Capítulo 7 07

Ela corre para sua sala e de repente a música acaba.

—Tudo que é bom dura pouco—Samuel murmura.

—ATENÇÃO ALUNOS, ISSO TUDO FOI UMA BRINCADEIRINHA DE MAU

GOSTO... TROQUEM ESSAS ROUPAS, SAIAM DA PISCINA E VÃO PRA

AULA!—A diretora grita no microfone. —E a senhorita Luna Santiago e o Senhor

Samuel Reis podem vir a minha sala, por favor.

Eu e Samuel nos olhamos e rimos. Vamos à sala da diretora e ela está bufando.

—Olá querida diretora, posso saber por que me chamou aqui?—Digo dando um sorriso

falso.

—Você sabe muito bem... vocês sabem!-Ela diz claramente irritada.

—Ah... não sabemos, não—Samuel diz.

Ela respira fundo.

—Eu quero saber quem foi que armou toda essa... coisa de dia arco Íris!

—Ah, não foi à senhora? No folheto tinha a sua assinatura... ah, eu entendo, é a idade

não é mesmo?—Falo com a mão no peito e uma voz de pena enquanto Samuel reprime

uma risada ao meu lado.

Ela bufa.

—Eu sei que foram vocês.

—Prova. —Samuel diz.

—Se você me expulsar eu posso assumir a culpa sem problemas... —Eu começo.

—Você.não.vai.ser.expulsa. —Ela diz pausadamente. —Vão trocar de roupa e voltem a

suas salas, e Sam, eu vou revistar seu quarto as nove da noite.

—Mas eu achei que era proibida uma pessoa do sexo oposto no dormitório depois das

oito. —Digo cinicamente.

A respiração dela fica mais rápida e seu olhar em mim é fixo.

—Eu vou as seis então, garota.

Eu me levanto e antes de ir embora falo:

—Não se esqueça de deixar a porta aberta.

Faço uma saída triunfal.

Espero Samuel do lado de fora e vamos ao prédio dos dormitórios juntos. Nós rimos e

conversamos sobre a cara que a diretora fez quando eu disse que eram proibidas pessoas

do sexo oposto no dormitório após as oito.

Nós trocamos de roupa e nos encontramos em frente ao prédio das salas.

—Então, qual vai ser nosso próximo passo? —Ele pergunta entrando na minha frente.

—Esperar. —Falo passando por ele.

Ele corre para me alcançar e se põe na minha frente levantando as sobrancelhas.

—Como assim?

—A maior virtude do ser humano é a paciência—Digo.

—Fala à garota que nunca leva desaforo para casa.

—É sério, temos que dá um tempo de pelo menos uma semana se não quisermos ser

pegos na nossa próxima... aventura. —Falo e pareço tê-lo convencido.

—Tá, mas me procura no intervalo, eu quero te apresentar aos meus colegas de quarto,

eles estão loucos pra conhecer a nova garota problema.

—Vai ser um prazer, agora vamos pra aula de Química! —Digo levantando os braços.

Ele ri e vamos para nossa sala.

Como nós ocupamos boa parte da manhã, logo chegou ao intervalo e eu fui com Samuel

encontrar seus amigos.

Nós chegamos a uma mesa com garotos muito bonitos! Tipo, muito mesmo!

Samuel vai para o lado deles e eu consigo comparar.

Samuel é o mais bonito, mas os outros não saem perdendo.

—Gente essa é a Luna, Luna esse são Tiago e Rafael.

Tiago é um garoto mais baixo que Samuel, ele tem olhos lindos e um cabelo escuro e

extremamente curto. Rafael tem o cabelo castanho, seu cabelo é como daqueles surfistas

que vemos na televisão. É ondulado e um pouco volumoso.

—Olá! —Digo.

—-Cara, quando você disse que ela era bonita esqueceu de dizer que ela é tipo...uau!—

Tiago simulando uma explosão com as mãos.

Eu levanto uma sobrancelha para o Samuel.

—Você disse pra eles que eu sou bonita?

Ele fica parecendo um pimentão.

—Eu posso ter comentado.

Rafael começa a rir feito louco.

—Comentado? Luna, ele não parava de dizer o quanto seus olhos são bonitos... mas

realmente ele não estava exagerando.

Eu sorrio para o Samuel e me sento com os garotos.

—Então, já que nos conhecemos, que tal uma festinha? —Eu pergunto.

—Não podemos dar festas—Rafael diz.

—Vocês não podem agora EU tenho uma espécie de passe livre já que não podem me

expulsar, a gente se vê no quarto de vocês depois do toque de recolher. —Eu falo e me

levanto.

Antes de ir embora, pude ver o sorriso de Samuel.

Eu vou para o Jardim e ligo para o Kaio.

—Pimentinha, e aí, já conseguiu ser expulsa dai?

—Não, pelo visto vou ficar mais algumas semanas, tem algumas pessoas legais aqui.

—Hum, tem garoto nessa jogada, não é?

—O que? Claro que não. Eu sou Luna Santiago, não me apaixono, brinco com corações

alheios—Digo brincando. Ouço a risada de Kaio por ter ouvido esse discurso milhares

de vezes.

—É claro que é, eu to com saudades, mas agora eu tenho que ir, até mais.

—Tchau, Kaio.

Me pergunto o que Kaio tem pra fazer de tão importante. Ele não trabalha, nem estuda...

é um vagabundo. Vive às custas da gorda conta bancária que o pai sustenta, bebendo,

saindo, comprando coisas sem noção e ficando com inúmeras interesseiras.

Me levanto e vou pra minha próxima aula.

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