Capítulo 6 Almoço

Desde cedo estou dando pequenas indiretas no Pitty, sempre arrumo um jeito de dizer algo com duplo sentido, mas parece que ele não percebe.

Ficar perto dele tem sido um tormento...Ontem, após ele ficar só de calça de moletom e sem camiseta perto de mim, já me levou a imaginar várias coisas e também me induziu a me masturbar pensando nele antes de dormir.

Confesso que fiz de propósito, só por saber que ele estava no quarto ao lado.

Hoje, quando saiu para ir treinar, parou na porta e ficou me olhando. Eu fingi que estava dormindo para ver o que ele ia fazer, mas saiu logo em seguida, sem expressar nenhuma reação diferente.

Puxa, eu sou uma mulher bonita! Estou fazendo de tudo para ele me notar e nada... Não sei se vou conseguir que me olhe como mulher e não como uma garotinha.

Depois do passeio, fomos almoçar. Ele me levou num restaurante superlegal e, enquanto esperávamos a comida, o Thiago, motorista do Uber, entrou, me reconheceu de longe e acenou para mim. Estava com um outro rapaz e sentaram do outro lado do salão.

— Quem é? O Pitty perguntou.

— O motorista do Uber que eu peguei ontem, acho que amanhã vou ligar para ele me levar para fazer a prova também.

— Negativo, mocinha, eu é que vou te levar para fazer essa prova. Que horas é?

— Sério?

— Claro!

— Nossa, estou até me sentindo importante... É às 13:00h.

— E você é mesmo, muito importante para mim. Acha que vou deixar qualquer um ficar andando contigo por aí? Falando na prova, você não tem que estudar?

— Não... Se eu estudar na véspera de prova, me confundo toda. Já estudei bastante essa semana.

— Então que bom, porque hoje tenho uma festa para ir e, se você quiser, gostaria de te levar comigo.

— Eu quero, com certeza! Afirmei.

Nossa comida chegou e, conversa vai, conversa vem, o Thiago passou de novo pela nossa mesa, mas dessa vez veio me cumprimentar, com um beijinho no rosto, e depois foi embora.

— Está a fim dele? O Pitty perguntou com uma expressão séria.

— Não, claro que não. Ele é um gato, não posso negar, mas conheci ele ontem. Além disso, já te falei que gosto de outro homem.

— Acho que ele está a fim de você.

— Parece que sim, mas eu não quero.

— Já teve muitos namorados?

— Namorado mesmo, não tive nenhum.

— Tá mentindo, nenhum namorado? Tão bonita assim...

— Não, eu juro! E você, está pegando muitas mulheres aqui no Brasil?

— Estou tranquilo, ainda estou me readaptando ao país, não estou me empenhando em ficar com ninguém. Respondeu rindo.

— Já ficou com mulheres mais novas? Perguntei na lata mesmo.

— Sim, minha ex tinha 28 anos.

— Não, estou dizendo mais novas mesmo, com 18, 20 anos.

— Quando eu tinha uns 25 anos, costumava pegar umas de 18. Falou ironicamente.

— Ah, Pitty, estou falando sério, tipo agora, com essa idade que você tem.

— Depois de velho, você quer dizer?

— Ah, deixa pra lá. Respondi irritada.

— Não... Nunca fiquei com uma garota dessa idade, porque quer saber?

— Nada, curiosidade. Respondi desanimada.

Terminamos o almoço e fomos para casa. Dormi um pouco à tarde, enquanto o Pitty mexia no computador.

Acordei, já estava escurecendo, e ele estava assistindo a um filme no sofá ao lado do meu.

— Acordou, bela adormecida?

— Nossa, dormi demais, já está escuro... Que horas é a festa? Perguntei olhando no celular.

— Vamos sair daqui por volta das 22:00h.

— Ufa, então tem tempo. Falei me recostando no sofá.

— Tem sim, a festa é particular, mas é numa boate, tipo balada, sabe? Então começa tarde, mas como é do outro lado da cidade, temos que sair às 22:00h mais ou menos. Antes vou pedir uma pizza pra gente.

— Eu já vou tomar um banho, porque pra ir em balada tenho que me produzir para ficar bem bonita, né?

— Você não precisa de produção para ficar linda, meu anjo.

— Ah, obrigada. Falei dando um beijo no rosto dele, mas bem pertinho da boca, e saí em direção ao banheiro.

Tomei um longo banho, lavei o cabelo e passei máscara para hidratar.

Não trouxe o roupão de propósito para poder chamar o Pitty.

— Pitty! Gritei do banheiro.

— Pittyyyy...

— Oi. Respondeu da porta, mas sem abrir.

— Esqueci o roupão em cima do sofá, pode pegar para mim? É um amarelinho...

— Pego sim.

Após uns segundos, ele voltou.

— Mel, vou pendurar aqui na porta, tá?

— Não, traz aqui, a porta está aberta.

Ele entrou. Eu estava dentro do box, que é de um vidro meio embaçado, então não vi a reação dele, porque não dá para ver direito, mas minha silhueta nua dá pra ver com certeza.

— Está aqui na pia querida.

— Obrigada.

Ele saiu rapidamente e, pelo tom de voz, estava um pouco constrangido.

Estou fazendo de tudo, mas parece que não está funcionando...Ele não me nota, não me enxerga como mulher.

Que ódio.

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