Capítulo 1

Meu marido, o temido Don da Máfia, gastou quinze milhões de dólares em um iate de luxo só para dar uma festa de aniversário extravagante e badalada para seu precioso primeiro amor.

E hoje faz exatamente sete dias desde que eu morri de uma infecção em uma favela de Detroit, simplesmente porque não consegui juntar alguns centavos para comprar antibióticos.

No banquete, um convidado alheio à situação mencionou meu nome sem tato algum.

Alessandro ligou para o meu número pela primeira vez em cinco anos.

— Genevieve, se você já sofreu o bastante, volte rastejando para cá e implore o perdão de Elena.

Isso até as portas da mansão serem escancaradas com violência.

Um catador entrou, levando um garotinho cujo rosto era oitenta por cento igual ao de Alessandro.

...

Neste exato momento, minha alma está flutuando sobre essa mesma mansão às margens do Lago de Como.

Vestido com um terno sob medida impecavelmente cortado, segurando uma taça de champanhe da mais alta qualidade, Alessandro olha com os olhos cheios de ternura para a mulher ao seu lado.

Elena.

A filha do antigo Don e a mesma mulher que me empurrou direto para o inferno cinco anos atrás.

Hoje é o aniversário de Elena.

Alessandro torrou quinze milhões de dólares em um iate de luxo batizado em homenagem a ela.

— Alessandro, obrigada. Este é o presente mais maravilhoso que eu já recebi — arrulha Elena. Seus olhos brilham com o orgulho de uma vencedora.

Alessandro abaixa a cabeça para beijar a testa dela, a voz transbordando indulgência.

— Contanto que você goste, eu compraria o Lago de Como inteiro para você.

Flutuando no ar, observo a cena se desenrolar.

Meu coração parou de bater há exatamente sete dias. Então por que meu peito ainda dói de forma tão vazia quando olho para os dois?

Cinco anos atrás, Elena armou para mim, acusando-me de vazar segredos da família para um cartel rival.

Alessandro não me permitiu sequer uma única palavra de explicação. Apenas puxou a arma e despedaçou minha rótula direita com um tiro.

— Genevieve, você traiu a Família e traiu a mim. Apodreça em Detroit. Nunca mais deixe que eu veja o seu rosto.

E, assim, fui jogada na carroceria de um caminhão de contrabandistas e largada como um cachorro morto nas favelas de Detroit.

Na época, eu estava grávida de dois meses.

Nos últimos cinco anos, arrastando uma perna aleijada, revirei caçambas atrás de restos e vendi meu sangue no mercado negro — tudo para manter meu filho, Nero, vivo.

Enquanto isso, meu marido despejava milhões em outra mulher.

De repente, as portas da mansão são escancaradas.

Franzindo levemente a testa, Alessandro põe Elena atrás de si e encara a entrada.

Quem está ali é Marcus, um catador das favelas de Detroit cujo único trabalho é dar sumiço em cadáveres sem nome pelas ruas.

E, apertada na mão de Marcus, está a mão de um garotinho dolorosamente magro.

Nero.

Meu filho.

Ele tem só quatro anos, afogado dentro de uma jaqueta velha e grande demais. As pontas rasgadas dos sapatos deixam à mostra dedos arroxeados pelo frio congelante.

No instante em que vejo Nero, minha alma estremece violentamente.

Tento avançar para abraçá-lo, mas minhas mãos atravessam seu corpo frágil.

— De onde vieram esses mendigos? Joguem-nos para fora. — A voz de Alessandro está completamente desprovida de calor, e ele olha para os dois como se fossem baratas invadindo sua festa.

Marcus empurra Nero um pouco para a frente.

— Don Alessandro — diz Marcus, nervoso. — Acabaram de me pagar para deixar este menino aqui.

O olhar de Alessandro cai sobre o rosto de Nero, e sua expressão muda, ainda que quase imperceptivelmente.

Os olhos de Nero parecem praticamente esculpidos no exato mesmo molde dos de Alessandro.

Sussurros se espalham imediatamente pela multidão.

O sangue some do rosto de Elena.

Alessandro dá um passo à frente, erguendo-se sobre Nero, os olhos carregados de um desgosto escancarado.

— Quem mandou você fazer isso? Genevieve? Aquela vadia realmente acha que pode voltar rastejando para esta família desfilando com algum bastardo perdido que, por acaso, compartilha os meus traços?

Nero levanta a cabeça. Seus olhos — arregalados e ariscos como os de um filhote assustado — se fixam em Alessandro.

— Você é o meu papai?

O peito de Alessandro se contrai por uma fração de segundo.

Os olhos do garoto, até mesmo a curva teimosa da mandíbula... era um reflexo perturbador, quase espelhado, de sua própria linhagem.

Mas a lógica fria esmaga instantaneamente aquele breve momento de vulnerabilidade.

Ele conhece melhor do que ninguém o próprio corpo, tão profundamente traumatizado.

Anos atrás, aquele acidente quase fatal não só o deixou na UTI por dois meses inteiros, como também resultou em um diagnóstico médico brutal.

Os graves danos em seu abdômen e em seus nervos significavam que suas chances de um dia gerar um filho naturalmente eram praticamente inexistentes.

Ao pensar nisso, Alessandro solta um muxoxo zombeteiro.

— Não sou. Volte e diga à Genevieve, ou a quem treinou você, que tentar me passar a perna com um bastardo que nem sabe quem é o verdadeiro pai não vai funcionar.

Flutuando no ar, vejo Nero se encolher.

Marcus limpa a garganta.

— Só estou cumprindo um pedido de Genevieve. Ela me implorou no leito de morte que deixasse o menino na sua propriedade.

Morta?

As pupilas de Alessandro se contraem bruscamente, mas o lampejo de choque é rapidamente engolido por um deboche denso.

— Morta? Genevieve é mais difícil de matar do que uma barata. Como ela poderia estar morta?

— Agora ela está fingindo a própria morte para conseguir simpatia? Esse teatrinho já passou do ridículo.

Aos olhos dele, eu sempre serei uma mentirosa cruel.

Cinco anos atrás, foi Elena quem vazou as rotas comerciais da Família, desencadeando aquela emboscada letal.

Ainda assim, durante o tiroteio, ela usou os próprios ferimentos autoinfligidos para se passar por vítima, jogando toda a culpa da traição em mim.

Ela fez com que eu carregasse a dívida de sangue pela morte do velho Don.

Sim, no coração de Alessandro, Elena é o anjo perfeito que levou um tiro por ele, e eu não passo de uma fraude egoísta, venenosa e manipuladora.

Mesmo eu estando realmente morta, ele ainda acha que estou só encenando.

De repente, os olhos de Nero ficam vermelhos, e ele grita para Alessandro:

— A mamãe não está mentindo! A mamãe realmente foi dormir, e, por mais que eu sacudisse ela, ela não acordava!

Enquanto grita, Nero se agarra com força ao saco plástico sujo que tem na mão.

Dentro do saco há um frasco meio vazio de analgésicos baratos, que sobraram, e um pequeno pedaço de pão embolorado e duro como pedra.

Aquelas eram as nossas últimas provisões em Detroit.

Alessandro encara o que parece ser puro lixo, e o nojo em seus olhos se aprofunda.

Elena dá um passo à frente, cobrindo o nariz com um lenço e fingindo um ar de piedade.

— Alessandro, Genevieve é tão cruel. Mesmo que esteja desesperada para voltar para a propriedade, não deveria usar métodos tão desprezíveis. Torturar uma criança desse jeito só para encenar tudo isso...

As palavras dela são a faísca num barril de pólvora, acendendo instantaneamente a fúria de Alessandro.

— Joguem esse bastardo para fora!

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