dores de cabeça

Este capítulo é do ponto de vista de Amelia.

Cada amanhecer nesta terra desconhecida trazia consigo uma sensação de estranheza e desconforto. Enquanto o sol pintava o céu com seus tons dourados, minha mente estava envolta em uma névoa de preocupação e ansiedade.

"Amelia, você está bem?" Bethany perguntou, preocupada, ao observar minha expressão aflita.

"Sim, só uma dor de cabeça... Acho que vai passar logo," respondi, tentando mascarar o turbilhão de pensamentos que me assombravam.

O sol estava se pondo lentamente no horizonte, pintando o céu com uma mistura de laranja e rosa enquanto eu me sentava ao lado de um riacho sereno nos arredores da vila. Tudo ao meu redor parecia imerso em uma calma reconfortante, mas dentro de mim, uma tempestade implacável rugia.

"Às vezes, Bethany... Às vezes, é como se eu pudesse esquecer tudo. Esquecer por que estou aqui, por que deixei minha casa para trás..." confessei, sentindo uma pontada de dor atravessar minha mente como uma lança afiada.

De repente, uma dor intensa explodiu na minha cabeça, como se mil martelos estivessem furiosamente batendo no meu crânio. Minha visão ficou turva, e uma onda de náusea me envolveu, fazendo-me dobrar de agonia.

"Amelia! O que está acontecendo?" A voz preocupada de Bethany ecoou nos meus ouvidos, mas eu mal conseguia ouvi-la através da névoa de dor.

Tentei me levantar, mas minhas pernas se recusaram a obedecer, como se estivessem petrificadas pelo sofrimento que me consumia por dentro.

"A dor... é insuportável..." murmurei, lutando para manter a consciência enquanto lágrimas inundavam meus olhos.

Bethany se ajoelhou ao meu lado, segurando minha mão com força, seu rosto expressando uma mistura de preocupação e impotência.

"Vou chamar o Antony! Ele vai ajudar," disse, sua voz soando distante enquanto ela corria rapidamente para buscar ajuda.

Enquanto eu lutava contra a dor agonizante, um sentimento de desespero me envolveu, deixando-me perdida em um mar de tormento físico e emocional. Mesmo nos momentos de alívio que este lugar me proporcionava, a lembrança de casa sempre se transformava em uma ferida aberta, infligindo uma dor lancinante que parecia interminável.

O chão de pedra fria parecia sugar o calor do meu corpo enquanto eu jazia ali, imóvel, envolta em uma névoa de dor e confusão. Cada respiração era um esforço, cada pensamento uma luta contra a tempestade que se formava na minha mente. Eu me agarrava desesperadamente à escuridão que ameaçava me envolver, tentando ignorar a sensação de impotência que me dominava.

No entanto, mesmo na escuridão, eu podia ouvir o eco distante dos passos de Bethany, sua voz carregada de urgência enquanto buscava ajuda. Cada batida do meu coração parecia sincronizada com o ritmo lento e pesado dos meus pensamentos. O tempo parecia se estender infinitamente, alongando-se como uma sombra sobre minha consciência.

Então, como um raio de luz perfurando a escuridão, a porta rangeu ao se abrir com um gemido rouco, e passos pesados se aproximaram de mim. Esforcei-me para levantar os olhos, lutando contra a tontura que ameaçava me derrubar a cada movimento. As vozes ao meu redor eram apenas murmúrios distantes, indistintos e irreconhecíveis, como se viessem de um mundo distante.

"Amelia? Amelia, você está me ouvindo?" uma voz suave e preocupada rompeu a névoa, cortando o silêncio com sua urgência.

Forcei minhas pálpebras a se levantarem, encontrando o rosto preocupado de Bethany pairando sobre mim. Seus olhos castanhos estavam cheios de ansiedade, suas feições torcidas pela preocupação.

"Antony..." minha voz saiu como um sussurro rouco, mal audível até para mim mesma. Queria dizer mais, mas as palavras pareciam se perder na tempestade que devastava minha mente.

A escuridão fechou-se ao meu redor mais uma vez, envolvendo-me em seu abraço implacável. Agarrava-me à consciência com força desesperada, determinada a não sucumbir ao desconhecido que me cercava.

****Algumas horas depois

Acordei na penumbra, meu corpo ainda latejando de dor, enquanto tentava me orientar naquele ambiente desconhecido. A escuridão era densa, mas gradualmente meus olhos se ajustaram à luz fraca, revelando contornos sombrios ao meu redor. Fileiras de camas se estendiam ao lado da minha, formando filas silenciosas em um espaço que parecia ser algum tipo de enfermaria.

Um arrepio percorreu minha espinha ao perceber a situação em que me encontrava. Aquilo não era o conforto familiar da casa de Bethany; eu estava em um lugar estranho e desconhecido, talvez até em algum tipo de hospital medieval. Meu coração disparou no peito enquanto pensamentos confusos giravam em minha mente.

Minha mente entrou em modo de pânico. Estava tão desorientada que comecei a rezar para qualquer divindade que pudesse estar ouvindo, implorando para ser poupada de tratamentos médicos medievais. "Por favor, não deixem que me curem com sanguessugas!" pensei em desespero, quase rindo da absurdidade da situação em que me encontrava.

Imagens sombrias e aterrorizantes giravam em minha mente, alimentadas pelo medo do desconhecido e pela incerteza do meu destino. Só podia esperar que minhas preces fossem ouvidas e que alguma forma de proteção divina estivesse ao meu lado naquele momento de desamparo e vulnerabilidade.

Sentia-me como se estivesse afundando em um abismo de desespero, perdida em meus próprios pensamentos tumultuados, quando de repente, uma presença rompeu a escuridão, rasgando a densa cortina de incerteza que envolvia minha mente. Era Antony, o guarda real, cuja figura imponente agora se destacava na penumbra do quarto, seus olhos cinzentos emitindo uma preocupação genuína que eu nunca havia testemunhado antes.

Seu comportamento não era mais de autoridade rígida ou sarcasmo habitual; agora, estava marcado por uma expressão de verdadeira apreensão. Por um momento, nossos olhos se encontraram, e uma onda de alívio me inundou. Era como se sua presença trouxesse um fio de esperança, perfurando a escuridão com uma leve luz de conforto.

"Você está bem?" sua voz soou, carregada de genuína preocupação, ecoando suavemente no quarto escuro.

Virei-me para ele, um suspiro de alívio escapando dos meus lábios antes que eu pudesse contê-lo.

"Eu... acho que sim. Não tenho certeza..." murmurei, as palavras saindo em um sussurro trêmulo, mas agradecido.

Senti suas mãos gentis na minha cabeça, como se estivesse verificando minha condição, e suas palavras preocupadas ecoaram no silêncio do quarto. Então, com um toque de humor em meio à tensão, brinquei,

"Por acaso, além de guarda, você é médico?" provoquei, tentando forçar um sorriso mesmo enquanto a fraqueza me dominava.

Seus olhos reviraram em resposta à minha tentativa de humor, mas ele repetiu a pergunta com uma autoridade que não podia ser ignorada. No entanto, em vez de responder diretamente, escolhi desviar o assunto, fazendo uma observação sobre sua expressão séria habitual.

"Ah, finalmente!" murmurei com um suspiro fingido de alívio. "Aquele olhar autoritário. Sabe, aquele que você faz tão bem."

Antony levantou uma sobrancelha, visivelmente intrigado com minha resposta.

"Que olhar?" ele questionou, sua voz soando ligeiramente confusa.

"Sabe, aquele olhar intimidador que todo guarda real parece ter patenteado." Ri, embora o riso logo se dissolvesse em uma careta de dor.

Encontrei-me olhando para Antony por um tempo considerável, algo que raramente fazia. Sua expressão estava envolta em pensamentos, como se ele estivesse procurando uma resposta para algo que o intrigava profundamente. Notei seus olhos, dilatados como os de um predador farejando sua presa. Era como se ele estivesse analisando cada detalhe, cada aspecto, em busca de algo que escapava ao meu entendimento.

Depois de alguns momentos de silêncio tenso, Antony finalmente quebrou o impasse, decidindo buscar ajuda de uma enfermeira. Sua voz soou firme, mas ainda carregava uma leve nuance de preocupação.

A enfermeira entrou no quarto com uma expressão séria, seus olhos varrendo o ambiente em busca de sinais de necessidade. Ela se aproximou de mim com uma mistura de eficiência e compaixão, uma figura reconfortante em meio à incerteza que me cercava.

"Parece que você levou um bom susto, querida," ela começou, sua voz suave transmitindo calma. "Antony me disse que você não está se sentindo bem. Vou cuidar de você agora."

Sua presença era reconfortante, mas suas palavras, embora gentis, não transmitiam muita esperança para alguém acostumada à medicina moderna.

"Vou preparar um chá de ervas que ajudará a acalmar seus nervos e reduzir a dor," ela continuou, sua voz soando como uma brisa suave de tranquilidade. "Depois disso, você deve descansar e ser monitorada."

Com um senso de urgência, expressei minha preocupação à enfermeira:

"Eu não posso simplesmente ficar na cama. Tenho muito a fazer no castelo, e meu salário já é apertado. Se eu não trabalhar, não vou conseguir me sustentar..."

Minha mente estava em turbilhão, pensando em todas as consequências financeiras e profissionais que minha ausência poderia trazer. Mas antes que eu pudesse mergulhar em todas as possibilidades, Antony voltou ao quarto, sua presença trazendo um raio de esperança.

"Não se preocupe," ele disse, com uma calma que contrastava com a urgência que eu sentia. "Você vai ficar na minha casa."

Olhei para ele, atônita, incapaz de compreender suas palavras. A ideia de ficar na casa de Antony era surpreendente, inesperada e, de alguma forma, reconfortante. Mas por que ele faria isso por mim? A pergunta pairava no ar.

A atmosfera no quarto ficou tensa enquanto Antony e a enfermeira trocavam palavras. Eu me sentia como uma espectadora em uma cena de novela, observando cada gesto e expressão com uma intensidade quase palpável.

A enfermeira olhou para Antony, seus olhos refletindo confusão e preocupação. Ela respirou fundo antes de falar, suas palavras pesando no ar como presságios sombrios.

"Antony, querido... Sei que não é da minha conta o que você faz da sua vida, mas... Você sabe como as coisas funcionam por aqui. Você não é mais aquele garotinho que brincava de caçar na floresta e que vinha aqui pedir favores quando se machucava..."

Ela fez uma pausa por um momento, escolhendo cuidadosamente suas próximas palavras, enquanto eu prendia a respiração, esperando a resposta de Antony.

"Você cresceu," ela continuou. "E sabe que, por mais nobre que seja seu gesto, não será bem recebido pela vila..."

Antes que ela pudesse terminar, Antony a interrompeu com uma firmeza surpreendente, suas palavras ecoando no quarto.

"Não importa o que eles vão pensar," ele disse firmemente. "Ela é minha responsabilidade. E como homem, não posso ser irresponsável."

O cansaço pesava em meus ossos enquanto eu me deitava na cama da enfermaria, envolta pela penumbra que inundava o quarto. Antony havia ficado para trás, lidando com os detalhes e burocracias em torno da minha situação, e eu estava grata por um momento de silêncio para recuperar minhas forças.

No entanto, mesmo com o cansaço me envolvendo como um manto, havia uma frase que ressoava em minha mente como um eco persistente: "Ela é minha responsabilidade." As palavras de Antony reverberavam na minha cabeça, dançando entre meus pensamentos, impossíveis de ignorar.

O que isso significava, exatamente? Eu era responsabilidade dele agora? Ele realmente se importava comigo mais do que eu imaginava? A incerteza girava em minha mente como um redemoinho, deixando-me inquieta e incapaz de encontrar paz.

No entanto, antes que eu pudesse encontrar uma resposta para minhas perguntas, o cansaço finalmente me alcançou, envolvendo-me em seu abraço gentil e arrastando-me para a escuridão reconfortante do sono. Mesmo com todas as dúvidas e preocupações, eu sabia que, por enquanto, precisava descansar.

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