Capítulo 10 Capítulo Nove

Raylon Peres

Chego em casa depois de mais um dia de trabalho na empresa e vejo minha mãe conversando com Dadá, assim que elas me vêem se calam e eu ergo a sobrancelha, mas resolvi deixar as indagações para depois, minha mãe está um pouco abatida e perguntei se ela foi ao médico e disse que o doutor foi examiná-la e que eu não deveria me preocupar.

— A Mellory, conseguiu fechar o contrato para que a empresa seja expandida para o exterior, você deveria ligar para ela e a parabenizar.

— Me esqueci completamente desse compromisso.

— Não acredito que Meridiana Peres esqueceu um compromisso, acho que o mundo deve estar prestes a acabar.

— Não seja debochado menino.

— Porque não me contou sobre a expansão da empresa, eu fiz papel de bobo perto da Mel. – Ela me olhou e sorriu.

— Você nunca se interessou sobre os assuntos da empresa, seu negócio sempre foi ir para festas e se divertir. – As palavras de Mellory voltam a minha mente, até minha própria me vê como um cara fútil, acho que já estou velho demais para agir como um adolescente

.

— Mas a partir de hoje eu quero saber de tudo, afinal a empresa será minha futuramente.

—  Milagres existem, quem diria que ouviria isso de você filho, não sabe como eu fico feliz por isso. Agora vá descansar. – Dei um beijo em minha mãe e em Dadá e fui para meu quarto, assim que saí do banho Joca me avisou que tínhamos uma festa para ir, perguntei a ele em qual casa era e ele me disse que era na casa da amiga da ficante dele, eu nem sabia que ele estava ficando com alguém.

Combinamos que ele me buscaria às dezoito horas, aproveitei para dormir um pouco e estar preparado para a tal festa.

Assim que ouvi meu amigo buzinar desci as escadas, minha mãe estava na sala lendo alguma coisa e quando me viu parou de ler.

— Meu filho,você vai sair? – Ela perguntou e eu assenti.

— Como você vai voltar para casa, pois você não anda de táxi.

— Eu vou com Joca e se não der para voltar eu dou um jeito para dormir em algum lugar, não se preocupe e vá para a cama descansar. – Dou um beijo em sua testa e ela sorri.

Entrei no carro do meu amigo e ele me cumprimentou.

— E ai amigo, pelo que fiquei sabendo as amigas da minha ficante são gostosas.

— Essa sua ficante tem nome não? – Perguntei a ele.

— É Celina, mas as amigas dela chamam ela de Cel. – Me lembrei que Mellory tem uma amiga com esse nome, mas tenho certeza que não é a mesma pessoa.

— Vou passar na casa dela para poder levá-la também, não seja um babaca. – Meu amigo pediu e nunca vi ele ficar assim por uma ficante.

— Pode deixar, mano.

Durante o trajeto fomos conversando e ele me atualizou como era trabalhar para o seu pai, meu amigo disse que era muito desafiador ter alguém nos seu pé como se fosse uma babá e que não tinha confiança nele, pelo menos a Mel tem confiança em mim, as vezes até mais do que eu mesmo. Chegamos na casa da menina e quando a vi soltei uma gargalhada, ela me olhou de cara fechada e revirou os olhos.

— A Mel vai me matar. – Ela disse enquanto eu só sabia rir.

— O que houve Celina? – Meu amigo perguntou e olhamos para ele.

— Ela é uma das amigas da Mellory.

— Olha, como o mundo é pequeno quem diria que ela é amiga da sua dona. – Dei um tapa na cabeça do meu amigo que protestou.

— Me bateu por que o maluco? – Ele perguntou e eu olhei para ele de cara fechada.

— Eu não tenho dona, sou bicho solto.

— Sei.

— Cala a boca e dirige.

Chegamos ao apartamento de Mellory, Celina e eu descemos do carro e ficamos esperando Joca estacionar, os dois se encaravam sem dizer uma palavra meu amigo chegou e mesmo percebendo o clima estranho não disse nada, tocamos a campainha e quando Mel atendeu olhou para sua amiga.

— Amiga eu juro que não sabia. – Ela ergue as mãos como quem se desculpasse.

— Tudo bem amiga, eu que devo ter dançado pole dance na cruz de calcinha e sutiã. – Sua amiga riu e eu fiquei sem entender o que ela quis dizer.

— Você é estranha Melzinha. Aqui eu trouxe as bebidas. – Quando estava quase passando as sacolas para as suas mãos um cara se aproximou e pegou.

— Oi, eu sou William. – Ele estendeu a mão e apertou  a minha com força excessiva.

Olhei para Mel que revirou os olhos e tomou as sacolas de sua mão dizendo que poderia muito bem dar conta delas, ele não gostou muito, mas foi para o outro canto da sala.

Celina se encontrou com a outra amiga delas a Mary e as duas começaram a arrumar as bebidas e o gelo, um tempo depois chegaram mais umas pessoas e meia hora depois estávamos todos conversando como se fossemos amigos de longa data.

Depois de várias rodadas de bebidas começamos a brincar de vira - vira, formamos os times dos caras  contra os times das meninas, nós sabíamos que a vitória estava no papo, mas para a nossa surpresa perdemos feio, as meninas bebem muito mais que nós.

— Vocês bebem mais que Opala. – Joca disse a elas que sorriam e estenderam a mão levando nosso dinheiro.

— Elas levaram praticamente todo meu dinheiro, vamos fazer uma outra brincadeira que não me deixe tão pobre. – Um dos amigos de Mel disse o outro deu a sugestão de formamos pares para brincar de mímica, todos concordaram e eu agarrei logo em Mellory deixando o tal de Willian irritadinho.

— Eu sou bem competitiva. – Mel falou ao meu ouvido.

— Eu também, por isso formamos o casal perfeito. – Digo a ela que sorri.

Vencemos todas as rodas e todos ficaram admirados com a nossa sincronia, depois disso jogamos banco imobiliário e eu nunca, por fim colocamos músicas aleatórias e começamos a dançar, todos já estavam alterados, Joca e Celina tinha sumido, Mary estava completamente bêbada chorando as suas amarguras e eu puxei Mel para voltarmos a dançar.

No dia seguinte eu só lembro de ter acordado ao lado de Mellory em sua cama, não lembro de nada que aconteceu mas pelas camisinhas descartadas e pelos arranhões em meus braços e peito a noite foi frenética e deliciosa. Fico deitado olhando para Mellory que dormia tranquilamente, de repente ela abriu os olhos e quando me viu deu um pulo da cama.

— Puta merda! Não acredito – ela colocou a mão no rosto. — O que aconteceu ontem?

— Estou na mesma, não lembro de nada.

— Não… Não… Não, isso não podia ter acontecido de novo.

— Você disse que figurinha repetida não completa álbum, mas parece que eu sou sua figurinha favorita.

— Cala a boca Raylon, minha cabeça parece que vai explodir e ouvindo você grasnando ela vai mesmo.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo