Capítulo 3 Capítulo 1.0 Morgana Ávila
O congresso foi muito proveitoso, não vou mentir. Mas saio de lá com o rosto daquele homem na cabeça.
Grosso.
Volto para o hotel e Pietro já está acordado. Aproveito, tomo um banho, arrumei meu pequeno e seguimos para passear. Sei que ele não pode se cansar muito, mas também não vou deixar de levá-lo para conhecer a cidade. Seguimos de carro e paro no centro. Assim que saímos do carro, começamos a caminhar, e os olhos de Pietro brilham.
Avisto um parque para crianças pequenas e o levo para brincar em alguns brinquedos mais tranquilos, para que não se canse.
— Mamãe, quero pula-pula! — ele diz animado.
— Meu amor, no pula-pula você não pode. Mas pode nesse carrossel. Olha que cavalinho lindo! Você quer?
— Sim, mamãe! — ele responde empolgado.
Compro os ingressos e, assim que o carrossel para, entramos. Ele escolhe o cavalo e o coloco sentado. Pietro me abraça com um sorriso lindo no rosto.
— Te amo, mamãe! — ele declara, me fazendo ficar emocionada.
— Mamãe também ama muito você, pequeno! — falo, dando beijos no seu rostinho e fazendo-o rir.
Enquanto observo aquele sorriso iluminando seu rosto, meu coração aperta.
Se alguém me perguntasse qual é o meu maior sonho, eu não responderia que é crescer profissionalmente ou conquistar reconhecimento.
Meu maior sonho é vê-lo saudável.
Sem remédios. Sem consultas. Sem exames.
Apenas sendo uma criança.
Correndo. Brincando. Vivendo.
E farei qualquer coisa para tornar isso possível.
Manu tira algumas fotos e fazemos várias caretas. Quando o passeio acaba, caminhamos pela cidade. É muito bonito. Ficamos observando as atrações, comemos alguns doces e finalizamos com algodão-doce. Pietro fica bem cansadinho, então decidimos encerrar o passeio.
Voltamos para o hotel com ele cochilando no banco de trás. Sei que é efeito da doença, mas faço tudo para ver o sorriso no seu rostinho.
Chegamos ao hotel. Dou um banho nele e o coloco para dormir, mas antes administro o remédio para que não fique com dor de cabeça. Fico olhando para meu pequeno deitado e só queria que ele ficasse bem e pudesse fazer tudo o que uma criança da sua idade merece.
Mas preciso ser confiante.
Ele vai ficar bem. E farei de tudo para vê-lo feliz outra vez.
Tomo banho e me permito descansar um pouco.
Quando amanhece, meu pequeno acorda cheio de energia. Aproveito o momento, peço um café da manhã reforçado e decido passar a manhã na piscina antes de voltarmos para casa.
É uma manhã animada. Até Manu se diverte na piscina junto com Pietro. Mas, sem poder prolongar a viagem, voltamos para a nossa cidade.
Durante o trajeto, Pietro não para de dizer que a mamãe é super. E eu adoro quando ele fala isso. Meu coração transborda de amor por ele. Minha vida.
Mal consigo ficar em casa quando chegamos, preciso repassar tudo sobre o congresso para meu chefe. A reunião vai bem, e ele aprova o que apresento. Agora é só colocar em prática.
E agora estou aqui, na sala de espera do consultório, aguardando o Dr. Lemos.
O resultado dos últimos exames de Pietro saiu, e o médico me ligou pedindo para eu vir. Estou muito ansiosa. Só preciso de boas notícias para ver meu pequeno bem.
Ergo a cabeça quando ouço meu nome ser chamado.
— Boa tarde, senhorita Morgana. Já podemos ir até a minha sala. — diz o Dr. Lemos, com tom sério.
— Boa tarde, doutor. — Entro e me sento, aguardando enquanto ele ocupa a cadeira à sua frente.
— Preciso esclarecer algumas coisas sobre o quadro clínico do Pietro.
Meu coração dispara.
A forma séria como o Dr. Lemos segura aqueles exames me deixa imediatamente em alerta.
Aperto as mãos sobre o colo.
— Pode falar, doutor. Preciso saber de tudo.
Ele respira fundo antes de continuar.
— Infelizmente, os exames mostram que a doença avançou.
Por alguns segundos, fico sem conseguir respirar.
Não.
Aquilo não faz sentido. Pietro está mais animado. Brincando. Parece melhor.
— Tem certeza? — minha voz sai quase em sussurro.
O médico assente.
— Os medicamentos estão ajudando a controlar alguns sintomas, mas não estão impedindo a progressão da doença.
Sinto meus olhos queimarem.
Meu coração parece estar sendo esmagado dentro do peito. A única coisa que consigo pensar é no meu filho. No sorriso dele. Nos abraços. Ele é apenas uma criança — uma criança que deveria estar preocupada apenas com brinquedos e desenhos animados. Não com hospitais, remédios e dores.
— O que faço agora? — pergunto, lutando para controlar as lágrimas.
— Existe uma alternativa.
Levanto imediatamente a cabeça.
Uma esperança desesperada nasce dentro de mim.
— Qual?
— Um tratamento intensivo realizado nos Estados Unidos. — Ele faz uma pausa antes de continuar. — É caro, mas quanto antes for iniciado, menos Pietro sofrerá com a progressão da doença. Por enquanto, vou aumentar a dosagem dos medicamentos atuais. E em qualquer sinal diferente, qualquer coisa que chame sua atenção, traga-o imediatamente ao hospital.
