Capítulo 2: Um beijo não deveria arruinar uma garota, mas o meu sim.

Katarina POV - Fora do Clube

Minha calcinha ainda estava úmida.

Eu não sabia se era medo ou desejo.

Eu me joguei contra o banco de metal frio fora do clube e tentei apagar a memória da minha cabeça. O beijo. A voz dele. As mãos dele. A arma pressionada nas minhas costas.

Parecia um pesadelo... até eu lembrar da dor entre minhas coxas.

Não. Aconteceu. Tudo aconteceu.

"Kat, o táxi está quase aqui." Selena sentou ao meu lado, o celular iluminando a escuridão. Já passava da meia-noite. As ruas da cidade estavam vazias, exceto por alguns bêbados cambaleando e um carro ocasional passando.

Fechei os olhos, mas tudo o que eu conseguia ver eram aqueles olhos verdes de predador me observando correr.

Minutos depois, o táxi chegou e nós deslizamos para o banco de trás. O silêncio entre Selena e eu era sufocante.

Ela finalmente o quebrou.

"Kat." A voz dela era suave, mas firme. "O que aconteceu lá dentro?"

Abri a boca... Fechei. ...Tentei novamente.

"Eu entrei no quarto do diabo."

"Diabo?..." Ela esperou.

"Havia homens. Armas. E esse... esse homem." Minha voz falhou. "Eles pensaram que eu era outra pessoa. Uma stripper que eles tinham contratado."

Os olhos de Selena se arregalaram. "O quê?!"

"Um deles colocou uma arma nas minhas costas, Sel." As palavras saíam agora, rápidas e em pânico. "Ele me disse para beijar ele... o chefe... ou nós duas morreríamos. Então eu beijei."

Cobri meu rosto com as mãos.

"E a pior parte? Eu não fiz isso só por causa da arma."

Então a mão de Selena encontrou a minha, apertando firme.

"Kat... o que você quer dizer?"

"Eu quero dizer..." Eu mal conseguia dizer. "Parte de mim gostou. As mãos dele em mim. A boca dele. Eu fiquei... molhada, Selena. De medo ou de desejo, eu já não sei mais. Mas meu corpo queria."

Eu ri um som quebrado e amargo.

"Meu primeiro beijo foi com um chefe da máfia sob a mira de uma arma na frente de estranhos. E eu fiquei excitada."

Selena não se afastou nem pareceu enojada. Ela apenas apertou minha mão mais forte.

"Kat, escuta." A voz dela era firme, reconfortante. "Você estava apavorada. Você tinha uma arma nas suas costas. O medo faz coisas estranhas com nossos corpos—adrenalina, modo de sobrevivência. Não é sua culpa que seu corpo reagiu."

"Mas foi bom," eu sussurrei, envergonhada.

"Isso não significa que você queria que acontecesse." Ela apertou novamente. "Mas, querida, você precisa ficar bem longe do que quer que seja isso. Homens assim... eles são perigosos. Você sabe disso, né?"

Eu assenti devagar, olhando pela janela para as luzes da rua desfocadas.

"Eu sei."

Mas mesmo enquanto eu dizia isso, eu ainda podia sentir o fantasma do aperto dele no meu quadril. O gosto dele na minha língua.

A maneira como ele sorriu enquanto eu corria.

Como se ele estivesse me deixando ir. Por enquanto.

O táxi parou em frente ao meu prédio, um complexo decadente no lado sul da cidade. Tinta descascando e luzes de segurança quebradas. Lar.

"Você está bem para entrar sozinha?" Selena perguntou com preocupação no rosto.

"Sim. Eu vou ficar bem." Forcei um sorriso. "Obrigada, Sel."

"Me manda uma mensagem quando entrar, tá?"

"Eu vou."

Eu saí do táxi e a observei ir embora. Então, fui até a lateral do prédio para a janela do meu quarto.

Eu morava com meu irmão mais velho, Mateo, e a última coisa que eu precisava era ele fazendo perguntas sobre por que eu estava entrando de mansinho depois da meia-noite.

A janela deslizou silenciosamente. Eu entrei, meus saltos batendo no carpete com um som suave.

Tirei os sapatos e descasquei o vestido do meu corpo, deixando-o cair no chão em um monte. Minhas mãos tremiam.

No banheiro, liguei o chuveiro no máximo e entrei sob a água escaldante.

Mas eu não conseguia lavar ele de mim.

Esfreguei minha pele até ficar vermelha, mas ainda podia sentir o polegar dele rolando sobre meu mamilo. Ainda podia sentir o calor da respiração dele contra meu pescoço. Ainda podia sentir a pressão dura da ereção dele contra minha coxa.

Minha mão deslizou pelo meu estômago. Entre minhas pernas, eu ainda estava molhada.

Eu olhei para a umidade nos meus dedos, confusa e envergonhada.

"O que diabos há de errado comigo?"

Isso não era apenas medo. Isso era excitação. Meu corpo tinha respondido a ele... ao perigo, à sua dominância, à maneira como ele me reivindicou na frente de todos como se eu já fosse dele.

Eu odiava que mesmo agora, sozinha no meu chuveiro, meu corpo ansiava por mais.

Um beijo não deveria arruinar uma garota.

Mas o meu arruinou.

Vittorio De Luca POV - Mais cedo naquela noite, antes dela entrar

Eu não estava no clube por prazer. Não aquela noite.

Massimo, o dono do clube, havia arranjado uma reunião na sala VIP dos fundos. Um negócio. Drogas e armas passando pelo porto—alto risco, maior recompensa. O tipo de negócio que cimentaria meu controle sobre os cais do leste.

O acordo estava feito. Dinheiro trocado. Remessa confirmada.

Agora eu estava preso nesse antro caro de fumaça e baixo, assistindo Massimo desfilar mulheres na minha frente como gado em leilão.

"Don De Luca," Massimo ronronou, gesticulando para a fila de garotas encostadas na parede. "Trouxe as melhores para você esta noite. Dançarinas, modelos—o que você quiser."

Recostei-me na cadeira, a fumaça do charuto subindo em espirais para o teto. Meu braço direito, Marco, estava em silêncio ao meu lado. Meus dois guarda-costas flanqueavam a porta.

Eu mal olhei para as mulheres.

Bonitas? Claro. Perfeitamente polidas. Cabelo arrumado. Maquiagem impecável. Corpos exibidos como mercadoria.

Entediantes.

Todas queriam a mesma coisa: dinheiro, status, uma chance de se aproximar do poder. Elas sorririam, abririam as pernas e fingiriam gostar.

Eu já tinha tido centenas como elas. Nenhuma me fez sentir nada.

"Massimo." Minha voz cortou a tentativa desesperada de venda dele. "Se isso é tudo que você tem, eu passo."

O rosto dele empalideceu. "Espere, Don. Tem mais uma. Ela está atrasada, mas prometo que é diferente. Vale a pena esperar."

Dei outra tragada no charuto, desinteressado. "Você tem cinco minutos."

Ele saiu correndo como um rato.

Marco olhou para mim, uma sobrancelha levantada. "Você realmente vai ficar aqui esperando?"

"Por cinco minutos? Por que não." Exalei a fumaça. "Talvez ele me surpreenda."

Ele não surpreendeu.

Mas ela sim.

A porta se abriu.

E entrou um erro.

Ela não estava polida. Não estava desfilando. Ela entrou cambaleando como um cervo em um covil de lobos, olhos arregalados e congelada.

Curvas que não precisavam de um vestido para serem notadas. Quadris que balançavam mesmo quando ela estava apavorada. Cabelo solto caindo sobre os ombros. E aqueles olhos—grandes, castanhos e cheios de pânico.

Massimo deve tê-la enviado por engano, mas eu não me importei. Algo nela parecia um desafio.

E isso a tornava perfeita.

Massimo a agarrou pelo braço, empurrando-a para a frente. "Essa é a escolhida, Don. Ela é..."

Eu me inclinei para a frente, cotovelos na mesa, estudando-a como um quebra-cabeça que eu queria resolver.

"Qual é o seu nome?"

Ela hesitou, os lábios tremendo. "K-Katarina."

"Katarina." Deixei o nome dela rolar lentamente da minha língua, degustando-o. Ela se encolheu como se eu a tivesse tocado. "Você sabe quem eu sou?"

Ela assentiu, quase imperceptivelmente.

"Bom." Recostei-me, deixando o silêncio se estender. "Então você sabe que eu não gosto de perder tempo."

Massimo latiu algo para ela... mostre o que ela tem, performe, eu não me importava... mas mantive meus olhos nela.

Ela olhou para mim. Depois para Massimo. Depois para a arma no quadril de Marco.

Então ela se inclinou e me beijou.

Desajeitada. Inexperiente. Tremendo como uma folha.

E isso me deixou excitado.

Eu a agarrei—uma mão fechando-se no vestido dela, a outra apertando seu seio. Ela arfou, e seu mamilo escapou. Rolei-o entre meus dedos, devagar e deliberadamente, vendo seu rosto corar de vergonha e calor.

A boca dela se abriu sob a minha. Eu a tomei. Reivindiquei-a. Minha língua invadiu, provando seu medo e algo mais doce—excitação.

Ela estava molhada. Eu podia sentir o cheiro.

Meu pau pressionava duro contra a coxa dela, e ela gemeu—não de dor, mas de necessidade.

Eu queria virá-la sobre a mesa ali mesmo. Abrir suas pernas. Enterrar-me tão fundo que ela esqueceria seu próprio nome.

Mas eu não fiz isso.

Eu me afastei, mantendo seu olhar. Suas pupilas estavam dilatadas. Lábios inchados.

Ela era perfeita.

Então a porta se abriu.

Outra mulher chegou... a que Massimo deveria ter trazido. Eu a dispensei com um gesto.

Olhei para Katarina, ajoelhada na minha frente, o vestido meio caído e o corpo ainda tremendo.

Então eu sorri.

"Deixem-na ir." Ela assentiu freneticamente e correu.

Mas eu não parei de assistir.

Nem quando ela tropeçou pela porta. Nem quando ela desapareceu na multidão.

Levantei-me, ajustando meu paletó, e caminhei até a saída.

Lá... na rua... eu a vi entrando em um táxi com outra garota.

Ela olhou para trás.

Nossos olhos se encontraram.

E eu sorri e fui embora.

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De volta ao quarto VIP, Marco acendeu um cigarro. "Quer que eu a encontre?"

"Sim."

Olhei para ele, minha voz fria e certa. "Ela entrou no meu mundo. Isso a torna minha agora."

"Você realmente vai perseguir uma garota qualquer?"

Eu sorri devagar e de forma perigosa.

"Ela não é mais qualquer uma." Ela pode ter saído por aquela porta. Mas deixou de ser livre no momento em que seus lábios tocaram os meus. Eu a encontraria. Não importa o que fosse necessário.”

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