Capítulo 6
Acabei de terminar o jantar com a minha família quando peço licença. Corro para o meu quarto e olho pela janela para ver se o Jace está em casa. O jipe preto dele está estacionado na entrada da garagem, então pego meu celular e digito uma mensagem rápida.
EU: Podemos conversar?
Aperto enviar e espero. Não recebo nada de volta por pelo menos dez minutos e, bem na hora em que acho que ele vai me ignorar, meu celular apita.
JP: Por que eu iria querer falar com você?
EU: Por favor, é importante!
JP: O que eu ganho com isso?
Sério? Que babaca! Encosto na cama, mordendo o lábio inferior enquanto penso no que dizer. Meu celular apita de novo.
JP: Não tenho a noite toda, Ella. Alguns de nós têm vida, sabia!
EU: Ok... estou pensando!
JP: Você acabou de gritar comigo?
Droga! No que eu estava pensando?!
EU: Não, eu prometo!
JP: Gritando e mentindo pra mim, ts, ts. Amanhã você vai ver.
EU: Por favor, Jace... me desculpa!
JP: Ah, você vai se desculpar mesmo! Agora, o que você queria?
EU: Dá pra gente se encontrar um minuto? É sobre a minha irmã.
JP: Tá. Vem aqui, mas anda, eu tenho que ir a um lugar.
EU: Ok, obrigada.
Ele nem se dá ao trabalho de responder, então pulo rápido da cama e corro escada abaixo. Não tem ninguém por perto quando vou direto para a porta, e eu agradeço por isso, porque, se tivesse, eu teria que dizer para onde estou indo. A última coisa de que preciso é a minha mãe dizendo para eu convidar o Jace para entrar. Ela costumava pensar nele como um segundo filho e ficou triste quando ele parou de aparecer.
Quando saio pela porta, paro por um instante. Vou entrar na casa do meu valentão; no que eu estou pensando? Olho para o lado e vejo que a porta da garagem deles está aberta, e que o carro da Sra. Palmer está lá dentro. Suspiro, aliviada. Com a mãe dele em casa, eu devo estar segura, então acelero o passo para ele não ficar com raiva de mim por demorar.
Aperto a campainha e espero. Meu coração dispara quando a porta se abre e eu vejo o Jace parado ali, sem camisa. Ele está com uma camiseta na mão, então devo ter pegado ele bem na hora em que estava terminando de se vestir. Ele olha a rua para cima e para baixo e então faz um sinal com a cabeça para eu entrar. Ele está com vergonha de me ter na casa dele?
Meus olhos ainda estão no peito nu dele quando a voz dura chama minha atenção.
— Que porra você precisa falar comigo?
Quase faço uma careta quando ele puxa a camiseta por cima da cabeça, mas disfarço na mesma hora.
— Hum, minha irmã me contou que você convidou ela pra sua festa.
— Sim, e daí.
— O que você pretende fazer com ela?
— Acho que isso não é da sua conta. Sua irmã já é grandinha. — Ele abre um sorriso de canto e pisca para mim, mordendo o lábio inferior. Ele quer que eu entenda que as intenções dele são ruins sem precisar dizer isso em voz alta.
— Por favor, Jace. Você pode fazer o que quiser comigo, mas, por favor, deixa a Elise em paz. Ela é inocente. Ela nem sabe o que você faz comigo todos os dias. — Eu imploro com as palavras e com o olhar, mas isso só faz ele sorrir de canto ainda mais.
— E o que é que eu faço com você todos os dias, Ella?
— Você sabe o que faz, Jace. — sussurro, baixando os olhos para o chão.
— Olha pra mim quando a gente tá falando! — ele rosna, esperando até eu encarar direto os olhos dele. — Agora, me diz o que eu faço com você.
— Jace, eu... — O que ele quer que eu diga? Ele sabe exatamente o que faz comigo dia após dia.
De repente, estou prensada contra a porta da frente, com a mão dele na minha garganta. Ele não está me tirando todo o ar, mas está tornando mais difícil respirar. Minhas mãos vão na hora para a mão dele no meu pescoço, e eu tento puxar, mas ela não se mexe. Ele se aproxima até eu sentir a respiração dele no meu rosto quando fala.
— Qual é o problema, Ella? Está com medo de eu te machucar?
— Por favor... — eu ofego.
Ele baixa a cabeça até a curva do meu ombro e inspira fundo.
— Mm, você cheira tão bem. Eu não queria nada mais do que te amarrar e provar cada centímetro de você. — Ele se afasta. — Mas, então, acho que você já está acostumada a ter caras te provando, não está?
Eu encaro ele, confusa.
— Não, eu...
“CALA A PORRA DA BOCA!” Os olhos dele passeiam pelo meu corpo antes de voltarem a encontrar os meus. “Talvez esteja na hora de eu ter a minha vez, hein. E aí, Ella, o que você me diz?” A mão dele afrouxa um pouco. “Vou garantir que sua irmãzinha fique segura na minha festa, desde que você prometa me obedecer em tudo.”
“SIM! E-eu prometo!”
“Estou falando sério, Ella. Você vai fazer tudo o que eu mandar, não importa o quê, não importa quando, não importa onde. Se voltar atrás com a sua promessa, não só vai ser punida severamente, como eu vou punir a Elise também, e depois vou deixar meus amigos se divertirem com ela.” Ele abre um sorriso maligno. “O Toby e o Brandon estão doidos pra fazer um ménage nela desde o primeiro dia de aula. Sorte a sua que eu protegi ela deles — e de qualquer outro macho desta escola.”
Meu Deus, ele enlouqueceu completamente! O Jace que eu conhecia já era; no lugar dele existe esse pervertido doente que ama mandar e se sentir poderoso. O que eu digo para a proposta dele? Se eu não aceitar, quem sabe o que vai acontecer com a Elise na festa, mas se eu aceitar…? Eu sei que não devia. Eu devia correr pra longe e nunca mais olhar pra trás, mas quando ele me encara fundo nos olhos, não importa que tipo de monstro ele seja: meu corpo e meu coração ainda vão querer ele. Meu coração se lembra e ainda ama o amigo e o garoto que ele costumava ser, mas meu corpo está gritando pelo monstro em que ele se transformou. As palavras dele e o jeito como às vezes ele me machuca me enchem de uma necessidade que só ele consegue satisfazer.
Antes que eu perceba o que estou fazendo, eu estou assentindo. “Tá bom, Jace. Combinado.”
O sorriso de canto some do rosto dele. Ele deve ter achado que eu ia recusar.
Ele solta um riso de desprezo. “Você é uma vadia tão tarada assim, a ponto de deixar alguém fazer o que quiser com você?” Um olhar de nojo atravessa o rosto dele, e ele tira a mão do meu pescoço.
“Não, mas eu vou fazer o que for preciso pra proteger a minha irmã. Mesmo que isso signifique vender a minha alma pro próprio diabo.” Eu me apoio na porta, com a mão na garganta.
“Talvez eu devesse te levar pro meu quarto e te ensinar a não falar comigo desse jeito.” Ele invade meu espaço de novo e, com uma mão ao lado da minha cabeça, eu sinto a outra escorregar entre as minhas coxas. “Ou simplesmente te ensinar aqui mesmo.”
“Jace, sua mãe pode ver!” Eu dou um gritinho e tento empurrar a mão dele.
“Cala a boca, Ella! A mãe não tá em casa, estamos sozinhos. Nunca mais tenta empurrar minha mão quando eu tocar em você.” Ele me fuzila com o olhar enquanto começa a se afastar de novo. “Você já tá quebrando a sua promessa. A festa vai ser bem divertida…”
Eu agarro o pulso dele. “Não, me desculpa! Eu só achei que sua mãe estivesse em casa.” Então eu deixo as mãos ao lado do corpo, permitindo que ele me apalpe de novo.
Mas a mão dele não volta praonde estava antes. Em vez disso, ele a leva pra cima e desenha círculos de leve ao redor do meu mamilo por cima da blusa. Eu sinto endurecer e preciso de todo o meu controle pra não gemer. Ele aproxima o rosto do meu, me encarando nos olhos o tempo todo.
“Não conta pra ninguém sobre o nosso acordinho. É o nosso segredinho, Ella.” Ele espera eu balançar a cabeça, entendendo, e justo quando eu acho que ele vai me beijar, ele morde meu lábio inferior ao mesmo tempo em que belisca meu mamilo entre os dedos. Eu mordo a língua pra não dar a ele a satisfação de me ouvir gritar. “Ah, acho que eu arrumei uma putinha da dor.” Eu choramingo. “A gente vai se divertir muito juntos, Ella. Quero você na sala de Artes na última aula amanhã.”
“T-Tá bom, Jace.” Eu tento me concentrar no que ele está dizendo, mas meu mamilo ainda está preso entre os dedos dele.
Ele olha para a própria mão e, devagar, solta. Eu sinto todo o sangue voltar pro meu mamilo, e preciso fechar os olhos e morder a língua de novo por causa da dor que vem com o alívio. Afastando-se de mim mais uma vez, ele abre a porta, indicando que eu tenho que ir embora. Eu passo pela soleira, mas a voz dele me interrompe, e eu olho por cima do ombro para ele.
“Lembra: sala de Artes… última aula. Ah, e não esquece: é o nosso segredinho.” Ele fecha a porta antes que eu consiga responder.
