Capítulo 4 Assinatura

Ao longo dos anos, se o Grupo Johnson não estivesse ajudando o Grupo Thomas o tempo todo, o Grupo Thomas já teria sido engolido pelos concorrentes há muito tempo.

Por isso, a postura do Mason e da Harper diante do Michael foi ficando cada vez mais humilde.

Eles passaram da dignidade de quem é mais velho para a humildade de quem está pedindo um favor.

Hoje, não sei se foi porque eu irritei o Michael, mas o Mason e a Harper estão aqui há quase duas horas e, mesmo eu tendo pedido ao Echo para avisá-lo de que eles tinham chegado, ele ainda não saiu da capela.

É como se ele estivesse fazendo o Mason e a Harper esperarem de propósito.

A Harper pareceu perceber alguma coisa e perguntou, preocupada:

— Evelyn, eu vi uma notícia ontem dizendo que a Alice tem um “patrocinador”. Não mostrava a frente, mas por trás parecia um pouco com o Michael. Aquele homem... não é o Michael, é?

Meu coração deu um pulo, e meus olhos arderam tanto que eu quase chorei.

Nesse instante, o Echo veio apressado e disse:

— O sr. Johnson chegou!

A chegada do Michael interrompeu a pergunta da Harper.

Ele estava tão educado quanto sempre, mas com um ar de superioridade por baixo da polidez.

— Mãe, pai, desculpem fazer vocês esperarem.

Soltei um suspiro baixo, aliviada. Pelo menos ele não dificultou as coisas para o Mason e a Harper, nem os constrangeu.

— Não, a gente acabou de chegar. Estávamos conversando com a Evelyn, nem esperamos tanto! — disse o Mason.

— Se você tiver trabalho para terminar, vá em frente. A gente fica bem aqui conversando — completou a Harper.

Eu abaixei a cabeça.

— Vamos jantar, mãe.

À mesa, o Michael se sentou na cabeceira.

O Mason, a Harper e eu nos sentamos, um de cada lado dele.

O Mason hesitou, observando com cuidado a expressão do Michael.

— Michael... tem uma coisa que eu queria te pedir...

A postura do Mason estava quase humilde a ponto de se rebaixar.

O Michael disse, com calma:

— Eu sei. O Grupo Thomas teve alguns problemas recentemente. Não se preocupem com o dinheiro. Você trouxe o contrato?

O Mason respondeu depressa:

— Sim, sim, eu trouxe.

O Michael disse:

— Eu assino depois e peço para a Evelyn te entregar amanhã. O dinheiro cai na conta do Grupo Thomas até, no máximo, sexta-feira.

Com uma única frase, ele deixou o Mason e a Harper tranquilos.

O alívio apareceu no rosto dos dois, e eles agradeceram repetidas vezes.

— A Evelyn é minha esposa. É meu dever ajudar quando a família Thomas está passando por dificuldade.

A Harper tinha um jeito direto e nunca enrolava. As palavras dele dissiparam completamente a desconfiança que ela tinha levantado antes.

Ela sorriu:

— Ver você e a Evelyn se dando tão bem me deixa tranquila! Ontem eu vi a notícia do “patrocinador” da Alice e achei que era você! Fiquei tão preocupada que nem consegui dormir a noite toda!

Assim que a Harper terminou, o rosto do Michael e o meu endureceram. Eu tratei de mudar de assunto.

Depois que eles foram embora, eu coloquei o acordo de divórcio que eu tinha preparado como a última página do contrato e levei tudo para o escritório.

No escritório, o Michael estava sentado diante do computador, resolvendo e-mails de trabalho.

A luz amarela e quente delineava com nitidez os traços frios dele. Eu costumava gostar de vê-lo assim, tão concentrado e sério.

Suspirei baixinho, aproximei o contrato e disse:

— Este é o contrato que meu pai pediu para eu te entregar para assinar. Por favor, assina.

Ele olhou para mim e, ao ver que eu não estava mais fazendo escândalo, sorriu e disse:

— Então você sabe a hora de parar.

— Obrigada por ajudar o Grupo Thomas a passar por esse momento difícil.

Eu agradeci, reprimindo a tristeza no meu coração.

Antes de assinar, Michael me disse: “A propósito, preciso te contar uma coisa. Tem gente demais da imprensa nos perseguindo ultimamente, então estou pensando em trazer a Alice e a Isabella pra morar aqui. O Maple Grove Heights é a área de mansões mais reservada de toda Silverlight City. Elas vão ficar mais seguras morando aqui.”

Meu peito se apertou, como se me faltasse ar.

Como eu pude esquecer?

Michael é um homem de negócios astuto! Todo presente que ele dá exige algo equivalente em troca.

Ajudar o Thomas Group não é caridade!

Respondi, fria: “Tudo bem.”

Ele continuou: “E também quero que a Isabella e a Alice fiquem na suíte principal. Afinal, a gente quer criar pra Isabella uma sensação de...”

“Chega, você não precisa explicar. Eu entendi!” interrompi antes que ele terminasse. “Eu vou pro quarto de hóspedes e deixo a suíte principal pra você.”

O Michael nem é mais meu, então por que eu me importaria com um quarto?

Depois de aceitar as condições dele, tirei o contrato e disse: “Você pode assinar agora? Meu pai precisa disso com urgência.”

Michael não disse nada e começou a assinar.

A cada página virada do contrato, meu nervosismo aumentava.

Porque a última página era o acordo de divórcio que eu tinha preparado com antecedência.

Por sorte, Michael pareceu confiar em mim. Ele só levantava a pontinha de cada folha e assinava onde era necessário.

Ele nem leu o conteúdo do contrato.

Só quando assinou a última página — o “acordo de divórcio” — é que meu coração finalmente sossegou.

Eu estava com medo de que ele percebesse o que tinha feito.

Assim que terminou de assinar, eu peguei o contrato de volta.

De volta à suíte principal, tirei o acordo de divórcio com a assinatura do Michael às escondidas e escondi entre as páginas de um livro.

O prazo de arrependimento do divórcio é de um mês.

Naquela mesma noite, me preparei para sair da suíte principal.

Quando ele voltou ao quarto e me viu mancando, arrumando as coisas para abrir espaço pra amante dele e pra filha ilegítima, ele me impediu.

“Deixa a Echo ou as empregadas fazerem isso.”

Ele falou num tom relativamente gentil: “Assim que as pessoas pararem de dar atenção pra isso, elas vão embora, e você pode voltar pra cá.”

“Não se preocupa, elas não vão ficar muito tempo aqui.”

Eu ri, gelada, e meus olhos percorreram o rosto sério dele. “Eu deveria te agradecer por isso?”

A expressão do Michael ficou fria na hora.

Eu não estava indo embora, só pro quarto de hóspedes, então não tinha muita coisa pra levar.

Peguei alguns produtos de skincare e roupas e, o mais importante, uma caixinha de madeira que ficava no alto do armário do quarto.

Não deixei ninguém ajudar. Eu mesma subi numa cadeira e, com cuidado, tirei a caixa.

A criança na foto era o tesouro mais precioso do Michael, e nessa caixa estava o meu tesouro mais precioso.

Mas o meu tesouro não podia viver às claras como as outras crianças. Ele só podia ficar pra sempre dentro dessa caixa que nunca via a luz do sol.

Enquanto eu pegava a caixa, Michael estava na sacada ao telefone, combinando minuciosamente com o assistente dele qual rota seria a mais segura para trazer Alice e Isabella pra casa.

Quando terminou a ligação e voltou, ele me viu com a caixa nos braços, e um lampejo de desagrado passou pelas sobrancelhas dele.

“Pra que você tá levando isso?”

Os olhos escuros dele mostraram um traço de confusão.

Eu não pude evitar pensar: e se essa criança não tivesse morrido?

Ele ainda teria traído?

O meu filho também seria um tesouro do Michael?

O pensamento passou rápido. Eu não queria continuar me torturando por causa dele.

Eu já ia sair quando, de repente, Michael agarrou meu pulso e disse: “Eu tô te perguntando. Por que você tá levando isso?”

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo