emoção e a paixão que ela trouxe para minha vida turbulenta, um fogo que me consumia e me fazia questionar tudo o que eu sabia.
Eu sabia que teria que confrontá-lo mais cedo ou mais tarde. Mas por enquanto, eu lutava com meus sentimentos conflitantes, tentando entender o que me mantinha ligado a Elena, mesmo sabendo que isso poderia colocar tudo o que eu conhecia em risco.
"Acordado, bambino?" ele disse, parando na minha frente.
"Fala logo, tio. O que você quer?"
"Fui ver a garota. Eu a vi. Ela tem os olhos da sua mãe e se parece muito com ela. Ela é bonita e atraente, mas vale a pena arriscar nossas vidas por mais uma mulher? Por que diabos você ainda não a matou? Se mulheres são o problema, posso arranjar as melhores prostitutas de Atlanta. É longe, mas vale a viagem."
"Tenho planos para ela. Vou me casar com Elena," eu disse com determinação.
"Você ficou louco? Você nem investigou quem é essa garota?"
"Não, mas ela me salvou. Se fosse inimiga, já teria me matado. Houve várias oportunidades. Precisamos nos casar para que eu possa mantê-la sob vigilância e garantir que ela não revele nada do que sabe. Não há necessidade de matá-la."
"Às vezes, você é tão ingênuo, Damon. Mas não se preocupe. Vou investigar ela, cada detalhe do passado dela. Se eu encontrar algo, eu mesmo cuido disso. Você não vai se casar com qualquer uma."
Revirei os olhos. Ninguém pediu a opinião dele.
"Eu sou o chefe da minha gangue. As decisões são minhas. Você toma as suas próprias decisões." Afastei-me, deixando-o para trás.
O hábito dele de tomar decisões por mim me irritava profundamente. Às vezes, eu quase esquecia que ele era um dos meus parentes vivos mais próximos.
Caminhei em direção a ela, dando passos lentos. Tenho que admitir, eu não queria vê-la naquela cela, mas regras são regras. Ela estava lá, deitada no chão, parecendo desolada, machucada e triste. Mas tudo bem. Se ela aceitasse o que eu estava prestes a propor, seria bom para nós dois. Ela precisava aceitar; na verdade, eu não gostava de receber um "não" como resposta.
"Olá, minha bela dama," eu disse. Ela estava de costas, com a cabeça apoiada nos joelhos.
"O que você quer?" ela falou sem me olhar.
"Vim aqui para te ver."
"Me deixe ir. Eu imploro. Só quero ir para casa imediatamente. Não vou te denunciar nem fazer nada contra você. Só quero minha liberdade agora."
Olhei nos olhos dela. Ela parecia assustada, com lágrimas se formando.
"Bem, eu vou te deixar ir," eu disse.
Ela me olhou como se perguntasse, "Você está falando sério?" e não mostrou nenhuma reação.
"Eu vou te deixar ir se fizermos um acordo. Eu te deixo ir se você se casar comigo. Simples assim."
Ela começou a rir sarcasticamente e a andar de um lado para o outro.
"Você deve estar louco, né? Concluí que você é completamente insano. Um idiota, um doente que se aproveita de uma mulher. Eu não vou me casar com você, você é um doente. Você é um mafioso perigoso, um criminoso, pelo que eu entendi."
"Vamos ver. E sim, eu sou um mafioso, o chefe de uma das gangues mais poderosas, descendente dos Corleones, e você adoraria ser minha rainha, eu sei."
Ela passou minutos me xingando. Ela me xingou com os piores nomes que conhecia e até me xingou em italiano, acredita? Eu gostei de ouvi-la me xingar. Amor ou ódio? Acho que era amor, sabe? Continuei a observá-la em silêncio. Finalmente, ela se cansou de me xingar, e foi então que eu falei.
"Tudo o que eu preciso é de um casamento falso. Não se preocupe, não precisamos ter três filhos, casar na praia, adotar um cachorro e fazer sexo. Bem, a última parte poderia ser um bônus do casamento. Eu adoraria te dominar na cama e ver você me obedecer."
"Eu nunca faria sexo com você," ela riu com ódio.
"Hmm? Eu te beijei aquele dia e percebi que você gostou. Confesso, você gostou," sussurrei no ouvido dela. "Nós teríamos feito ali mesmo se minha segurança não tivesse chegado."
"Nós nunca teríamos feito nada, Damon. Não seria estranho você querer fazer sexo comigo, mas é estranho pensar que um dia eu poderia retribuir."
As palavras dela doeram um pouco, mas eu sabia que no fundo era só um ato.
Elena era o objeto do meu desejo. Eu a queria para mim, queria domá-la, e estava disposto a me casar com ela para tê-la. Ela seria minha mulher, e eu a protegeria a qualquer custo.
Pessoas como eu não tinham tempo para sentir ou expressar emoções. Estávamos preocupados com negócios, exportações e quanto dinheiro estávamos ganhando por mês, ou até por dia. Eu tinha uma fortuna avaliada em bilhões, mas às vezes era cansativo ter tanto poder e atenção sem saber exatamente como usá-los.
Minha família sempre esteve envolvida com a Cosa Nostra. Eu nunca soube o que era ser pobre desde criança. Cresci com regras e valores. Se eu fizesse algo errado, tinha que pagar. Se eu visse algo errado, era minha responsabilidade denunciar. Meu pai, apesar de ser um mafioso, sempre respeitou e amou profundamente minha mãe. Era bonito ver o respeito que ele tinha por ela.
Elena ficou em silêncio, sem dizer mais nada. Eu esperei que ela respondesse à minha proposta irresistível.
