Capítulo 1

Dez anos atrás, eu fui para a prisão por Alaric.

Naquela cela escura, a promessa dele de um futuro juntos era o meu único motivo para viver.

Depois que saí, Alaric se casou comigo imediatamente.

Eu achava que era a mulher mais feliz do mundo.

Até quatro anos atrás, quando nosso filho, Jude, nasceu.

Aquele dia me deu um golpe duro.

Acordei e encontrei o berço vazio. Havia apenas um maço grosso de dinheiro dentro.

Fiquei olhando, atônita, em pânico. “Quem deixou esse dinheiro? Onde está o meu bebê?”

A madrasta jovem e infértil de Alaric, Odessa, apareceu com um sorriso frio.

“Romy, fui eu que deixei. Seu filho nasceu com um defeito grave no coração. Deve ser uma maldição do seu passado criminoso. A partir de hoje, eu sou a única mãe dele.”

Olhei para Alaric, sem conseguir acreditar.

Ele evitou meus olhos, mas a voz saiu firme. “Romy, como ex-presidiária, você realmente não é adequada para criá-lo. Deixe que ela assuma.”

Era assim que ele me amava.

Me humilhando e entregando meu bebê frágil à madrasta dele para manter a paz na família.

Tremendo de raiva, eu bati o maço de dinheiro com força no peito dele.

A partir de então, ele me proibiu rigidamente de ver nosso filho, alegando que a minha presença estressaria o coração fraco do menino.

Nos quatro anos seguintes, ele manteve Jude escondido atrás dos muros altos da propriedade, enquanto eu lutava desesperadamente para vê-lo.

Até esta noite.

Um incêndio começou na ala leste da propriedade. A fumaça grossa e o terror desencadearam uma febre fatal em Jude.

Eu chutei as portas em chamas, corri para dentro do fogo e o levei às pressas ao hospital para um atendimento de emergência.

Minha mão direita ficou gravemente queimada, mas eu não me importei.

Agora, Jude, de quatro anos, acordou, respirando com dificuldade.

Ele encarou minha mão queimada.

Por um instante, os olhos enormes dele se suavizaram com o instinto natural de uma criança.

Mas então ele puxou a mão para trás depressa, olhando para mim com nojo e medo.

“Por que você me levou embora?”, a vozinha dele tremia, repetindo as palavras que tinham ensinado a ele. “Você não é a minha mamãe. A gente já era uma família feliz. A mamãe Odessa disse que você é suja.”

Ele se encolheu no canto da cama, o mais longe possível de mim.

“Vai embora! Sai daqui!”

Fiquei paralisada. Meu coração doía tanto que quase parou.

Depois de um longo silêncio, sussurrei: “Se eu for embora... você me chama de ‘mãe’ só mais uma vez?”

Jude fungou. “Se eu falar, você vai embora?”

Dei um sorriso amargo e assenti. “Eu vou embora, e nunca mais vou voltar.”

“Mãe.” Ele virou o rosto na mesma hora, como se estivesse evitando uma peste.

Então Jude começou a chorar e a gritar, exigindo a mamãe Odessa.

Com medo de que o choro prejudicasse o coração frágil dele, eu o levei de volta à propriedade Thorn.

Cheguei e encontrei Alaric fora de si, enlouquecido procurando por ele.

Ao nos ver, um lampejo de alívio passou pelo rosto de Alaric, mas logo se transformou em raiva.

Meu filho correu direto para os braços de Odessa.

“Mamãe! Aquela mulher má encostou em mim! Ela é suja!”, ele gritou, alto.

Alaric deu passos pesados na minha direção, com os olhos cheios de acusação. “Romy! Você sabe que o coração dele não aguenta esse pânico! Por que você o roubou e levou embora assim?”

Odessa verificou freneticamente o estado de Jude. Quando viu o sangue que a minha mão ferida tinha deixado na camisa dele, ela gritou.

— Meu Deus! Romy, a roupa dele está suja demais! As bactérias da cadeia vão entrar na pele dele!

Odessa puxou um lenço umedecido e esfregou com força o lugar onde eu o tinha segurado.

Ela esfregou com tanta força que as unhas afiadas arranharam o braço frágil de Jude, fazendo-o sangrar.

Cerrei os punhos. Dei, instintivamente, um passo à frente para impedi-la.

Mas me lembrei do olhar de nojo de Jude no hospital e congelei onde estava.

Alaric percebeu minha mão enfaixada e sangrando. Um lampejo de culpa passou por seus olhos, mas desapareceu rápido.

— Romy, Odessa está certa em ter cuidado. Você não devia ter tocado nele.

Então ele segurou meu pulso ileso.

— Suba comigo. Pare de passar vergonha aqui embaixo.

No quarto principal, Alaric trancou a porta. Ele escolheu não olhar para a queimadura grave na minha mão.

— Fique longe dele de agora em diante. Odessa é a mãe dele — disse ele, impaciente.

Sentei no sofá, olhando para ele, entorpecida.

— Eu salvei a vida dele. Se eu o tivesse levado ao pronto-socorro dez minutos mais tarde, ele teria morrido!

— Isso não é da sua conta! Pare de nos importunar! — Alaric elevou a voz, na defensiva.

Encarei-o com ferocidade.

— A mãe dele? — Minha voz tremeu. — Quatro anos atrás, você achava que meu passado na prisão era uma desonra. Você também acha que eu sou suja?!

Ele apertou a ponte do nariz, tomado por extrema irritação.

— Eu não acho que você seja suja! Estou protegendo você! Odessa pode dar a ele a melhor vida possível. Você não precisa se preocupar com isso. Apenas seja uma boa esposa, está bem?

Fiquei olhando para aquele homem com total decepção.

Esse era o homem que eu tinha protegido indo para a prisão. Era ridículo demais.

— Alaric. — Respirei fundo, tentando me firmar. — Vamos nos divorciar.

Achei que ele ficaria furioso.

Mas não ficou. Ele soltou uma risada fria e olhou para mim de cima.

— Odessa viu através de você. Você realmente usou esse truque.

Congelei.

— O quê?

Ele tirou o celular do bolso. Transferiu quinhentos mil dólares sem nem piscar. Então enviou uma mensagem de voz:

— Eu perdi. Já te mandei meio milhão.

Depois, puxou da carteira um cartão preto sem limite e o jogou no meu colo.

— Odessa apostou meio milhão de dólares comigo. Ela disse que você ia bancar a coitada esta noite e ameaçar se divorciar só para me fazer aumentar a sua mesada.

Ele se inclinou, tocando de leve a minha bochecha pálida.

— Você acabou de me fazer perder meio milhão, querida.

Meu coração foi pisoteado.

Pá!

Afastei a mão dele com um tapa e acertei seu rosto com força.

— Eu não estou brincando!

Uma marca vermelha surgiu na bochecha dele.

Ele não revidou. Apenas esfregou a mandíbula e suspirou baixinho.

— Para de fazer escândalo, está bem? Chorar, armar cena, usar o divórcio para implorar por dinheiro... isso é humilhante demais, Romy.

Ele se endireitou, e seu olhar ficou completamente frio.

— Você é uma mulher com ficha criminal. Quem mais ficaria ao seu lado além de mim?

Fiquei imóvel. Eu não conseguia respirar. Meu corpo inteiro tremia de dor.

Pá!

Dei outro tapa nele, mais forte. Atirei-me para a frente, agarrando sua gola com força.

— Onde ele está?! — gritei. — Onde está o Alaric que teve coragem de matar meu padrasto para me proteger?!

Minha voz rasgou o silêncio do quarto.

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