Capítulo 1 A MULHER QUE TODOS TEMIAM

A noite parecia tranquila, mas, naquele lugar, a tranquilidade nunca significava que tudo estava bem.

As luzes das casas iluminavam as vielas, algumas músicas escapavam pelas janelas abertas e o cheiro de comida preparada para o jantar se misturava ao perfume da noite. Crianças brincavam nas proximidades, moradores conversavam nas portas e pequenos comércios se preparavam para encerrar mais um dia de trabalho.

Para quem olhava de fora, poderia parecer apenas mais uma noite comum.

Entretanto, quem conhecia aquela região sabia que a paz era frágil. Bastava uma informação errada, uma traição ou uma decisão tomada no momento inadequado para transformar tudo em um cenário de desespero.

E ninguém conhecia melhor aquela realidade do que Serpente.

A mulher estava sentada em uma cadeira de couro no escritório que ocupava uma das construções mais protegidas do lugar. Vestia uma calça preta, uma blusa ajustada e botas que produziam um som firme sempre que ela se levantava. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, deixando seu rosto completamente à mostra.

Seus olhos percorriam os homens reunidos diante da mesa.

Nenhum deles ousava interrompê-la.

Serpente não precisava levantar a voz para ser respeitada. Sua presença era suficiente para fazer qualquer conversa morrer antes mesmo de começar. Havia aprendido muito cedo que, naquele mundo, demonstrar insegurança era oferecer aos outros uma oportunidade de atacá-la.

Por isso, construiu uma personalidade que poucos conseguiam compreender.

Fria quando necessário, calculista em suas decisões e desconfiada até mesmo daqueles que estavam ao seu lado havia anos, ela não costumava permitir que sentimentos interferissem em seus planos.

O amor, principalmente, era um assunto que preferia manter distante.

— Repete o que você acabou de me dizer — ordenou, apoiando os cotovelos sobre a mesa.

O homem à sua frente engoliu em seco.

— Recebemos uma informação de que tem gente de fora se movimentando perto dos acessos. Ainda não sabemos quantos são, mas parece que estão se preparando para entrar.

Serpente permaneceu imóvel por alguns segundos.

— E você só está me contando isso agora?

— A informação chegou há pouco, chefe.

Ela inclinou a cabeça, observando-o como se tentasse descobrir se havia alguma mentira escondida naquela explicação.

— Então descubra tudo o que puder. Quero saber quem está envolvido, de onde vieram e o que estão procurando. Não gosto de surpresas.

— Pode deixar.

— E não me faça repetir uma ordem.

O homem assentiu imediatamente.

Serpente se levantou e caminhou até a janela. Do lado de fora, a movimentação parecia normal, mas alguma coisa naquela notícia havia despertado seu instinto.

Ela conhecia o perigo. Convivia com ele diariamente e sabia reconhecer quando uma ameaça merecia atenção.

O celular vibrou sobre a mesa.

Ao verificar a mensagem, sua expressão se fechou.

Havia pouco tempo para descobrir se a informação era verdadeira.

— Reúnam os responsáveis pela segurança e avisem os moradores para ficarem atentos. Se houver qualquer movimentação suspeita, quero ser informada imediatamente.

— Entendido, chefe.

Os homens começaram a sair, mas Serpente permaneceu diante da janela.

Uma sensação incômoda apertava seu peito.

Não era medo. Pelo menos, era isso que dizia a si mesma.

Medo era uma palavra que ela havia aprendido a esconder tão bem que, em algumas ocasiões, nem conseguia reconhecer quando ele aparecia.

O que Serpente ainda não sabia era que aquela noite mudaria sua vida de uma maneira que nenhuma ameaça havia conseguido fazer.

E o motivo teria nome, sobrenome e uma cadeira de rodas.

Jonas estava cansado.

O dia havia sido longo, e a última coisa que desejava era enfrentar qualquer problema antes de chegar em casa. Sobre suas pernas, uma pequena pasta guardava os currículos que havia distribuído em diferentes estabelecimentos.

Mais uma tentativa.

Mais algumas portas fechadas.

E as mesmas respostas disfarçadas de educação.

Em um dos lugares, o responsável pela contratação sequer havia perguntado sobre sua experiência. Bastou olhar para sua cadeira de rodas para começar a explicar que a função exigia alguém com bastante disposição.

Em outro, uma mulher o tratou com gentileza exagerada, falando devagar e perguntando se ele precisava de ajuda para coisas que fazia sozinho havia anos.

Jonas sabia que algumas pessoas realmente queriam ajudar. Não era ingênuo a ponto de acreditar que toda demonstração de cuidado escondia preconceito. O problema era quando decidiam o que ele conseguia ou não fazer sem sequer lhe dar a oportunidade de responder.

Ele não queria que sentissem pena.

Queria uma oportunidade.

Queria trabalhar, conquistar suas coisas e provar para si mesmo que poderia construir a vida que desejava.

A cadeira fazia parte de sua realidade, mas não era toda a sua identidade.

— Um dia eu consigo — murmurou, ajeitando a pasta sobre o colo.

O celular vibrou.

Era uma mensagem perguntando onde ele estava e se ainda demoraria para chegar.

Jonas respondeu que estava a caminho, guardou o aparelho e começou a seguir pela rua que conhecia desde muito antes de imaginar quantas dificuldades enfrentaria na vida adulta.

Ele tinha seus próprios problemas, suas preocupações e alguns sonhos que ainda pareciam distantes. Mesmo assim, não costumava entregar os pontos.

Havia aprendido que sentir tristeza era permitido. Desistir de si mesmo, não.

Quando se aproximou de uma das entradas da região, percebeu uma movimentação estranha.

Algumas pessoas caminhavam depressa. Um homem fechava o portão de um estabelecimento enquanto outro chamava os moradores para dentro de casa. O som de uma motocicleta acelerando chamou sua atenção, seguido por gritos que vieram de uma rua próxima.

Jonas parou.

— O que está acontecendo?

Um senhor que passava por ele olhou na direção da entrada e respondeu sem diminuir o passo:

— Parece que tem invasão! Sai daí, rapaz! Procura um lugar seguro!

Jonas sentiu o estômago se contrair.

Não era a primeira vez que presenciava uma situação perigosa, mas isso não significava que estivesse preparado para enfrentar uma.

Ele tentou mudar o caminho, procurando uma rua mais movimentada, porém o som de disparos rompeu o ar.

O caos começou em questão de segundos.

Pessoas correram em direções diferentes. Portas foram fechadas às pressas. Alguém chorava, uma criança chamava pela mãe e os gritos se misturavam ao barulho que vinha das ruas.

Jonas tentou manter a calma.

Precisava encontrar um local protegido.

Seus braços se movimentaram com rapidez nas rodas da cadeira enquanto ele procurava uma entrada lateral. Entretanto, a passagem estava parcialmente bloqueada por caixas e objetos que alguém havia deixado próximos ao muro.

Ele tentou contornar o obstáculo, mas ouviu passos apressados atrás de si.

— Sai da frente!

Antes que pudesse reagir, um homem passou correndo e esbarrou em sua cadeira. Jonas perdeu momentaneamente o equilíbrio, e a pasta caiu no chão. Os papéis se espalharam pela calçada.

— Droga!

Ele olhou para os currículos espalhados, mas não teve tempo de recolhê-los.

Outro estampido ecoou nas proximidades.

Jonas sentiu o coração bater descontroladamente.

Precisava sair dali.

Tentou alcançar uma passagem estreita entre duas construções, mas uma movimentação brusca na rua o obrigou a recuar. A roda dianteira ficou presa em uma irregularidade do piso, e a cadeira não avançou como ele esperava.

Ele tentou novamente.

Nada.

— Vamos, droga... — murmurou, fazendo força.

O medo começou a se misturar à irritação.

Não queria ficar parado naquele lugar, esperando que alguém decidisse o que fazer por ele. Mas também sabia que insistir sem avaliar o que acontecia ao redor poderia colocá-lo em perigo.

Foi quando ouviu uma voz feminina.

— Você está maluco? Abaixa!

Jonas ergueu o rosto.

Uma mulher se aproximava com passos rápidos, acompanhada por dois homens. Havia algo nela que parecia destoar completamente do desespero ao redor. Enquanto todos tentavam compreender o que estava acontecendo, ela se movimentava com uma determinação impressionante.

Seus olhos encontraram os dele.

— Você consegue sair daí?

— Se a passagem não estivesse bloqueada, provavelmente conseguiria — respondeu Jonas, tentando controlar a respiração.

A mulher olhou para o obstáculo, depois para ele.

Mesmo diante do perigo, Jonas não parecia disposto a implorar por ajuda. Havia preocupação em seu rosto, evidentemente, mas também uma irritação que ela não esperava encontrar.

A maioria das pessoas, quando percebia quem ela era, mudava de comportamento.

Ele sequer parecia saber.

— Afaste essas caixas! — ordenou aos homens que a acompanhavam.

Os dois obedeceram imediatamente.

Serpente voltou a atenção para Jonas.

— Vou tirar você daqui.

— Eu consigo me movimentar sozinho.

A resposta a surpreendeu.

Ela estava tentando ajudá-lo, e aquele homem escolhia justamente aquele momento para contrariá-la?

— Não estou perguntando se consegue. Estou dizendo que este lugar não é seguro.

Jonas apertou os lábios.

— Então me diga para onde ir. Não precisa falar comigo como se eu fosse uma criança.

Por um instante, Serpente ficou em silêncio.

Aquela frase atingiu um lugar inesperado.

Não porque tivesse sido desrespeitada. Ela estava acostumada a enfrentar pessoas que tentavam desafiá-la. O que a incomodou foi a maneira como ele sustentou seu olhar, mesmo assustado, sem demonstrar a submissão que ela esperava.

— Qual é o seu nome? — perguntou.

— Jonas.

— Certo, Jonas. Eu sou Serpente. Agora precisamos sair daqui.

Ao ouvir aquele nome, um dos homens que a acompanhavam olhou imediatamente para o rapaz.

Jonas percebeu a reação.

Serpente.

Ele já havia escutado histórias sobre a mulher que comandava aquela região. Histórias de uma pessoa implacável, de decisões duras e de uma autoridade que poucos ousavam questionar.

E agora estava diante dela.

— Você é a Serpente? — perguntou, sem esconder a surpresa.

— Depende. Está pensando em fugir de mim também?

Apesar da situação, Jonas soltou uma risada curta e nervosa.

— Neste momento, estou pensando em sair vivo daqui. O resto a gente resolve depois.

A resposta arrancou de Serpente uma expressão quase imperceptível de surpresa.

Quase.

Ela estava acostumada a encontrar homens que tentavam impressioná-la, outros que escondiam o medo atrás de palavras agressivas e alguns que simplesmente baixavam a cabeça.

Jonas não parecia interessado em nenhuma dessas opções.

Ele queria sair dali.

E queria que ela o tratasse como alguém capaz de participar da própria salvação.

Serpente sentiu uma curiosidade incômoda despertar dentro de si.

Não fazia sentido.

Aquele homem era um desconhecido, e havia problemas muito mais urgentes para resolver. Ainda assim, ela se pegou observando detalhes que normalmente ignoraria: o modo como ele mantinha a cabeça erguida, a firmeza de sua voz e a maneira como tentava controlar o nervosismo para não perder a clareza.

— João! — chamou, dirigindo-se a um dos homens. — Abra caminho e veja se conseguimos chegar à construção da esquina.

O homem assentiu.

Serpente voltou a olhar para Jonas.

— Você consegue conduzir a cadeira por essa passagem?

— Consigo, desde que não apareça outro obstáculo no caminho.

— Então vamos descobrir.

Ela não tentou empurrá-lo sem pedir permissão, nem tomou as rodas de suas mãos. Em vez disso, permaneceu ao lado dele, pronta para intervir se fosse necessário.

Aquela atitude, embora simples, não passou despercebida por Jonas.

Ele estava acostumado a pessoas que decidiam ajudá-lo sem perguntar o que precisava. Serpente, apesar de toda a fama que carregava, havia lhe dado espaço para agir.

Juntos, avançaram pela passagem.

Os homens abriram caminho, e logo conseguiram alcançar uma construção protegida, afastada da movimentação mais intensa.

Assim que entraram, Serpente fez um sinal para que a porta fosse fechada.

O barulho do lado de fora continuava, mas, pelo menos naquele momento, estavam protegidos.

Jonas respirou fundo, tentando desacelerar o coração.

— Obrigado — disse, olhando para ela. — Você apareceu na hora certa.

— Não precisa agradecer.

— Preciso, sim. Você poderia ter seguido seu caminho.

Serpente sustentou o olhar dele.

— Eu não costumo abandonar alguém em uma situação dessas.

Jonas assentiu, aceitando a resposta.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Então ela percebeu que ele estava olhando para os próprios braços, onde pequenas marcas vermelhas haviam surgido depois do esforço para movimentar a cadeira pela passagem.

— Você se machucou?

— Não é nada sério.

— Deixe alguém verificar.

— Serpente...

Ela ergueu uma sobrancelha.

— O quê?

— Eu agradeço pela ajuda, de verdade. Mas não precisa transformar isso em uma operação de emergência. Estou bem.

Um dos homens disfarçou um sorriso.

Serpente lançou-lhe um olhar que fez o sorriso desaparecer imediatamente.

Jonas percebeu e precisou conter outra risada.

Aquela mulher era exatamente como as histórias descreviam: poderosa, intimidadora e acostumada a ser obedecida.

Mas havia algo diferente nela também.

Por trás daquela postura rígida, Jonas enxergou uma preocupação que parecia verdadeira. Ela poderia ser perigosa, mas não o havia tratado como alguém inferior.

E isso já significava alguma coisa.

Serpente, por sua vez, estava incomodada com os próprios pensamentos.

Deveria estar verificando a situação da invasão, falando com seus homens e descobrindo quem havia organizado aquele ataque. Entretanto, sua atenção insistia em retornar ao homem diante dela.

Jonas.

Um desconhecido que havia surgido no meio do caos e, em poucos minutos, conseguira fazer algo que raramente acontecia.

Despertar seu interesse.

— Você mora por aqui? — perguntou.

— Moro.

— Nunca vi você antes.

— Talvez porque você tenha coisas mais importantes para fazer do que observar quem passa pelas ruas.

A resposta foi tão espontânea que um dos homens precisou virar o rosto para esconder a reação.

Serpente estreitou os olhos.

— Você sempre fala assim com as pessoas que acabam de salvar sua vida?

— Só com aquelas que fazem perguntas demais.

Dessa vez, ela quase sorriu.

Quase.

— Cuidado, Jonas. Você ainda não me conhece.

Ele sustentou o olhar dela.

— E você também não me conhece.

Aquelas palavras permaneceram entre os dois por alguns segundos.

Serpente sentiu uma estranha vontade de descobrir o que havia por trás daquele homem. Queria saber onde morava, com quem vivia, o que fazia, quais eram seus sonhos e por que, mesmo depois de uma noite tão assustadora, ele continuava falando com ela sem tentar agradá-la.

Era curiosidade, disse a si mesma.

Apenas curiosidade.

Ela já havia sentido interesse por outras pessoas, embora nunca tivesse permitido que isso interferisse em suas decisões. Bastaria descobrir quem Jonas era, garantir que estivesse seguro e voltar à própria vida.

Era simples.

Pelo menos deveria ser.

O celular vibrou novamente.

Serpente olhou para a tela e encontrou uma sequência de mensagens sobre a invasão. Seu rosto perdeu qualquer vestígio de suavidade.

A realidade estava chamando.

— Preciso resolver algumas coisas — disse, guardando o aparelho. — João vai acompanhar você até um lugar seguro.

Jonas ajeitou a pasta vazia sobre o colo.

— Não precisa. Assim que a situação melhorar, consigo ir para casa.

— Não foi uma pergunta.

Ele soltou um suspiro.

— Você realmente não está acostumada a ouvir não, está?

Serpente aproximou-se um pouco, sem invadir o espaço dele.

— Não quando sei que existe um risco.

— E eu não estou acostumado a ter alguém decidindo tudo por mim.

A resposta deveria tê-la irritado.

Em vez disso, provocou uma sensação estranha, quase agradável, que Serpente não conseguiu explicar.

— Então considere isso um acordo temporário — respondeu ela. — Você aceita a companhia até chegar a um lugar seguro, e eu paro de dar ordens sobre o assunto.

Jonas pensou por um instante.

— Certo. Mas só até eu chegar em casa.

— Combinado.

Ela estendeu a mão.

Jonas apertou-a.

O contato durou apenas alguns segundos, mas Serpente sentiu algo inesperado atravessar seu peito. Não foi uma paixão instantânea, nem uma certeza absurda de que aquele homem seria seu destino.

Foi algo muito mais perigoso para alguém como ela.

A vontade de conhecê-lo.

A vontade de vê-lo novamente.

A vontade de descobrir se aquele olhar continuaria tão firme quando não houvesse uma invasão, uma ameaça ou qualquer motivo para permanecerem juntos.

Quando Jonas foi conduzido para outra sala, Serpente continuou olhando na direção em que ele havia desaparecido.

— Chefe? — chamou João Paulo.

Ela demorou a responder.

— O que foi?

— Precisamos da senhora lá fora. Estão esperando suas ordens.

Serpente endireitou os ombros, e a mulher temida por todos voltou a ocupar seu lugar.

— Vamos.

Antes de sair, porém, olhou mais uma vez para a porta.

Não sabia quem Jonas era de verdade. Não conhecia sua história, seus sonhos ou os segredos que poderia esconder. Também não fazia ideia de que aquele encontro aparentemente casual acabaria provocando mudanças profundas em sua vida.

Mas uma coisa já havia ficado clara.

Ela queria vê-lo novamente.

E Serpente nunca gostou de desejar algo sem saber se conseguiria alcançar.

Naquela noite, enquanto seus homens trabalhavam para conter as consequências da invasão, uma pergunta começou a se formar em sua mente.

Quem era Jonas?

E por que, entre tantas preocupações, era justamente aquele homem que ela não conseguia tirar da cabeça?

Serpente ainda não sabia, mas acabara de conhecer alguém que não se curvaria simplesmente porque ela mandava.

Alguém que poderia despertar o melhor e o pior dentro dela.

Alguém que, sem levantar uma arma ou ameaçar seu poder, seria capaz de colocar seu mundo inteiro em desequilíbrio.

E, quando percebesse o tamanho do sentimento que começava a nascer, talvez descobrisse que conquistar a confiança de Jonas seria muito mais difícil do que conquistar qualquer território.

Porque uma coisa era fazer todos obedecerem às suas ordens.

Outra, completamente diferente, seria conquistar o coração de um homem que não estava disposto a abrir mão da própria liberdade.

E Serpente ainda não fazia ideia de que, daquela vez, o maior desafio de sua vida não seria vencer uma guerra, mas aprender a amar sem transformar o amor em uma batalha.

Continua...

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