Capítulo 1 Perigoso (CALIA)
“Olá, Calia.”
Prendi a respiração quando Dimitri entrou no elevador. Aquele sorriso. Meu Deus! Minhas pernas tremiam como gelatina. Apertei a pasta contra o peito, as costas encostadas na parede fria do elevador. Estávamos só nós dois ali. Ele preenchia o elevador com aquela aura deslumbrante. De perto, era absurdamente bonito. Ele era um cardiologista de ponta no Hospital Central de Chicago. Na verdade, todos os médicos daquele hospital eram excelentes. E eu tinha tanto orgulho de ser uma deles.
“Seus óculos estão tortos.”
Minha respiração falhou quando Dimitri chegou tão perto de mim para ajeitar meus óculos.
O perfume dele era tão masculino. Meu coração batia tão alto dentro do peito que eu tive medo de ele ouvir.
“Pronto.”
“O-obrigada.”
Toquei a armação dos meus óculos, sem jeito.
“Nunca te vi sem eles.”
Limpei a garganta de leve.
“Eu não enxergo direito sem meus óculos. Se eu não quiser esbarrar em alguma coisa e pagar de idiota, prefiro não tirar.”
“Você já pensou em fazer LASIK ou usar lentes de contato?”
Balancei a cabeça devagar.
“Eu até teria interesse em tentar, mas não acho que eu sirva para lentes de contato. E LASIK... isso não está na minha cabeça agora.”
“Está com medo?” ele sorriu, sedutor.
“Não, é só que... eu ainda me sinto bem com esses óculos.”
Dimitri assentiu lentamente. Encostou-se na parede enquanto esperava o elevador descer até o quarto andar.
“Plantão noturno?”
“Sim. Você também está no plantão?”
“Não. Acabei de atender um paciente no centro cirúrgico. Insuficiência cardíaca.”
“Ah, espero que seu paciente melhore logo.”
“Acho isso um pouco difícil. A condição do coração dele está muito ruim. Só Deus sabe como ele sobreviveu até agora.”
“Isso é o que se chama de milagre.”
Dimitri cruzou os braços sobre o peito. Os bíceps dele saltaram sob o jaleco. Mordi o lábio inferior, imaginando-me beliscando aqueles bíceps com os dentes. Às vezes, meus pensamentos selvagens me levavam a fantasiar alguma coisa erótica entre Dimitri e eu. Ele era gostoso demais. Eu não podia culpar minha mente por imaginar algo indecente sobre ele.
Soltei um gemido baixo quando o elevador parou no sexto andar. As portas se abriram. Revirei os olhos, sem pressa, ao ver quem estava parado diante do elevador.
“Ah, Dimitri. Não esperava te ver aqui.”
“Cassandra. Você está indo embora?”
“Sim. E você, vai embora também?”
“Sim. Mas vou passar no meu consultório antes para pegar minhas coisas.”
“Então podemos ir juntos até o estacionamento.”
Cassandra estava tão focada em Dimitri que não percebeu nem por um segundo que eu estava no canto do elevador.
Eu não me surpreendi por ela me ignorar. Ela era uma das médicas mais populares do hospital. Era bonita, sexy e inteligente. Todo mundo adorava Cassandra. Ninguém jamais a ignorava quando ela atravessava o saguão ou os corredores. Eu era o completo oposto. Eu era só uma cirurgiã que nunca recebia os holofotes. Com óculos grossos, algumas sardas nas bochechas e um rabo de cavalo, eu parecia totalmente sem graça perto de Cassandra.
“Ah, eu não sabia que você estava aí, Calia.”
“Você só está focada no Dimitri”, resmunguei entre dentes.
Ela não ouviu meu resmungo. Estava ocupada falando com Dimitri sobre alguns pacientes dela que achava estranhos.
O elevador parou no quarto andar. Cassandra saiu primeiro, seguida por Dimitri. Ele se virou para mim e sorriu.
— Boa sorte, Calia. Até amanhã.
— É, até amanh—
— Dimitri, anda logo. Você não tem que pegar suas coisas no seu consultório?
Cassandra arrastou Dimitri para longe antes que eu pudesse terminar.
Vadia!
Fiquei sozinha no elevador, entediada e irritada. O elevador soou um ding suave ao chegar ao saguão. Fui até a emergência para checar alguns dos médicos jovens do plantão da noite. Eles estavam sob minha supervisão, então eu precisava garantir que não fizessem merda durante o serviço.
— Doutora Bennett.
— Doutora Bennett.
Eles se viraram para mim e me cumprimentaram assim que pisei na emergência. Pelo menos consideravam minha presença importante, em vez de me ignorarem.
— Algum problema?
— Não se preocupe, está tudo sob controle. A gente dá conta.
Rick me deu um joinha.
— Não tem nenhuma emergência que exija sua orientação.
Meus olhos percorreram toda a emergência. Havia apenas dois pacientes nos boxes um e dois. Uma mulher e uma garotinha. Monica e Tania estavam atendendo as duas. Não havia nada perigoso que exigisse minha intervenção.
— Certo. Vou estar no meu consultório se precisarem de alguma coisa. Boa noite.
Eu estava morrendo de fome. Depois de sair da emergência, entrei na cafeteria. Eu não tinha tido tempo de comer a lasanha deliciosa da minha avó porque estava correndo para o hospital. Meu carro tinha quebrado, e eu tive que pegar o ônibus. O ponto ficava bem longe da casa da minha avó. Eu precisava andar uns dez minutos, depois esperar o ônibus por mais dez, e então a viagem até o hospital levava cerca de quinze minutos. Se eu tivesse ido de carro, teria levado vinte minutos no máximo.
— Tsc, por que colocaram a placa de aviso aqui?
Fui obrigada a dar a volta por causa de reparos no corredor da ala direita. Eles deviam ter colocado uma placa no saguão. Tive que contornar pelo estacionamento dos pacientes, escuro e deserto. Eu esperava ter sorte e encontrar alguma coisa para comer na cafeteria. Às vezes estava tudo esgotado, e só sobravam lanches da máquina de venda automática.
— Você é médica?
Parei, olhando para a esquerda e para a direita para ter certeza de que a pessoa estava falando comigo.
— Ei, responde.
Virei com a testa franzida. Um homem de moletom preto com capuz estava atrás de mim. Ele suava, o cabelo preto grudado na testa. E, pela expressão, parecia um sujeito barra-pesada.
— Sim, sou médica. Como posso ajudar?
— Ótimo. Vem comigo.
O homem agarrou meu pulso de repente e me arrastou na direção de um carro preto.
— Que porra é essa que você está fazendo? Me solta. Se você precisa de atendimento médico, tem que ir para a emergência e seguir o procedimento.
— Não dá tempo. Meu chefe vai morrer com todos esses procedimentos de merda. Você tem que ajudar ele.
