Capítulo 4 Capítulo Três
Mellory Bragança
Acordo de péssimo humor e sem nenhuma vontade de ir para o trabalho, não acredito que terei que aturar o filho insuportável da minha chefe, o pior de tudo é que terei três meses para transformá-lo em alguém que queira ao menos saber como funciona a empresa que herdará. Tomo meu café na minha starbucks favorita e meu celular toca.
— Oi, gata, um excelente dia para você quer sair comigo mais tarde? – Wilian não perde a chance de querer a sós comigo.
— Will, não vai rolar, mas no sábado vou em um rolê com a Mary, a Cel e a Liz, tá afim de ir? – Pergunto a ele que demora um pouquinho para responder. – Liz é apaixonada por ele, mas o cara cismou comigo.
— Vamos sim, só me manda o endereço e o horário.
— Pode deixar, peço a Liz para te mandar, beijos.
Travei meu celular e vou para o meu carro, ligo o rádio e estava tocando Sorriso Maroto, um grupo de pagode que passei a gostar na adolescência.
Chegando lá cumprimento a todos como sempre faço ao chegar em minha sala minha secretária me intercepta e avisa que há alguém esperando por mim. Assim que abro a porta encontro Raylon sentado em minha cadeira.
— Bom dia, Mellory, você está linda neste vestido preto justinho. – Ele diz passando a língua pelos lábios.
— Nem vem, já te falei que o que aconteceu no passado não se repetirá nunca mais. – Ele cruzou os braços e se inclinou.
— Nunca diga nunca Melzinha.
Eu sabia que isso não daria certo, Raylon é insuportável e nada discreto.
— Você pode me dar licença por favor, preciso me sentar. – Peço com toda a educação dada pelos meus pais.
— Por que sairei se aqui está tão confortável. – Ele se ajeita na cadeira, parece que estou de volta ao colegial.
— Se quiser tanto se sentar vem me tirar.
— Eu não posso fazer isso vou acabar gastando meu réu primário com você.
— Vamos fazer outra coisa mais interessante então. – Ele diz sugestivo, se você quer desse jeito, tudo bem eu também sei jogar.
— E o que você gostaria de fazer? – Digo aproximando meu rosto do dele.
— Que tal usarmos essa mesa aqui para fazermos algo interessante. – Ele diz e eu me encosto na mesa.
— Hum! E o que você quer de mim? – Ele me pergunta e me aproximo do seu ouvido de maneira bem sexy.
— Por que não começa tirando essa blusa.
Passo a mão levemente pelo seu braço e quando vejo que ele está completamente excitado o jogo no chão Raylon começa a xingar e eu não consigo parar de rir.
— Sua vaca, megera. – Ele diz irritado.
— Nós vamos trabalhar juntos e espero que essa parceria seja ao menos tolerável para ambos.
— Eu ainda terei você gemendo meu nome nessa mesa ou não me chamo Raylon Peres. – Ele estava me olhando sério, realmente Raylon ficou com raiva de mim o que alargou ainda mais o meu sorriso.
— Somente nos seus sonhos. – Olho para ele ainda rindo. — Minha secretária irá te mostrar a sua sala, se instale e retorne.
Ele se levanta sorrindo e logo em seguida se retira, será que ele foi se queixar com a mãe dele? Me sento e começo a trabalhar, estava encerrando uma chamada quando ouço um burburinho do lado de fora e saio para saber o que estava acontecendo.
Vejo Raylon auxiliando dois rapazes que estão carregando uma mesa, enquanto Valentina avisa a ele que não pode passar. Acho que agora ele endoidou de vez.
— Onde você quer pôr essa mesa? – Pergunto de braços cruzados.
— Você disse que iremos trabalhar juntos, então nada mais justo que trabalharmos literalmente juntinhos – ele diz zombeteiro.
— Você não vai querer comprar briga comigo. – Olho para ele severamente ainda de braços cruzados.
— Eu só quero paz. – Ele sorri debochando de mim, me irritando com esse risinho dele, mas se é assim que ele quer, mexeu com a garota errada.
Dou espaço para que os rapazes passem, ele sorriu achando que venceu, mas mal sabe ele que eu vou transformar a vida dele em um inferno.
Assim que ele se acomoda olhei para ele com um sorriso angelical e pedi para que ele buscasse os rolos de tecido.
— Para que você precisa do rolo inteiro se pode pegar apenas uma amostra? – Ele pergunta recusando a ir.
— Eu preciso verificar se toda a tonalidade dos rolos de tecido estão iguais, isso é uma coisa que sua mãe pede para que eu faça pessoalmente.
— E por que não vai para o estoque fazer isso? – Continuei digitando e ele ficou aguardando a minha resposta.
— O problema é que hoje eu vou estar em videoconferência daqui a pouco e o cliente quer ver a tonalidade do tecido no vídeo.
— Tá me zoando, não é? – Olhei severamente para ele. — Você não está brincando comigo. Onde ficam os tecidos? – Ele pergunta e eu chamo Valentina que fica surpresa com o meu pedido, mas eu faço um sinal para ela que entende.
Não demora muito ele voltou com um rolo, eu pedi mais três rolos de cores diferentes, ele já estava cansado por conta do peso, e disse a ele que se não fosse tão forte como se gaba podia pedir ajuda, mas ele bancando o fodão disse que estava tudo bem.
Resumindo eu fiz ele descer doze rolos de tecido e depois levar tudo de volta, ele reclamou mas fez tudo, um tempo depois ele voltou completamente cansado e ofegante, se eu senti pena dele? Óbvio que não.
— Você está cansado? – Pergunto a ele com ar inocente.
— O que você acha? – Ele saiu e voltou com três garrafas de água e tomou todas, acho que ele realmente se cansou, na hora do almoço fui me encontrar com minha amiga Celina, ainda bem que pelo menos ela trabalha em uma empresa próxima a minha.
Durante o nosso almoço eu contei a ela sobre tudo o que aconteceu e ela começou a rir.
— Menina, você é péssima. Coitado do cara. – Ela diz tomando um gole generoso do seu suco.
— Coitado nada, ninguém mandou ele mexer comigo. – Digo a ela que me olhou de uma maneira estranha.
— Já se deu conta que o seu lado quinta série só aflora perto desse tal de Raylon, acho que o que vocês têm é tesão reprimido, isso sim.
— Para de falar coisas sem sentido amiga, não sinto paixão reprimida por ele.
— Mas eu não disse paixão.
— O tesão nada mais é que paixão. – Termino minha refeição e chamo o garçom para pedir café.
— Ainda vou ter notícias que vocês estão se pegando.
As pessoas a minha volta são mais loucas do que pensava, Raylon e eu nunca daríamos certo, ele é um idiota de marca maior e eu sou a mulher que fica com um cara apenas uma noite. Ele já foi contemplado com duas noites, está de bom tamanho.
— Está pensando em como vocês dois ficam fofos juntos? – Minha amiga perguntou debochando da minha cara e eu nego.
— Estou pensando que tenho muita coisa para fazer hoje e não posso me dar ao luxo de ficar aqui conversando com você sobre essas neuroses suas.
Me levanto e vou para o meu carro chegando lá meu celular apita.
“Mel, desculpa te pedir mais um favor é que eu trouxe o Raylon de carro para que ele não fugisse, será que teria a possibilidade de você dar uma carona a ele, vou para casa pois não estou me sentindo bem.” – Era só o que me faltava, eu agora tenho cara de Uber por acaso?
“Tudo bem, Meridiana, mas o que você tem?” – Ela anda tão estranha ultimamente, tenho certeza que está escondendo algo.
“Apenas uma dor de cabeça, nada mais.”
“Se cuida, até amanhã."
Ela me envia vários emojis e travo meu telefone e volto para a empresa, chegando lá Raylon estava falando animadamente com alguém ao telefone e assim que ele me viu desligou e franzi o cenho quando vi um sorriso genuíno em seus lábios.
— O que foi? – Ele perguntou.
— Namorada? – Nem sei por que perguntei, acho que só por curiosidade, por não ver ele cantando a pessoa.
— Ciúmes?
— De você? Jamais.
— Já que não é ciúmes, é o que?
— Curiosidade apenas, sua mãe pediu para eu te dar uma carona. – Ele me olhou surpreso.
— O que aconteceu? Ela vai ficar até mais tarde? – Ele pergunta e me pergunto por que ela não falou com o filho.
— Ela falou que está com dor de cabeça, mas quando eu perguntei disse que está bem.
— Que estranho, ela nunca deixou uma dor de cabeça a abater e já se queixando dessas dores a dias. – Ele falou uma verdade, em todos esses anos que a conheço ela não deixou nada a abater, por que justo uma dor de cabeça?
Deixo as preocupações de lado e começo a explicar a Raylon o que ele vai precisar fazer, lhe mostro as agendas de contatos dos associados e digo a ele que se tiver qualquer dúvida para não hesitar em perguntar, ele faz das suas gracinhas como sempre, mas o cortei e logo voltamos a trabalhar, no final do expediente eu o levo para casa, indo para minha casa começo a repensar sobre a loucura que foi esse dia e só espero que os outros dias sejam tranquilos.
