Capítulo 3
Passo meus dias na escola tentando evitar o Jace. Por sorte, só tenho uma aula com ele, e é no último período: Sala de Estudo. Na maior parte do tempo, eu mato essa aula, porque estou tão adiantada nas matérias que os professores nem me enchem por sair. Hoje foi como qualquer outro dia; atravesso os corredores depressa, evitando as áreas em que eu sei que o Jace costuma ficar. Às vezes dou sorte e consigo, e às vezes não.
Prestando atenção por onde ando, ziguezagueando pelos corredores e me mantendo alerta ao que acontece ao redor, de repente sinto uma mão apertar com força meu braço. Sou puxada para dentro da sala de Artes, agora vazia, e jogada contra a parede. A fechadura faz um clique e, quando a pessoa se vira na minha direção, dou de cara com um par de olhos verdes. Jace está com um sorrisinho no rosto enquanto me examina de cima a baixo. Normalmente ele me enfia contra os armários, me dá rasteira e até rouba minhas coisas, jogando de um lado pro outro com os amigos, brincando de “pega-pega” com elas como se fossem crianças. Mas isso... isso é um novo fundo do poço até pra ele.
— O que você quer, Jace? — tento soar irritada, mas minha voz falha no fim, me entregando.
— Onde você ficou se escondendo o dia inteiro, Ella? — ele cruza os braços diante do peito e olha para mim de cima. Eu tenho uns vinte centímetros a menos do que ele, então estou sempre tendo que erguer o rosto.
Reviro os olhos.
— Eu não estava me escondendo. Eu só quero chegar nas aulas no horário.
No instante seguinte, o peito largo do Jace está bem na frente do meu rosto.
— Você acabou de revirar a porra dos olhos pra mim? — ele rosna, e meu coração dispara.
Droga, eu devia ter sabido que não podia provocar ele assim! Da última vez ele me avisou o que ia acontecer, mas... ele realmente faria? Olho ao redor da sala, procurando algum jeito de fugir, e é aí que vejo os dois melhores amigos dele a poucos passos, com sorrisos idênticos. Toby e Brandon são dois dos caras populares da escola — e dois dos maiores babacas também. O Jace começou a andar com eles pouco depois de terminar comigo; o que ele enxerga neles, eu nunca vou entender. Agora, ele virou um deles.
— Desculpa, Jace. Eu não quis... — abaixo a cabeça quando o vejo erguer o braço, achando que ele vai me bater. Em vez disso, ele agarra minha nuca e me leva até a carteira mais próxima.
— Eu te disse que você seria punida se voltasse a revirar os olhos pra mim, não disse? — ele me dobra sobre a carteira até minha bochecha ficar pressionada contra a madeira. — Me responde, Ella. Eu não te avisei?
— S-sim, você avisou, Jace, mas...
— Sem “mas”, Ella. Se eu não cumprir minha palavra, você nunca vai me obedecer. — ele faz um gesto para os dois amigos se aproximarem. — Segurem os braços dela e garantam que ela fique no lugar.
— Por favor, Jace... você não precisa fazer isso! — eu imploro. — Eu prometo que vou te obedecer de agora em diante... eu juro!
A mão dele desce para acariciar meu cabelo.
— Ah, Ella... eu sei que você vai me obedecer, porque eu vou te mostrar o que acontece quando meninas levadas não escutam. — a voz dele é calma quando fala comigo, mas então ele empurra meu rosto ainda mais contra a carteira e se afasta, indo ficar atrás de mim.
Eu não consigo ver nem ouvir o que o Jace está fazendo atrás de mim, mas consigo ver o Toby, que segura meu braço esquerdo e meu ombro para baixo, assentir para o que quer que o amigo esteja comunicando a ele. Uma lágrima escorre do meu olho direito enquanto eu continuo curvada nessa posição humilhante, esperando ele começar. Não sei o quanto vai doer, mas sei que não vai ser nada bom.
Sinto a ardência da mão dele antes mesmo de perceber que ela estava descendo. Eu me ergo na ponta dos pés para tentar escapar, mas uma mão pressiona minha lombar, impedindo que eu me mexa. O lugar onde a mão dele encontrou minha bunda já queima — e aquele foi só o primeiro.
— Conta em voz alta, Ella — Jace ordena, mas eu ainda estou chocada demais para dizer qualquer coisa. Ele puxa minha cabeça para trás pelo cabelo e se inclina tão perto do meu rosto que eu consigo ver os pontinhos dourados no meio do verde dos olhos dele. Algo passa entre nós quando nossos olhares se encontram, mas dura menos de um segundo, e então os olhos dele endurecem de novo. — Eu disse pra contar!
—U-Um.
Ele segura meu cabelo por mais alguns segundos antes de voltar para trás de mim. Baixando a mão mais uma vez, faço questão de contar cada uma. Vacilo na quinta, porque foi mais forte que as outras, mas logo digo o número. Na décima palmada, minha bunda está pegando fogo e formigando, enquanto a dormência ameaça tomar conta.
—Por quê, Jace? Por que você me odeia tanto? —As lágrimas agora descem com força quando faço a única pergunta que nunca teve resposta. —POR QUÊ? —Eu grito quando ele me ignora e baixa a mão mais uma vez.
—Eu não te devo explicações, Ella. —A respiração dele está pesada de tanto me bater. —Só saiba que foi você que fez isso, sozinha!
A mão dele desce em sucessão rápida, despejando toda a agressividade que tem na minha pobre bunda. Quando começo a gritar, uma mão cobre minha boca, abafando o som.
De repente, tudo para, e eu sou solta, mas não me mexo; não consigo me mexer. Ouço o clique da fechadura e, então, a porta se fecha. Ainda assim, eu não me movo. Sinto a ardência que a mão dele deixou, mas há outra coisa que eu sinto também. Não entendo por que estou me sentindo assim depois do que ele fez. Parece errado e bom ao mesmo tempo. É normal sentir formigamentos lá no fundo? Agora sinto uma necessidade que só senti algumas vezes antes; uma necessidade que eu tive que resolver sozinha.
Um gemido escapa dos meus lábios quando vou me levantar, e vira um grunhido quando meu traseiro castigado esbarra em alguma coisa. Viro a cabeça num tranco, e Jace ainda está em pé atrás de mim. Não consigo ler o rosto dele e, neste momento, eu nem quero. Eu só quero ir para casa e me esconder debaixo das cobertas até não sentir mais a humilhação pela qual Jace e os amigos dele acabaram de me fazer passar. Não quero ser punida de novo, então pergunto antes de simplesmente ir embora.
—Posso ir agora? —Não encontro forças para encarar o rosto dele por mais tempo, então baixo a cabeça.
—Não. Ainda não terminei com você, Ella. —A voz dele está calma agora, embora não tenha um pingo de emoção. —Desabotoe seu short e se incline sobre a mesa de novo.
As palavras dele chamam minha atenção, e eu ergo a cabeça de supetão.
—O-O quê?
—Você ouviu, Ella. Não vou repetir.
—Mas você não pode...
Ele me corta com um grunhido:
—Você claramente não aprendeu a lição! Talvez mais algumas marcas de mão resolvam. —Ele me vira de volta e empurra entre minhas omoplatas até meu peito ficar achatado sobre a mesa. —Não se mexa, porra, até eu mandar!
O jeito como ele me ordena que fique parada me dá um medo do caralho, então decido obedecer, mesmo surtando com o que ele vai fazer.
—Por favor, não faz isso, Jace! Desculpa... seja lá o que eu fiz no passado, me desculpa! —Não consigo impedir as lágrimas de voltarem a cair.
Eu solto um grito quando ele puxa meu short jeans para baixo, só um pouco além das minhas nádegas. O ar frio do ar-condicionado me dá arrepios, mas também alivia o calor na minha bunda ardendo. Ouço Jace remexendo em algo na mochila dele, e então ouço o estalo de uma tampa se abrindo. Meus olhos se arregalam com o que eu acho que ele está prestes a fazer, e tento me levantar num pulo, mas ele está ali para me bloquear.
—Você realmente não escuta, né? Eu. Disse. Não. Se. Mexa. Porra. —Ele me empurra para baixo de novo e, dessa vez, mantém a mão entre minhas omoplatas.
Sinto uma substância fria escorrer por cada lado.
—Eu nem deveria estar fazendo isso —ele começa a esfregar o que pingou em mim na pele, ajudando a tirar o calor—, mas eu peguei pesado com você. Da próxima vez, me obedeça, e nunca vai ficar tão ruim assim.
As mãos dele são boas enquanto massageiam a substância, parecida com um gel, na minha pele. Ele é muito cuidadoso ao alternar de um lado para o outro. Depois a mão desce mais, até onde eu sento, e continua massageando. Eu nem penso no que ele pode estar vendo; tudo em que consigo me concentrar é na sensação das mãos grandes dele em mim. Acho que devo ter gemido, porque ele faz uma pausa por um momento, antes de eu sentir os dedos dele abrindo minhas nádegas.
