Capítulo 11 Capítulo Dez

Duas semanas se passaram e pelo o incrível que pareça Mellory e eu estamos nos dando bem juntos, claro que optamos por não falar sobre aquele dia.

Minha mãe anda cada vez mais estranha e toda vez que toco no assunto ela desconversa? Pego um chá para mim e vou para minha sala compartilhada ao chegar ouço Mel marcando de sair com alguém, me sinto meio estranho com isso, decidi deixar de lado, afinal não tenho nada haver com sua vida. Quando ela desligou o celular sentou-se em minha mesa.

— Esse chá parece estar gostoso. – Ela diz cruzando as pernas me deixando excitado.

— Quer um pouco? – Ergo a xícara oferecendo a ela.

Mel pegou a xícara de minha mão e tomou um gole, em seguida passou a língua por seus lábios e puta que pariu que tesão fodido, essa mulher me mata.

— Obrigada, realmente está uma delícia. – Mel se ajeita em minha mesa e me pergunto se ela sabe o efeito que está causando em mim.

— Pensei que gostasse de café.

— Gosto, mas sinceramente prefiro chá, no sítio dos meus pais eu bebia muito chás naturais, sinto falta disso. – Ela diz saudosa.

— Já cogitou voltar para lá?

— Até cogitei, mas aconteceram algumas situações que me trouxeram para cá, na verdade meus próprios pais me incentivaram.

Seu olhar ficou distante por um breve momento e eles transmitiam tristeza e saudade.

— Será que um dia você me contará o que aconteceu para que tomasse essa decisão? – Ela suspira algumas vezes e quando penso que ela usará seu sarcasmo como sempre começa a falar.

— Quando eu morava na fazenda era uma menina ingênua, tinha um namorado de adolescência que era muito apaixonada e uma prima que tratava como irmã, onde morava não existia faculdade, então fiz a prova e passei para estudar na capital. Estava muito feliz por estar realizando meu sonho, mas o que aconteceu a seguir me  devastou. Um dia fui fazer uma visita surpresa para meu noivo e descobri que ele tinha um relacionamento antigo com minha prima. Neste mesmo dia descobri que ela estava grávida do homem que eu amava, Fabiola zombou de minha inocência e foi morar com ele, então meus pais me aconselharam a terminar meus estudos e seguir meu caminho longe de tudo que me afetaria.

Mel limpou uma lágrima que escapou de seus olhos, agora eu consigo entender o motivo dela ser tão dura e às vezes uma megera, ninguém pode culpá-la, pois a vida lhe deu uma rasteira.

— Mas agora, olha para você, uma pessoa bem sucedida que tem capacidade para abrir sua própria empresa. – Digo sincero e ela sorriu.

— Não tenho pretensão nenhuma  disso enquanto eu puder estarei aqui, sou muito grata a sua mãe por tudo que ela fez por mim. Na ausência dos meus pais ela agiu como se fosse minha segunda mãe, me aconselhou e ensinou tudo que sei. Eu tenho sorte por ter pais fantásticos e você por ter uma mãe maravilhosa, todos os dias agradeça por isso. – Mais uma vez Mel limpou uma lágrima.

Ela se levanta da minha mesa e vai para o seu lado trabalhar, vendo-a trabalhar me pergunto o quanto de sofrimento ainda há em seu coração.

— Tenho três meses para transformá-lo em um homem sério de negócios e é isso que farei nem que tenha que grudar em ti vinte e quatro horas. – Do nada ela mudou o assunto.

— Então quer dizer que dormiria comigo também? – Perguntei sorrindo e ela pôs a mão na testa.

— Não seja idiota , mas se precisar quem sabe. – Mel me dá uma piscadela e volta para algo que está lendo em seu computador. Será que ela está flertando comigo ou estou vendo coisas?

Ela riu mais uma vez e antes que eu falasse alguma coisa idiota voltei para o trabalho, por que será que eu não consigo me lembrar do dia que dormimos juntos? Isso é foda. Resolvi deixar minhas frustrações de lado e focar na minha tarefa, estava completamente focado até que meu celular tocou e atendi sem olhar no visor.

— Senhor Raylon Peres? – A mulher pergunta e eu confirmo. — Aqui é do Centro comunitário Criança Feliz.

— Sim. Aconteceu algo?

— Uma das crianças que o senhor apadrinha foi encaminhada ao hospital, o caso de leucemia agravou.

— Ai meu Deus! E como Janessa está? – Perguntei preocupado.

— Não sabemos como ficará o seu estado.

— Me passe o endereço  que chego aí rapidamente.

Assim que encerro a ligação vejo Mellory me encarando com  curiosidade.

— Está tudo bem? – Ela me pergunta preocupada.

— Não. Uma das crianças que apadrinho foi internada, ela tem leucemia.

— Você vai para o hospital?

— Já estou indo. – Pego minhas coisas e estava caminhando para a porta quando ela me chamou e pediu que eu passasse o endereço para assim que ela terminasse uma videoconferência fosse para lá.

— Por favor dirija com cuidado.

— Pode deixar. – Me despeço dela e vou correndo para o hospital.

Dirigi rapidamente e cheguei ao hospital, dei meus dados na recepção e me encaminharam para a sala de espera, eu odeio essas salas são um saco, isso me lembra quando sofri meu acidente aos quinze anos. Me juntei a duas cuidadoras do abrigo e ficamos aguardando por notícias, entrava e saía médico e nada de informações sobre o estado de saúde dela. Minha mente me levou para o dia em que conheci Janessa.

Flashback On

Recebi notícia que havia chegado quatro crianças novas  no Centro comunitário e fui pessoalmente ver se as crianças precisavam de algo, eu conheci esse centro depois de ter sido obrigado a fazer trabalho comunitário como sentença por dirigir alcoolizado, mesmo já tendo sofrido um acidente grave, é por isso que minha mãe não tem confiança em mim, acho que nem eu mesmo teria, mesmo depois de ter cumprido minha sentença continuei voltando e acabei apadrinhando algumas crianças como o Jonas, a Rubi e o Pedro, meus dias se tornavam bem melhores quando estava  com eles.

Assim que cheguei lá Stefany me apresentou as novas crianças e eu vi uma menina bem desmilinguida para a idade dela e perguntei o que ela tinha.

— A Janessa tem leucemia, a mãe é uma prostituta ela deixava a menina sozinha mesmo sabendo de suas limitações, ela foi encontrada passando mal na rua e depois da alta no hospital veio parar aqui. – Olhei para a menina que sorriu fracamente para mim.

— Quantos anos ela tem?  O que aconteceu com a mãe dela?

— Ela tem quatro anos, a mãe dela perdeu sua guarda e foi detida. – Depois que ela chegou eu passei a frequentar o centro comunitário com mais frequência e não demorou muito a adotei.

Flashback Off

Meu celular apitou tirando-me de meu devaneio.

“Raylon, estou saindo daqui agora assim que chegar te envio uma nova mensagem.”

“Obrigado Mel.” – Digo apenas.

“Não por isso, até daqui a pouco.”

Travei meu celular e continuei à espera de alguma informação.

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