Capítulo 3 DANNA DAVE III
Eu era bonita e raras coisas não combinavam comigo. Sobre moda, eu gostava de causar e não seguir estilos e tendências, exatamente para me diferenciar dos demais. Como meus olhos tinham uma variação entre o castanho e o mel, usava e abusava de maquiagens marcantes e coloridas e carregava no batom vermelho.
Quando cortei a franja, optei também por tirar um pouco do comprimento dos fios, deixando-os na altura dos ombros. Cheguei a ler algo nas colunas sociais do tipo “Danna Dave assassinou os cabelos”. Mal sabiam o quanto me diverti com os comentários maldosos, o que me fez ter muita vontade de cortar totalmente, deixando um visual mais moderno e retirando por completo o comprimento. Eu ainda estava pensando a respeito. “Causar” era o meu segundo nome. O primeiro era “Problema”.
Cheguei na faculdade cinco minutos antes da aula começar. Sentei-me próxima de Moana e assim que o professor Jax Gatti chegou, seu olhar dele foi direto na minha direção.
Pus a tampa da caneta entre os dentes, sorrindo de forma provocante. Conforme explicava a matéria, ele demonstrava segurança e seus braços fortes iam e vinham ao quadro branco, me fascinando.
Infelizmente eu não conseguia prestar atenção na aula dele... Porque focava completamente em seu corpo e em tudo que poderíamos fazer juntos... Neste caso seu pau e minha boceta. E nas aulas de outros professores eu também não conseguia focar porque minha mente continuava em Jax e o tamanho do que ele tinha entre as pernas, que roçava na calça enquanto ele se movimentava na frente da sala, com sua voz alta e clara, que me fazia ir para outro mundo... O mundo da luxúria, do prazer, do sexo.
Encerrada a aula, todos foram saindo da sala. Quando Moana aproximou-se de mim, mandei:
- Saia e tranque a porta por fora. Não quero ninguém aqui dentro a não ser eu e ele.
- Ok – ela deu de ombros – Só não quero confusão, Danna.
- Eu te tiro de qualquer confusão que der, não se preocupe. – Garanti, com segurança.
Moana saiu e aos poucos a sala foi esvaziando. Peguei meu notebook e fui até Jax, pondo sobre sua mesa:
- Tenho dúvidas. – Minha voz foi mansa.
- Deveria ter tirado sua dúvida quando eu perguntei se “alguém tinha alguma dúvida”. – Ele não olhou na minha direção enquanto colocava seus pertences dentro da mochila.
Suspirei e não me dei por vencida. Eu adorava a forma como ele tentava me afastar, certa de que era a sua maior tentação. Pus as mãos na mesa e abaixei levemente o peito, empinando a bunda para trás, deixando meu vestido justo se encarregar do resto.
- Você é pago para tirar qualquer dúvida que eu tenha... Não importa o momento.
Ele me encarou e respirou fundo, pondo a mochila sobre a cadeira:
- Qual sua dúvida, senhorita Dave? – Respirou fundo, demonstrando irritabilidade.
- O que achou do presente? – Sorri.
- Estou perguntando da sua dúvida sobre a minha aula.
- E eu estou perguntando sobre o presente que lhe dei... – Mordi o lábio, de forma libidinosa, me aproximando dele, que se afastou.
- Senhorita Dave, eu sou casado e tenho dois filhos. Sou apaixonado pela minha esposa e amo meus filhos. E acredite, você não conseguirá destruir a minha vida... Nem pessoal, tampouco profissional.
- Acha que ela lhe daria um carro? – eu ri – Sabe que o carro que lhe presenteei vale o equivalente e uns cinco anos de seu mísero trabalho? Eu posso lhe dar o mundo, Jax.
- Não me chame de Jax, pois não lhe dei tamanha intimidade. Para você, assim como para qualquer outro aluno desta instituição sou o “senhor Gatti”.
- Jax! – Provoquei – Eu não sou uma aluna como outra qualquer... Meu pai é um dos maiores colaboradores financeiros da porra desta faculdade.
- E eu não tenho nada a ver com isto.
- Ele paga o seu salário.
- Quem paga o meu salário é a Faculdade de Belas Artes e não o seu pai, senhorita Dave. Quanto ao carro, eu mandei devolver. E sobre o bilhete, rasguei e joguei fora.
- Mas sua esposa já sabe que tivemos uma noite perfeita! – Eu ri, com deboche.
- Ela acredita em mim. Temos uma relação sólida e com base na sinceridade.
- Foda-se a sua relação com a idiota da sua esposa e os pirralhos que vocês tiveram! – gritei – Eu lhe mandei a porra de uma chuva de pétalas de rosas!
- Pode me jogar dinheiro de um helicóptero... Ainda assim não me relacionarei com você. – Foi calmo e enfático.
- Você ainda vai ser meu, Jax. – Garanti, furiosa.
- Não haja como uma garotinha de 18 anos porque você não é. Não percebe que é uma mulher ridiculamente agindo como uma adolescente mimada? Eu não sou um objeto seu... E não estou disposto a fazer parte das suas conquistas frustradas e relações conturbadas. Não me envolverei com você, Danna... Não gosto de você, nem como aluna, sequer como pessoa. – Ele virou as costas e saiu em direção à porta.
- Ou fica comigo... Ou irei destruí-lo. – Me ouvi dizendo, batendo o pé no chão, com raiva.
- Faça o que quiser... Sou um homem casado, feliz e fiel. – Nem olhou na minha cara ao dizer aquilo.
