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Brinley balançava ao som da música enquanto subia a colina de Armstrong. O som das ondas do rio cortando o vale acalmava sua alma. Mike estava certo. Ela estava com medo. Importava se ela conseguisse provar a assombração. Ela queria esfregar isso na cara de Mike pelo resto do ano. E se nada acontecesse, então ninguém precisaria saber. Brinley não contou a ninguém para onde estava indo. Joy diria o quão idiota seria visitar a mansão sozinha. "Droga, por que não trouxe a Joy comigo?" Brinley sabia a resposta. Se nada acontecesse, de alguma forma, Mike 'o boca grande' descobriria, e ele nunca a deixaria esquecer isso.
Enquanto o carro subia a colina íngreme, a luz de verificação do motor acendeu. "Você está brincando comigo?" Brinley bateu no painel na esperança de que a luz apagasse. O carro engasgou. Ela pisou no acelerador para empurrar o carro colina acima, mas o carro deu um estouro, engasgou novamente e desligou.
"Que droga." Brinley exclamou, dirigindo o carro morto para o lado da estrada. Depois de se certificar de que havia tirado o carro da estrada com segurança, ela abriu o capô e saiu. Ela não era uma mecânica licenciada, mas crescer sem um pai a ensinou a prestar atenção em certas coisas.
Um vento frio soprou pelas árvores nuas, serpenteando pela espinha de Brinley. Ela estremeceu. "Ok, isso não é tão ruim. Talvez seja o carburador." Brinley soprou ar quente nas mãos, depois enganchou o dedo na trava para abrir o capô. Ela passou os dedos pelo cabelo em busca de um grampo. Brinley pescou o longo projétil preto do cabelo para manter a válvula aberta. Brinley correu de volta para dentro do carro para ligar o motor. O carro engasgou, depois morreu. "Droga, droga, droga." Brinley bateu no volante. "O que diabos eu vou fazer agora?"
Brinley olhou para a mansão. A grande propriedade parecia mais assustadora pessoalmente. "Que se dane," Brinley saiu do carro e bateu a porta. Ela enfiou a mão no bolso de trás para pegar o celular. "Sem sinal." Brinley levantou o telefone no ar, tentando pegar um sinal. "Droga!" ela gritou, enfiando-o de volta no bolso. Brinley exalou; o vento frio penetrava em seus ossos. "Droga." Brinley processou suas opções.
A mansão estava longe da cidade. Brinley estava sozinha. "Certo, quão ruim isso pode ser? Eu posso ficar aqui e virar um picolé, ou posso dar uma olhada ao redor."
Novamente, Brinley tirou o celular do bolso de trás. "Mais uma vez. Vamos lá," ela rezou, tentando verificar quantas barras o telefone tinha. Brinley sussurrou uma oração silenciosa, jogando a cautela ao vento, discou o número de Mike. "Vamos, vamos, Mike, atende." Ela implorou.
"Alô?" Mike atendeu.
"Oh, meu Deus, Mike! Meu carro quebrou na Colina Armstrong e eu não consigo fazer ele pegar. Achei que fosse o carburador, mas não tem nada passando por ele."
Mike riu. "Você tá brincando comigo? Você realmente foi até a Mansão Armstrong?"
"Sim, eu fui."
"Eu sabia que você ia amarelar. Suponho que você precisa que eu vá te resgatar, né? Eu sou um homem. Um homem de verdade."
A raiva subiu às bochechas dela. Por que ela se deu ao trabalho de ligar para ele em primeiro lugar? "Eu não preciso de resgate, vai se ferrar." Brinley cuspiu, desligando o telefone. Ela jogou a cabeça para trás e gritou de frustração total. Brinley fechou os olhos para contar até dez. "Idiota." Brinley chutou o pneu dianteiro do carro. "Ok, ok, pensa." Ela abriu o telefone novamente, duas barras. Desta vez ela sabia que a ajuda viria. Rapidamente, Brinley discou o número de Joy. Depois de alguns toques, a chamada foi para a caixa postal. "Droga." Com mais uma chance de fazer uma ligação, Brinley discou o número do guincho e rezou.
"Alô?" Brinley se afastou do carro, tentando conseguir um sinal melhor. Quanto mais ela se afastava do carro, pior ficava a recepção.
"Alô? Quem é?" Uma voz masculina soou do outro lado.
"Alô, Sr. Fergus, é a Brinley Myers. Estou presa na Armstrong..." A voz de Brinley ficou presa na garganta quando os pequenos pelos na nuca se arrepiaram. Lentamente, ela se virou para testemunhar uma luz opaca vindo em sua direção. Brinley protegeu os olhos enquanto a luz ficava mais forte. "Alô?" A voz no telefone disse novamente, mas Brinley não conseguiu responder. O Sr. Fergus resmungou algo sobre 'malditos jovens' antes de desligar. "Meu Deus." Brinley deu um passo para trás. Na frente dela havia uma luz oscilante, e conforme a luz se aproximava, ela viu um homem carregando uma lanterna balançando. A lanterna balançante prendeu sua atenção. Era velha e desbotada. Brinley esfregou os olhos e deu um passo para trás. "Alô," a voz de Brinley tremia. "Obrigada. Eu não pensei que alguém morasse por aqui." Brinley protegeu os olhos da luz.
"Eu moro aqui há muito tempo." O sotaque do estranho a assustou.
"É o meu carro, sabe; se eu pudesse usar seu telefone para ligar para um amigo, eu agradeceria." Brinley gesticulou para seu veículo parado.
O estranho levantou a lanterna mais alto. "Me siga. Eu não moro longe."
Brinley deu uma olhada rápida ao redor. "Onde você mora?"
"Não é longe."
O coração de Brinley batia forte. A voz de Mike ecoava em sua mente. "Medrosa." A voz repetia. Brinley olhou para o céu escuro. Ela exalou enquanto o homem a conduzia em direção à Mansão Armstrong.
