Capítulo 3 03

Eu acordo com o barulho da porta batendo. Olho ao redor e não tem ninguém. Pego meu celular pra ver a hora e estou atrasada para a primeira aula. Ótimo! As garotas devem ter acabado de sair e como eu não sou uma figura muito simpática, elas acharam melhor não me acordar.

Me levanto e tomo um demorado banho, visto o uniforme que é uma calça frouxa azul e uma blusa Branca grande.

Amarro meus cabelos em um rabo de cavalo e vamos lá. Faço todo o caminho até o prédio onde fica as salas o mais lento possível até que chego à porta do laboratório de Química.

Eu entro e todos olham pra mim.

—Você está atrasada.-O professor que mais parece um cientista louco diz. Ele tem o cabelo bem ruim. Do tipo que já foi um cacheado sedoso um dia, mas por falta de cuidado, está quebradiço e cheio de pontas duplas. Ele tem olhos escuros e tantos pelos no corpo que o comparei na hora com Toni Ramos.

—Eu sei. —Dou um sorriso falso a ele.

—Que não se repita. Sente-se.

Vou até o único lugar disponível em uma bancada ao lado de um garoto e...

—Ah não, você?-Eu digo enquanto aqueles olhos azuis me encaram com um sorriso divertido no rosto. Agora posso ver que ele é até bonitinho. Tem covinhas e tudo. Ele não é aquele loiro apagado, como eu. Ele sem sobrancheas mais escuras que o cabelo, e a barba que cresce quase invisível parede ser da mesma cor.

—To começando a achar que você está me perseguindo. —Ele diz com um sorriso brincalhão.

—Não gaste seus neurônios pensando sobre isso. —Falo e ele levanta as sobrancelhas para mim.

—Os dois! Parem de conversar! Como eu estava dizendo antes, a pessoa que está na mesma bancada que você será seu parceiro o resto do ano.

Eu olhei pro garoto de olhos azuis e revirei os olhos. Não por ele ser meu par até o fim do ano, afinal, se tudo ocorrer como planejado, eu não vou ficar aqui tanto tempo assim. Revirei os olhos pois quando olhei para ele, estava bocejando como se estudar fosse a maior perda de tempo.

A aula termina e agora é geografia.

Entro na sala e percebo o garoto de olhos azuis entrando também. Mas será possível que ele faz todas as minhas aulas? E eu preciso saber o nome dele logo, pois chama-lo de garoto de olhos azuis é um tanto infantil. Talvez um pouco poético para os românticos, mas eu não sou romântica. Então é imbecil.

Após mais uma aula a campainha do intervalo toca. Então surge a voz da nossa querida diretora falando pra não fazer bagunça. Mal ela sabe que bagunça é meu nome do meio.

Eu entro no refeitório e pego minha comida. Olho em volta. Todas as mesas estão ocupadas. Vou ter que me sentar com alguém.

Eu vejo a Andreia de longe e ela acena pra mim. Vou a sua direção e sento-me à mesa dela.

—Gente essa é a Luna, a gente divide o quarto.

Na mesa tem dois garotos, a garota de cabelos pretos que eu vivo esquecendo o nome e uma garota de cabelos castanhos com uma mecha verde.

Todos me cumprimentam. Descubro que o nome dos dois garotos são Daniel e Ruan. Daniel é alto e têm os olhos e cabelos pretos, Ruan tem os cabelos castanhos e os olhos claros. E a garota de mecha verde é Cristina, do segundo ano.

—Então Luna, o que você quis dizer com "Não vou ficar aqui por muito tempo"?—A garota de cabelos pretos diz. Acho que é Laura o nome dela.

—Odeio essa escola, vou fazer de tudo para ser expulsa, mas parece que a diretora é amiga do meu pai e vai fazer de tudo para me prender aqui.

—Então você vai ficar aqui um bom tempo, se ela disse que vai te prender aqui, ela vai. —Laura fala dando uma garfada no seu macarrão de ontem.

—É, você não conhece a diretora, não sabe como ela é -Ruan diz.

—Não, ela que não me conhece.

Ruan abre um sorriso.

—E o que a garota problema vai fazer pra sair dessa escola?—Ruan pergunta.

—Obrigado por me lembrar, tenho que fazer uma ligação.

Me levanto, fazendo uma nota mental para comer o dobro no próximo intervalo, e vou até o jardim do Colégio. Hoje de manhã eu passei por aqui e prometi a mim mesma que viria ver. Parece ser a única coisa que me agrada nesse fim de mundo. Eu sempre fui apaixonada por natureza. Jardins, paisagens, mas nada supera um lindo céu estrelado.

Pego meu celular e ligo pro Kaio.

—Pimentinha, quanto tempo. -Kaio diz.

Kaio é meu melhor amigo, a gente vivia se metendo em encrencas juntos e eu sei que ele é a única pessoa que iria fazer o que vou pedir.

—Kaio, eu preciso de um favor, vou mostrar pra essa diretorazinha de merda quem manda nesse Colégio, pode me arrumar tinta spray?

—Se for pra você voltar, eu faço, chego aí em uma hora, me espera aí fora.

Eu sorrio.

—Obrigada, Kaio.

Desligo o telefone. Deito-me em um banco de praça e olho pro céu. Até que o sinal pra ir pra aula grita em meus ouvidos. Antes de entrar, dou uma fiscalizada na saída. Os portões estão apenas encostados e não há ninguém por perto. Será que não tem segurança no portão? Algo que notei nessa escola é a baixa fiscalização, ouvi falar que essa é uma escola renomada de alunos bem educados e eles tentam fazer o aluno se sentir em casa em vez de uma cadeia, então há pouquíssima fiscalização.

Ou talvez ninguém tenha tentando sair antes. Talvez ninguém como Luna Santiago tenha passado por aqui antes. Acredite se tivesse, esse portão seria trancado a sete chaves, pois garanto que vou usa-lo muito.

Volto para aula.

Aula de Física. Vou pra sala de Física e novamente o garoto de olhos azuis está na minha sala. Ruan também faz essa aula comigo então me sento no lado dele.

-Vai me contar seu plano?-Ele pergunta.

Eu sorrio.

—Amanhã de manhã você vai ver.

A aula começa e eu presto atenção. Embora eu tenha um ótimo talento pra tocar o terror, sempre fui uma aluna nota 10. Eu sei que se eu estudar vai ser mais rápido para me livrar dos meus pais, então minhas notas são sempre as melhores. Na minha antiga escola, eles não podiam me expulsar já que eu aumentava o índice de ensino da escola em tipo 60%. Então eles sempre relevavam minhas gracinhas.

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