Capítulo 6 PRIMEIRO DIA
O prédio parece arranhar o céu, um monólito espelhado de poder, influência e dinheiro que reflete a luz fria e pálida da manhã.
É um monumento ao capitalismo, uma estrutura projetada para fazer qualquer pessoa comum se sentir minúscula.
Olho para o relógio digital no meu pulso. Quinze minutos para as sete da manhã.
No saguão colossal, onde o piso de mármore preto polido brilha tanto que reflete as lâmpadas de LED como se fosse um lago congelado, caminho em direção ao balcão de recepção.
— Entrego meu documento de identidade para a mulher perfeitamente maquiada e de postura ereta atrás da bancada, forçando-me a manter os ombros alinhados, tentando parecer muito mais segura e experiente do que a garota assustada que grita dentro de mim.
A recepcionista digita meus dados no sistema com unhas compridas e bem cuidadas. Ela ergue os olhos, avaliando minhas roupas, meus sapatos sem marca e a minha bolsa com uma expressão cautelosa, quase clínica.
— Você é a nova assistente do senhor Donovan Stewart? — ela pergunta, a voz modulada pelo treinamento corporativo.
Assinto prontamente, apertando a alça da bolsa com um pouco mais de força do que o necessário.
— Sim, sou eu, esse é meu primeiro dia.
Ela solta um suspiro audível, entregando-me o cartão magnético de acesso com um olhar que, se eu não conhecesse bem as pessoas, juraria que beirava a piedade pura.
— Vá direto ao setor de Recursos Humanos no vigésimo andar para assinar a documentação final e receber as diretrizes de segurança.
Depois, suba imediatamente para a presidência, na cobertura. E, por favor, não se demore em conversas. — O senhor Stewart está sem assistência executiva há quase uma semana… e o ambiente lá em cima está caótico.
— Ele anda incrivelmente irritado com os atrasos da auditoria. O humor dele hoje está consideravelmente pior que o normal. Esteja preparada.
Ótimo, perfeito meu patrão anda extrasado...
— Exatamente o que eu mais precisava para estabilizar os meus nervos periféricos: enfrentar um chefe bilionário, poderoso e furioso logo nas primeiras horas do meu primeiro dia de trabalho.
— Entendido, não vou me atrasar em nenhum setor. Obrigada pelo aviso.
— Seja bem-vinda ao campo de batalha, Sofia, você vai precisar de bastante resiliência e boa sorte.
Subo o mais rápido que minhas pernas permitem. O elevador expresso sobe com tanta velocidade que sinto meu estômago revirar ligeiramente devido à variação de pressão.
— No vigésimo andar, o processo no RH é puramente mecânico e desprovido de calor humano: assino as vias dos contratos de confidencialidade, recebo meu crachá definitivo com o logotipo dourado em alto-relevo da dinastia Stewart e sigo direto para o banco de elevadores privativos que dão acesso exclusivo à cobertura executiva.
Assim que as portas de metal escovado se abrem no último pavimento, o silêncio que me recebe é absoluto, quase solene.
— O carpete cinza-chumbo, espesso e macio, abafa completamente o som dos meus passos de salto baixo.
Caminho pela galeria de paredes decoradas com obras de arte abstrata até alcançar a antessala da presidência.
— Encontro a minha mesa de trabalho — uma estrutura imensa em formato de meia-lua, feita de madeira de lei escura com acabamento em vidro — e sigo até ela.
