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No dia seguinte, Brinley acordou no sofá se sentindo revigorada. Ela olhou ao redor. O esplendor que ela havia testemunhado na noite anterior havia desaparecido com o nascer do sol. Ela chamou por William, mas ele não apareceu. Brinley olhou para o relógio. Eram sete horas. Mike já estaria acordado, se preparando para a aula. Ele havia dito uma vez que levava uma hora para se certificar de que estava impecável para todas as garotas do campus. Brinley se levantou para tirar as teias de aranha das roupas. Foi um sonho? Do bolso de trás, ela tirou o celular. "Vamos, vamos," ela segurou o aparelho no ar. Bip. O telefone ligou com sinal cheio. Sua primeira tentativa de ligação foi para Joy. Ela sabia que sua colega de quarto estaria preocupada, mas o telefone só tocou. Em seguida, ela ligou para Mike.

"Ei, garota fantasma, como foi sua experiência?" Mike perguntou, atendendo o telefone.

"Eu te conto tudo se você vier aqui me buscar."

"Você ainda está aí?" Mike disse, surpreso.

"Sim, você não me deixou escolha a não ser ficar no meu carro." Brinley se virou para dar uma última olhada na casa. Ela sabia que o que aconteceu na noite passada era real, mesmo que a mansão vazia estivesse sem graça e cinza, mas quando Brinley se aproximou do carro, rosas recém-floridas cobriam um lado do portão de ferro forjado. "Que loucura," Brinley murmurou.

"O que você está resmungando?" Mike perguntou irritado. "Você precisa de muita terapia."

Brinley mordeu a língua, depois exalou. "Sabe de uma coisa, Mike? Vai se ferrar. Nem sei por que me dei ao trabalho." Brinley desligou o telefone, marchando em direção ao carro.

Brinley pegou as chaves para destrancar a porta. Ela rezou antes de colocar a chave. "Por favor, funcione, por favor, funcione." Brinley girou a chave. Um alívio tomou conta dela quando o motor ligou. "SIM!" Brinley levantou as mãos no ar em triunfo. "Viu, não preciso de você, afinal, Mike." Brinley sorriu, dando ré no carro para sair da encosta. Ela deu mais uma olhada na janela do primeiro andar. Na frente da janela quebrada estava a imagem tênue de um homem. "Não foi um sonho." Brinley engatou a marcha e acelerou pela rua de volta para a cidade. Dez minutos depois, ela entrou no estacionamento. Brinley esperou se acalmar antes de desligar o motor e entrar no prédio.

Joy se virou, telefone na mão, raiva brilhando em seus olhos azuis claros. "Ah, não, espere, policial, ela acabou de entrar. Muito obrigada." Joy desligou o telefone. "Onde diabos você estava? Eu estava morrendo de preocupação."

"Eu tentei te ligar, mas você não atendeu." Brinley tirou as roupas enquanto corria para o quarto. "Mike ligou e de alguma forma me desafiou a ir até a mansão."

"E sendo a pessoa sensata que você é, foi lá sozinha. Inteligente." Joy gemeu, revirando os olhos.

"Desculpa," Brinley manteve as costas voltadas para Joy enquanto ia para o banheiro tomar um banho rápido. Terminando, ela saiu do banheiro cheio de vapor. "Eu tentei te ligar, mesmo assim."

Joy exalou, cruzando os braços. "Você poderia ter deixado uma mensagem."

Brinley assentiu. "Eu não estava pensando, desculpa. Meu carro morreu. Eu não conseguia sinal. Chamei um guincho, mas a ligação caiu."

"Estou feliz que você está em casa. Você conseguiu a prova que precisava?"

Brinley permaneceu em silêncio, tentando encontrar uma maneira de explicar o que sentiu e viu. Ela se virou para o espelho para escovar seus cabelos negros.

"Alô?" Joy perguntou novamente.

"Tá bom," ela se virou para a amiga. "O Mike ligou, e eu deixei ele me irritar. Então, eu disse, dane-se, e dirigi até lá. Na frente dos portões, meu carro morreu."

Joy suspirou, incrédula. "Se você não quer falar sobre isso, tudo bem, mas não deveria brincar. Eu estava realmente preocupada com você."

"Joy, eu não estou mentindo. Meu carro morreu, e meu celular não tinha sinal suficiente. Tentei ligar para pedir ajuda, mas não consegui. Honestamente, foi tão estúpido eu ter ido até aquela casa. Eu estava tão irritada." Brinley balançou a cabeça. "Eu deveria ter ficado com medo quando vi a luz à distância pela primeira vez, mas não fiquei. Mesmo quando ouvi ele falar, no fundo, eu sabia quem era."

"Você realmente viu um fantasma." Os olhos de Joy estavam arregalados de choque.

Brinley deu de ombros. "Sim, eu vi. William me guiou do portão até o jardim de rosas. Ele começou a florescer."

"Mas como? Você passou a noite inteira no seu carro?"

Brinley balançou a cabeça. "Não. William me mostrou a casa. Quanto mais tempo eu ficava, mais a mansão ganhava vida. William me contou sua versão da história."

"Eu te disse que ele era culpado."

"Tudo o que ele queria era proteger a esposa. Ele a amava, Joy. Estava tudo bem até eu começar a me sentir tonta e fraca."

"Um fantasma tentou te matar."

"Não foi o William."

"Por que você está tentando protegê-lo?"

"Não estou. Só estou dizendo que não foi ele. Acho que foi a Maggie. Parecia que ela estava me drenando."

"Você a viu?"

"Não," Brinley sussurrou. "Mas os olhos vermelhos dela vão ficar comigo para sempre."

"Você poderia ter morrido."

"Mas eu não morri. William me protegeu até de manhã."

"Ele te protegeu depois de te levar para a esposa maligna dele."

Brinley suspirou.

"Merda," Joy exclamou. "Você não deveria ter ficado sozinha." As duas mulheres se encararam por alguns minutos. "Ele estava todo deformado e nojento?"

Brinley riu. "Nem um pouco."

Joy sentou na cama de Brinley. "Então, me conta tudo."

"Vamos nos atrasar para a aula." Brinley pegou seu caderno e sua caneta favorita. "Por favor, não diga nada para o Mike."

"Como se eu fosse," Joy disse baixinho. Brinley ajeitou a gola da jaqueta enquanto elas atravessavam o campus apressadas.

"Você está com frio?" Joy perguntou.

"Sim, ainda estou me recuperando."

"Como você escapou?"

"Essa é uma coisa da noite passada que eu não consigo entender. Eu estava tão fraca. Mal conseguia me mexer. Não sei como explicar, mas comecei a sentir uma sensação crescendo no meu peito. Meu corpo ficou quente. Enquanto Maggie tentava me consumir de alguma forma, eu a combati. Até William ficou surpreso. Ele a manteve afastada enquanto eu dormia. Quando acordei, vim direto para cá."

"Não sei sobre isso, Brin."

"O que mais pode acontecer?"

"Não tenho certeza sobre isso, Brinley; isso pode ser apenas o começo."

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