Capítulo 4 04
Depois tivemos aula de matemática, mas eu não fui pra sala, fiquei esperando Kaio até que seu carro entrar no estacionamento, que por sinal, não tinha ninguém.
—Demorou!-Eu digo.
—Ei pimentinha, não sabia que era tão longe. —Ele diz dando o melhor sorriso. Kaio é alto e bem mais velho do que eu. Até hoje pergunto para ele como é aguentar uma adolescente na vida dele e ele apenas diz que sou a Irma dele e irmãos tem que aguentar um ao outro.
—Que seja, trouxe?-Pergunto.
—Aqui.
Ele me entrega duas latas de tinta spray, uma rosa e outra preta. Ele me conhece. Gosto de usar rosa nas minhas gracinhas, assim as pessoas sabem que foi feita por uma mulher. Não gosto de me meter nessa coisa de rosa é de menina e azul de menino, mas é algo que está ai desde o começo dos tempos, para que brigar por esses estereótipos? Eu acredito nisso, mas outras pessoas não e vivemos num pais leigo. Todos temos o livre-arbítrio.
—Obrigada, você é muito incrível!—Falo e pisco.
Ele ri me dá um beijo no rosto e vai embora de fininho.
Coloco as latas na mochila e vou pra minha próxima aula quando uma mão puxa meu braço.
—O que é isso?—Eu pergunto indignada.
O garoto de olhos azuis me encara. O que ele faz aqui? Como ele chegou tão perto e eu não o vi?
—Você não pode fazer isso. —Ele diz como se soubesse exatamente o que vou fazer com essas latas de tinta.
—Fazer o que?—Digo sínica.
—O que está tentando fazer pra minha... diretora.
Eu rio. Gargalho na verdade. Quem ele pensa que é para me parar?
—Sua diretora? Agora que eu vou fazer mesmo.
Viro as costas e vou pra minha aula de história. E adivinha quem também faz essa aula?
Após as aulas, eu fui pro meu quarto e as garotas estavam lá. Resolvi tirar uma soneca antes do meu primeiro ato. Eu sempre fui fã de dormir.
Acordo meia noite e meia. Visto uma roupa confortável para se mover e pego minha mochila com as latas de tinta.
Abro a porta devagar. O inspetor já deve ter entrado pro quarto dele. Em silêncio eu consigo chegar até a sala da diretora.
Pego a tinta rosa e escrevo frases no corredor. 20 minutos depois o corredor estava cheio e frases como:
A diretora fede.
A diretora não manda em mim.
A diretora tem cara de poodle.
Eu quero ir embora desse inferno.
A diretora sabe muito bem quem fez isso.
A diretora não vai fazer nada a respeito.
Ok, são frases infantis, mas quero começar com algo leve, apenas para testa-la.
Quando estou colocando o último ponto, alguém me empurra.
—Eu disse pra você não fazer isso—O garoto de olhos azuis aparece me assustando.
Como diabos ele entrou aqui? Ele está me seguindo?
—Eu sei, é por isso que eu estou fazendo. —Digo e volto a pichar.
Ele respira fundo furioso.
—Você não entendeu, amanhã o subintendente vai vim e se ele ver tudo isso, vai demitir a diretora.
Eu sorrio.
—É tudo que eu mais quero... mas por que defende tanto a diretora?
—Não importa, mas se ela sair, eu vou ter que sair também, eu não gosto tanto assim dela, sério, se fosse outro dia qualquer, eu estaria te ajudando. —Ele diz olhando para minha obra prima.
—Eu trabalho sozinha.
Ele revira os olhos.
—Só me ajuda a limpar isso antes que nos peguem aqui.
Ah coitado. Essa é a intenção. Hoje quero ser pega. Eu viro as costas e vou embora, mas dou a cara com a diretora.
—Samuel, o inspetor disse que você saiu do dormitório... o que está acontecendo aqui? Por que você está com ela e por que essas frases estão pichadas no corredor? Samuel, não acredito que você juntou sua mente diabólica com a dela pro mal!
—Foi tudo eu, já pode me expulsar. —Eu digo sorrindo.
—Não vou te expulsar Luna, você vai pegar um pano e limpar tudo isso e amanhã de manhã se isso não tiver brilhando, você vai ter que lavar a louça da cantina por uma semana.
Ela não pode fazer isso! Isso é trabalho escravo!
—Não! Pra você ficar sabendo, a época da escravidão já passou, então se me der licença, eu vou dormir.
—Não dou licença não, pode ir pegar o pano, pois eu posso fazer isso e vou! E você-Ela diz olhando pro garoto de olhos azuis— Ajude ela, você sabe muito bem que o subintendente vai vir amanhã e mesmo assim participou de tudo isso.
Ela da às costas e vai embora.
—Obrigado!—Eu grito sarcasticamente ao Samuel.
—Eu não fiz nada! Tentei te avisar e agora eu me ferrei!
—Que seja!
Ele vai até o quarto do zelador, tira uma chave do bolso e abre.
—Você tem a chave?
—Eu tenho uma cópia de todas as salas desse Colégio, menos dos dormitórios.
Esse garoto vai me ser mais útil do que eu imaginei.
—Interessante... quando o tal do sub intendente vai embora?
—Amanhã mesmo.
Eu dou um sorriso perverso.
—Tem planos pra amanhã à noite?
Ele sorri.
—Estou livre.
—Ótimo, vamos ensinar um pouco de Cultura pra esse Colégio.
Ele ri.
Pegamos alguns produtos de limpeza e uns panos. Começamos a limpar.
—Então quer dizer que você era a mente diabólica do Colégio?-Digo imitando a voz da diretora
Ele se faz de ofendido.
—Ei, eu ainda sou, mas tenho um código de honra, prometi a diretora, uma trégua quando o subintendente aparece.
—Mas meu querido Robin Wood, eu não prometi nada... e foi ótimo ver ela toda descabelada gritando com a gente.-Falo. Já li a historia do Robin Wood diversas vezes, não tem nada a ver com Samuel, mas essa coisa de código de honra me lembrou ele.
Ele ri.
—Foi mesmo... Então, me fala de você.
Eu o olho pelo canto do olho.
—O que quer saber?
—Por que veio parar aqui e por que quer sair?
—Eu odeio meus pais e odeio esse Colégio. Simples assim. E você, por que não quer ir embora?
Ele faz careta.
