Capítulo 7 O NOVO CHEFE
No entanto, quando meus olhos pousam sobre a superfície da mesa… eu sinto o meu coração falhar uma batida completa. O pânico frio sobe pela minha espinha.
— Meu Deus do céu… — o sussurro escapa entre os meus dentes cerrados.
O cenário é de um caos administrativo indescritível.
— Papéis confidenciais de transações internacionais estão espalhados sem qualquer critério de relevância. Pastas de relatórios fiscais misturam-se com correspondências pessoais ainda fechadas.
— O livro de registros de visitas está jogado de ponta-cabeça sobre o teclado do computador.
A agenda física de couro, que deveria ser o mapa do homem que comanda essa empresa, está completamente desorganizada, transbordando de pequenos papéis adesivos amarelos com anotações feitas à pressa e caligrafia quase indecifrável.
— Há menções a reuniões de acionistas rabiscadas em guardanapos de papel de um restaurante de luxo.
A última assistente executiva claramente não pediu demissão de forma amigável; ela simplesmente abandonou o posto em estado de desespero absoluto e deixou uma granada sem pino em cima da mesa para quem viesse depois.
O pânico ameaça fechar a minha garganta, mas eu cerro os punhos com força, cravando as unhas nas palmas das mãos para me forçar a focar no presente. Eu não posso falhar.
— Muito bem… respira, Sofia… foca… — digo a mim mesma em um tom quase inaudível, buscando uma estabilidade que não sinto. — É apenas celulose. São apenas papéis.
— Você passou os últimos quatro anos estudando e se preparando para organizar estruturas. Você sabe fazer isso melhor do que qualquer um deles.
—Guardo minha bolsa na gaveta inferior da mesa, trancando-a. Ligo o computador de última geração, cuja tela de alta definição ilumina a penumbra da sala.
Encontro a folha com as senhas de acesso à rede interna anotadas de forma extremamente negligente sob a borda do monitor e dou início ao trabalho.
— O puro instinto de sobrevivência assume o controle absoluto dos meus movimentos.
Se eu perder esse emprego por incompetência ou lentidão logo no primeiro dia, eu não tenho um plano B para recorrer.
— Não há poupança, nem herança, ou se quer uma rede de segurança, eu sou a ruína em pessoa.
Meus dedos voam pelas teclas com precisão cirúrgica.
— Começo a separar os documentos que exigem a assinatura imediata do presidente daqueles que podem ser arquivados ou direcionados para outras diretorias.— Decifro os rabiscos dos post-its um a um, cruzando os dados desencontrados com os e-mails não lidos que começam a piscar na caixa de entrada do sistema do senhor Stewart, reorganizo o fluxo de trabalho.
— Desfaço horários de reuniões que entravam em conflito direto, confirmo as presenças dos diretores regionais, bloqueio intervalos estratégicos na agenda para que ele possa respirar entre as tomadas de decisão e crio uma planilha visual simplificada, dividida por cores de urgência.
O tempo ao redor simplesmente desaparece. O mundo exterior deixa de existir e se resume à textura das pastas azuis, ao peso dos relatórios e à luminosidade do monitor à minha frente.
— Estou concentrada de uma forma que há muito tempo não ficava. Cada folha alinhada é um passo para longe da pobreza.
Quando finalmente coloco o último clipe de metal no canto do relatório final de auditoria e alinho as canetas de tinto em uma simetria perfeita ao lado do telefone IP de última geração, solto um suspiro longo, encostando as costas na cadeira ergonômica de couro.
— Pronto, está feito, nossa mas estava muito desorgada essa agenda.
A mesa está absolutamente imaculada. Nenhuma folha está fora do esquadro.
— No centro exato do tampo de vidro, repousa o cronograma do dia, impresso em folha timbrada, detalhado minuto a minuto.
Olho para o relógio digital no canto inferior direito da tela do computador, as nove horas em ponto.
Exatamente no mesmo segundo, o sinal sonoro do elevador privativo ecoa pelo andar.
—As portas de metal deslizam com um sussurro mecânico quase imperceptível.
E então, ele entra no ambiente.
— Donovan Stewart, ele é um homem lindo.
A atmosfera na antessala parece mudar de densidade de forma instantânea, tornando-se mais pesada, mais eletrizante.— Ele é consideravelmente alto, mais do que as fotografias das revistas de economia faziam parecer.
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